Menu
2019-05-08T20:27:45-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances O Roteirista, Abandonado e Os Jogadores
Disputa na renda fixa

Avanço de bancos em debêntures incentivadas é “dor de crescimento” do mercado, diz Anbima

Para a associação, a concorrência pelas debêntures de infraestrutura, que contam com isenção de imposto para pessoas físicas, vai se resolver com o aumento no volume de emissões

9 de maio de 2019
6:03 - atualizado às 20:27
Obra de insfraestrutura
Imagem: Shutterstock

São as dores do crescimento. É assim que a Anbima, associação que representa as instituições que atuam no mercado de capitais, avalia o avanço dos bancos sobre as debêntures incentivadas. Os títulos de dívida emitidos por empresas cujos recursos sejam destinados a obras de infraestrutura são isentos de IR para pessoas físicas e estrangeiros.

Os papéis caíram no gosto do investidor, só que que os bancos também estão atrás do benefício fiscal, como eu escrevi nesta reportagem. Os bancos não são isentos, mas pagam apenas 15% de imposto ao colocarem os papéis incentivados na carteira, bem menos que os 40% de alíquota à qual estão sujeitos nas operações de crédito convencional.

Para José Eduardo Laloni, vice-presidente da Anbima, o que existe hoje é uma demanda muito maior pelas debêntures de infraestrutura - seja de bancos ou dos vários fundos de crédito criados nos últimos anos na esteira da queda dos juros - do que papéis disponíveis para investir.

"Os bancos querem crescer e os gestores querem gerir, mas as emissões não estão vindo na velocidade que a gente gostaria", me disse Laloni, em uma entrevista por telefone.

Esse fenômeno acontece porque o crescimento da economia hoje gera oportunidades de novos negócios em uma velocidade menor do que a acumulação de poupança, segundo o executivo da Anbima, que também é vice-presidente do banco ABC Brasil.

Em 2018, as emissões de debêntures de infraestrutura bateram o recorde de R$ 23,9 bilhões, de acordo com a Anbima. Mas, desse total, os bancos abocanharam quase R$ 10 bilhões - o equivalente a 41,8% do volume. Nos três primeiros meses deste ano, a participação dos bancos é menor, mas o número é distorcido por uma emissão de R$ 3,6 bilhões da Petrobras que foi direcionada para pessoas físicas.

Eu perguntei a Laloni se, diante dessa escassez de debêntures incentivadas no mercado, os bancos não estariam sendo "fominhas". Afinal, quanto mais papéis os bancos colocam nas carteiras, menos sobra para você investir, seja diretamente ou via fundos.

"O mercado está funcionando muito bem, mas é normal que o gestor de fundos reclame por mais oferta", ele respondeu.

Mais liquidez

Sobre a atuação dos bancos, ele reconheceu que as tesourarias das instituições financeiras estão mesmo mais ativas na compra das debêntures. Mas aponta um lado positivo dessa atuação.

"As tesourarias estão olhando o trading, com a negociação no mercado secundário. E, quanto mais negociação, mais liquidez para comprar e vender os papéis, o que é bom para os gestores de fundos e investidores", afirmou.

Para o vice-presidente da Anbima, a agenda do governo de privatizações e concessões deve levar a uma nova rodada de investimentos que precisarão de financiamento, o que deve satisfazer a demanda do mercado.

De todo modo, a associação defende mudanças na Lei nº 12.431, que concedeu o benefício fiscal nas captações de recursos para financiar obras de infraestrutura. Uma das sugestões da Anbima é permitir que a isenção de imposto possa ser usufruído tanto pelo investidor como pela empresa emissora das debêntures. Hoje o benefício é válido apenas para o investidor.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

Novidades na B3?

Multilaser e Invest Tech entram na fila de pedidos de IPO

As duas empresas engrossam a lista de ofertas em análises na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que já conta com 28 pedidos

Ainda falta chão...

Reforma administrativa dá mais um passo na Câmara dos Deputados

O relator leu hoje seu parecer pela constitucionalidade da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ); votação deve ocorrer a partir do dia 20

Novo momento

Fertilizantes Heringer registra prejuízo líquido de R$ 7,46 milhões no 1º tri

Empresa teve melhor Ebitda da história para um primeiro trimestre, mas resultado foi impactado por despesas financeiras

na b3

GetNinjas estreia em queda na bolsa, após IPO com ação abaixo do previsto

Empresa levantou R$ 550 milhões na oferta inicial de ações, com desconto de quase 20% do valor do papel em relação ao preço mínimo da faixa

Diversificando

BTG Pactual lança fundo de investimento 100% em bitcoin

O lançamento vem em linha com a diversificação de ativos oferecidos pelo banco

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies