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2019-12-07T09:18:01-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
E o ano nem acabou!

Fundos imobiliários e ações já têm captação recorde em 2019

Volumes captados por fundos imobiliários e ofertas de ações até novembro deste ano já são os maiores das suas séries históricas, segundo dados da Anbima

7 de dezembro de 2019
5:30 - atualizado às 9:18
Jovem com notas de dólar
Imagem: Shutterstock

O ano ainda não acabou, mas os fundos imobiliários e as ofertas de ações já bateram seus recordes históricos de captação.

Entre janeiro e novembro de 2019, foram emitidos R$ 78,3 bilhões em ações, maior volume da série histórica iniciada em 2002. O recorde anterior foi registrado em 2007, quando foram captados R$ 75,5 bilhões em ofertas de ações.

Já a captação dos fundos imobiliários ficou em R$ 32,5 bilhões, maior volume da série histórica iniciada em 2013. Mais do que isso: é praticamente o dobro do recorde anterior, registrado no ano passado, que foi de R$ 15,6 bilhões.

Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) na semana passada.

Em outubro, a entidade havia divulgado que a captação em ofertas públicas entre janeiro e setembro de 2019 já superava a de todo o ano passado, constituindo um novo recorde histórico.

Entre janeiro e novembro, o mercado de capitais brasileiro captou R$ 440,8 bilhões em ofertas públicas de ações, renda fixa, fundos imobiliários e também no mercado externo.

Confira os números:

O ano das ofertas subsequentes

Como você pôde reparar, as responsáveis pelo grande volume de captação nas emissões de ações foram as ofertas subsequentes, também chamadas de follow-ons, e não as ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês), realizadas quando uma empresa abre o capital na bolsa.

Trata-se de um cenário bem diferente daquele que levou o mercado de capitais ao recorde anterior, em 2007.

Em 2019, apenas cinco empresas estrearam na bolsa, sendo que 31 companhias abertas já veteranas fizeram novas emissões de papéis.

Já em 2007, os IPOs foram os grandes responsáveis pela captação dos R$ 75,5 bilhões; naquele ano, 64 empresas começaram a negociar ações na bolsa brasileira, e apenas 12 fizeram follow-on.

Para José Eduardo Laloni, vice-presidente da Anbima, isso “mostra que as empresas que já tinham acesso ao mercado de capitais estão se preparando para crescimento.”

Privatizações evidentes

Além disso, boa parte das ofertas de ações foram secundárias, isto é, os papéis foram vendidos por sócios relevantes das empresas e o dinheiro foi parar no bolso deles. Não foram emissões de ações novas para captar recursos para o caixa das próprias empresas, o que chamamos de oferta primária.

Nada menos que R$ 48,9 bilhões captados neste ano foram relativos a ofertas secundárias, contra apenas R$ 29,4 bilhões referentes a ofertas primárias. Apenas em 2013 as ofertas secundárias superaram as primárias em volume.

Segundo a Anbima, uma parcela significativa dessas ofertas secundárias de 2019 foi referente a desestatizações e desinvestimentos do governo.

Debêntures ainda não bateram recorde, mas devem chegar lá

O volume captado em emissões de debêntures de janeiro a novembro ainda não bateu recorde anual, mas até o fim de 2019 deve chegar lá.

Essas ofertas captaram R$ 153,5 bilhões no período, volume apenas ligeiramente inferior aos R$ 153,7 bilhões captados em todo o ano de 2018, maior volume da série histórica iniciada em 2013.

O volume de debêntures incentivadas emitido, no entanto, já é recorde: R$ 27 bilhões, contra R$ 24,1 bilhões no ano passado inteiro.

As debêntures incentivadas são títulos emitidos por empresas para financiar projetos de infraestrutura, e são isentas de imposto de renda para a pessoa física.

Os fundos abocanharam boa parte desses ativos

Os fundos de investimento foram o principal destino das ações e debêntures emitidas neste ano. Eles abocanharam 43,5% do volume emitido em ações e 52,2% do volume emitido em debêntures.

Trata-se de uma participação recorde dos fundos de investimento nas emissões de ações, dado que antes esse mercado era dominado por investidores estrangeiros.

As pessoas físicas, por outro lado, continuam respondendo apenas por uma diminuta participação direta. Esses investidores ficaram com 5,6% do volume ofertado em debêntures e 7,5% do volume ofertado em ações.

É bom lembrar, entretanto, que a maior parte do volume captado nos últimos anos têm se referido a ofertas restritas a investidores profissionais, das quais as pessoas físicas não podem participar.

Assim, os fundos de investimento acabam surgindo como alternativa para as pessoas físicas tentarem acessar essas ofertas indiretamente.

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