Menu
2019-01-30T08:36:22-02:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Vale é destaque, em dia cheio com Fed e China

Mercado espera tom suave do Federal Reserve em relação aos juros norte-americanos e acordo comercial entre China e EUA, enquanto a Vale tenta recuperar sua imagem

30 de janeiro de 2019
5:33 - atualizado às 8:36
valeFed
Decisão da mineradora de fechar barragens e paralisar operações em minas impulsiona o minério de ferro -
Ouça um resumo da notícia

Alguns vetores negativos para o mercado financeiro podem ser eliminados nesta quarta-feira (30). Por aqui, o destaque fica com a decisão da Vale de eliminar barragens de rejeitos semelhantes às das cidades mineiras de Mariana e Brumadinho e paralisar as operações em 10 minas que utilizam o mesmo método úmido para as atividades de mineração.

Em reação, os recibos de depósitos de ações (ADRs) da mineradora subiram quase 6% no after-hours em Nova York, o que sinaliza uma continuidade da recuperação dos papéis da Vale na Bolsa brasileira, após a tímida alta ontem. Já o minério de ferro disparou e atingiu o maior valor desde março de 2017 nas negociações asiáticas, com a parada nas operações.

A Vale deixará de produzir 40 milhões de toneladas de minério de ferro, o que representa 10% da produção anual da commodity. Ainda assim, a quarta-feira deve abrir positiva para o mercado financeiro doméstico, diante da tentativa da gigante brasileira de recuperar sua imagem, após a tragédia que já deixou 84 mortos e quase 280 pessoas desaparecidas.

Dia de expectativa no exterior

A manutenção dessa tentativa de alta entre os ativos locais vai depender do exterior. Lá fora, os investidores aguardam uma postura suave (dovish) por parte do Federal Reserve sobre a taxa de juros norte-americana e das autoridades chinesas nas tratativas comerciais com os Estados Unidos.

Ou seja, os investidores apostam que o Fed irá revisar para baixo a previsão de mais duas altas nos juros do país neste ano, bem adotar um tom mais cauteloso em relação ao processo de redução do balanço patrimonial. Essas medidas ajudariam a manter a liquidez global, reduzindo a volatilidade dos ativos de risco pelo mundo.

Agora que a autoridade monetária está pregando “paciência”, os investidores passaram a achar que o Fed foi longe demais no ciclo de aperto, iniciado em dezembro de 2015 e que se intensificou no ano passado. E essa percepção em relação ao Fed facilita o governo Trump a negociar com os democratas sobre o muro na fronteira com o México e com os chineses sobre o comércio.

Um acordo firme entre EUA e China no front comercial tende a eliminar os riscos de novas rodadas de taxações e represálias sobre produtos importados, nos moldes do que se viu no ano passado. Ao mesmo tempo, fica afastado o temor de uma desaceleração econômica global mais intensa, com impacto nos lucros e margens das empresas.

Nos mercados

Aliás, a Apple anunciou o resultado financeiro referente ao período das vendas de fim de ano, com ganho de US$ 4,18 por ação, e apresentou uma previsão de receita entre US$ 55 bilhões e US$ 59 bilhões para o primeiro trimestre. Os números ficaram em linha com o previsto, mas longe dos US$ 64 bilhões de faturamento esperado em dezembro.

A China mostrou-se um ponto fraco durante o quarto trimestre do ano passado, com as vendas da Apple ao país caindo 27% e representando cerca de 15%, ou US$ 13,2 bilhões, da receita da gigante de tecnologia, ante quase US$ 18 bilhões em igual período do ano anterior. Ainda assim, no after-hours, as ações da Apple subiram mais de 5%.

Com isso, os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram em alta, apesar de uma sessão mista na Ásia, onde os negócios aguardam novidades do Fed e em torno da guerra comercial. Já a Europa caminha para uma abertura sem rumo definido, apenas com Londres ensaiando ganhos firmes.

Entre as moedas, o yuan chinês (renminbi) subiu ao maior valor desde julho em relação ao dólar, diante das esperanças de um acordo comercial com os EUA, ao passo que a libra esterlina se recupera, em meio às indefinições em torno do Brexit.

Merecem atenção também a alta do dólar australiano, após dados sobre a inflação no país, e a queda do peso mexicano, após o governo decidir não injetar capital na Pemex. Nas commodities, o petróleo segue se beneficiando da crise política na Venezuela.

Entre expectativas e realidade

O problema é a distância existente entre as expectativas do mercado em torno do Fed e da China e a realidade. Afinal, é difícil imaginar uma solução definitiva entre as duas maiores economias do mundo, com Pequim e Washington encaminhando suas diferenças em questões estruturais, após as denúncias contra a Huawei às vésperas da retomada das negociações.

Mais que isso, os EUA sabem que estão enfrentando um grande rival estratégico, em tempos em que os desenvolvimentos em tecnologia de comunicação e o Big Data se configuram em uma forma de poder (e de controle). Já os chineses conhecem sua história milenar e têm consciência do preço que se paga quando se fica de joelhos para potências estrangeiras.

O vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, reúne-se hoje com o representante do comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin. O principal negociador da China também deve ser recebido pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Os encontros estão agendados para hoje e amanhã.

Por sua vez, o Fed ainda precisa estar atento ao aumento dos custos do trabalho às empresas norte-americanas e à pressão dos salários sobre os preços no varejo. Por ora, a desaceleração econômica inibe o repasse ao cliente final devido à queda da demanda. Mas o Fed está atento a eventuais brechas, no caso de uma trégua comercial mais longa.

No meio dessas discussões envolvendo EUA e China, está a Europa. Mais precisamente, o Reino Unido, que quer sair do bloco comum europeu, mas ainda não sabe como. A primeira-ministra Theresa May, prometeu voltar a Bruxelas para renegociar o Brexit. Mas a apenas oito semanas para o prazo final, cresce o risco de uma saída caótica da UE.

Olha a hora

O Federal Reserve anuncia a decisão de juros às 17h e a previsão é de manutenção da taxa no intervalo entre 2,25% e 2,50%. Com isso, o foco se desloca para a entrevista coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell, às 17h30, que passa a ocorrer sempre ao final de cada encontro. A expectativa é de que “Jay” se mostre paciente e dependente dos dados econômicos para definir os próximos passos em relação aos juros.

Antes, o calendário econômico norte-americano traz dados sobre a criação de emprego no setor privado em janeiro (11h15), o setor imobiliário (13h) e os estoques de petróleo (13h30). Logo cedo, tem a confiança do consumidor na zona do euro (8h) e, no fim do dia, é a vez de dados de atividade dos setores industrial e de serviços na China neste mês.

Enquanto isso, no Brasil...

O mercado doméstico também está atento à cena política e aguarda a definição dos nomes que irão disputar as presidências da Câmara e do Senado. A eleição no Congresso acontece na sexta-feira e é fundamental para o governo Bolsonaro que os escolhidos apoiem a agenda de reformas.

Entre os indicadores econômicos, às 8h, saem o índice de confiança do setor de serviços e o IGP-M, ambos referentes ao mês de janeiro. Também logo cedo, sai o balanço do Santander. Depois, às 9h, é a vez da inflação ao produtor (IPP) em dezembro e, às 12h30, serão conhecidos os dados do fluxo cambial, que podem dar pistas sobre o apetite do investidor estrangeiro em alocar recursos no Brasil.

Os números do Banco Central devem mostrar a entrada de mais recursos externos no país na semana passada, após o desembarque tímido do capital estrangeiro logo no início do ano. Só na Bolsa brasileira, o saldo de capital estrangeiro está positivo em pouco mais de R$ 3 bilhões, com os “gringos” retomando as compras de ações domésticas.

Esse aumento da posição do investidor estrangeiro nos ativos locais levou o dólar ontem a encerrar no menor patamar em 11 pregões, aproximando-se da faixa de R$ 3,70. A valorização do real retirou ainda mais prêmio da curva de juros futuros, cerca de uma semana antes da última reunião do Copom sob o comando de Ilan Goldfajn.

Por ora, a perspectiva de juros baixos (Selic) por um período prolongado combinada com a aprovação das reformas estruturais - especialmente a da Previdência - deixa a renda variável mais atraente em detrimento da renda fixa, ao mesmo tempo que fortalece a moeda local. Nesse círculo virtuoso, o dólar fraco mantém o cenário da inflação benigno, o que reduz a necessidade de um ajuste para cima na taxa básica.

Só quando a atividade econômica reagir de forma mais consistente, garantindo um crescimento mais sustentável, é que deve ter início o processo de normalização monetária. Ou, então, quando (se) forem desmontadas essas expectativas mais otimistas, com o Congresso travando a pauta do governo e dificultando a aprovação das reformas.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

seu dinheiro na sua noite

Em fevereiro não tem Carnaval

Moro num país tropical, que eu já não sei se é abençoado por Deus, mas que é bonito por natureza. Mas no próximo mês de fevereiro, ao contrário do que diz a canção do Jorge Ben, não tem Carnaval. A festa foi cancelada pela pandemia. Mas tem outro evento muito aguardado, pelo menos para os […]

JOINT VENTURE

Wiz cria corretora de seguros com a distribuidora de veículos Caoa

Nova companhia terá direito de comercializar com exclusividade, na rede de distribuição controlada pela Caoa, produtos e serviços de seguridade por 20 anos

rodovias estaduais

BNDES aprova R$ 3 bi para lote PiPa, maior concessão rodoviária do País

Banco de fomento informou que o empréstimo cobrirá 58% do total de investimentos previstos nos sete primeiros anos de concessão

Fechamento

De novo ele! Risco fiscal não dá trégua e Ibovespa tem queda firme; dólar sobe a R$ 5,36

Lá fora, o dia foi misto, com os investidores pesando o entusiasmo com Biden e a cautela com a situação econômica na Europa

na justiça

Última audiência de mediação com a Vale no caso Brumadinho termina sem acordo

Segundo o TJMG, mineradora propôs um valor da ordem de R$ 29 bilhões em indenização por danos materiais e morais, abaixo do pedido pelo governo e instituições

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies