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2020-11-12T14:58:36-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Pessoas físicas

Aplicações de pequenos investidores têm alta recorde no acumulado do ano

Volume investido pelo segmento de varejo tradicional viu crescimento de quase 16% em 2020 até o final de setembro; valor aplicado pelas pessoas físicas chegou a R$ 1,12 trilhão

12 de novembro de 2020
14:57 - atualizado às 14:58
Jarra de moedas representa poupança
Imagem: Shutterstock

Os investimentos das pessoas físicas no Brasil continuam crescendo. Nos três primeiros trimestres de 2020, o segmento de varejo tradicional, que reúne os pequenos investidores brasileiros, viu um crescimento de 15,9%, a maior variação percentual para o período de toda a série histórica iniciada em setembro de 2014.

Com a alta recorde, os investimentos dos pequenos investidores totalizaram R$ 1,12 trilhão no final de setembro. Os demais segmentos também viram avanço no acumulado do ano: 3,9% no segmento de varejo alta renda (que reúne os segmentos alta renda das instituições financeiras) e 5,2% no segmento private (que reúne os mais endinheirados).

Com isso, a soma dos investimentos das pessoas físicas chegou a R$ 3,52 trilhões até setembro de 2020, um crescimento de 7,9% quando comparado setembro de 2020 com dezembro de 2019.

Para José Ramos Rocha Neto, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima - entidade que reúne as empresas do mercado de capitais - "é muito positivo que os brasileiros continuaram investindo, em um ano em que a taxa Selic foi reduzida a 2%, alguns títulos públicos tiveram rentabilidade negativa, e a bolsa conviveu com forte volatilidade."

No terceiro trimestre, porém, os investimentos das pessoas físicas viram certa desaceleração, com crescimento de 4,5% ante o trimestre anterior, inferior à alta de 9% apresentada no segundo trimestre. Segundo Rocha, as razões são o desempenho da atividade econômica e a redução dos valores de auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300.

O resultado, porém, ainda mantém a tendência de recuperação depois da queda de 5,3% nos investimentos das pessoas físicas no primeiro trimestre do ano, marcado pelo início da pandemia e uma desvalorização generalizada nos preços dos ativos.

Investimentos preferidos do varejo

Considerando o varejo tradicional e o alta renda, o investimento em títulos e valores mobiliários foi o que teve maior crescimento relativo, como alta de 20% até setembro, somando volume de R$ 621,4 bilhões.

O Certificados de Depósitos Bancários (CDB), títulos de renda fixa emitidos por bancos e de baixo risco, foram os títulos de maior participação da categoria, concentrando 44,9% do total de investimentos dos dois segmentos de varejo em setembro. No mesmo mês do ano passado, os CDB concentravam 37,2% dos investimentos do varejo em títulos e valores mobiliários.

Na renda variável, o destaque ficou por conta das ações. Em setembro, o número de investidores pessoas físicas na bolsa brasileira superou a marca histórica de 3 milhões de investidores. Naquele mês, as ações respondiam por 16,9% do volume financeiro alocado em títulos mobiliários pelos investidores de varejo. Em setembro de 2019, esse percentual era de 15,5%.

A caderneta de poupança manteve, em setembro, o forte ritmo de crescimento verificado nos meses iniciais da pandemia. Os investimentos no produto pelo varejo totalizaram R$ 920,8 bilhões em setembro, alta de 17,6% em relação a dezembro de 2019. Segundo a Anbima, o movimento foi estimulado pelo pagamento do auxílio emergencial e também pela maior poupança acumulada pelas pessoas físicas durante a pandemia.

O investimento em fundos pelos dois segmentos de varejo teve retração nos três primeiros trimestres do ano. Em setembro, totalizava R$ 605,6 bilhões, queda de 7,6% em relação a dezembro de 2019. Segundo a Anbima, a motivação do recuo foram as menores captações dos fundos de renda fixa.

Debêntures impulsionam o private

Entre os investidores do segmento private, a Anbima destaca o crescimento do investimento em debêntures, títulos de renda fixa emitidos por empresas, em geral mais arriscados do que os títulos bancários. O volume alocado nesse tipo de título teve alta de 19,6% no ano.

Ao contrário do que ocorreu no varejo, o investimento em fundos pelos clientes private viu aumento no ano, com alta de 1,2%, puxada pelos fundos multimercados.

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