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Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Sorte ou revés?

Bolsa brasileira falha na tentativa de ultrapassar a barreira histórica dos 100 mil pontos, mas segue atenta ao noticiário e ao fluxo para superar essa marca

Olivia Bulla
Olivia Bulla
15 de março de 2019
5:39 - atualizado às 6:09
sorteouRevez
Lá fora, ativos de risco relegam sinais de desaceleração global e se apoiam na liquidez financeira

Não foi desta vez. A Bolsa brasileira fracassou na tentativa de ultrapassar a barreira histórica dos 100 mil pontos, mas o Ibovespa segue colado a essa marca, que pode ser superada a qualquer momento. Tudo vai depender do fluxo positivo de notícias e de recursos - estrangeiros, principalmente.

Mas a direção do noticiário e do capital externo está na contramão desse feito inédito. As incertezas em torno da guerra comercial, da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) e quanto à desaceleração econômica global continuam pesando nos mercados internacionais, com riscos de contaminar o desempenho doméstico.

Por aqui, o otimismo com a reforma da Previdência prossegue. Contudo, os investidores sabem que os sinais de avanço da proposta na Câmara dos Deputados ainda são muito incipientes e é preciso mais empenho, tanto do governo quanto da ala econômica, para aprovar as novas regras para a aposentadoria ainda neste semestre.

Além disso, é preciso avaliar o conteúdo da proposta de reforma da Previdência dos militares, entregue pelo Ministério da Defesa. O texto entregue à equipe econômica inclui uma reestruturação da categoria, criando um novo posto na carreira, com aumento de gratificações e bônus, o que representaria um custo extra de R$ 10 bilhões em uma década.

Só após os dez primeiros anos, a economia com o endurecimento das regras previdenciárias aos não civis ultrapassaria as despesas geradas com esse aumento de benefícios. Os dados mostram que os gastos superam a receita entre 2021 e 2029, “crescendo o bolo”. Depois, então, pode-se repartir o sacrifício da Previdência a todos.

Três novelas

Portanto, são três focos de tensão divergentes - Brexit, trade war e Previdência - mas que convergem para um mesmo denominador comum. Em todos eles, o que estão em xeque é a questão do crescimento econômico - brasileiro e global - sendo que o temor de desaceleração só foi suavizado por causa da reiterada “paciência” do Federal Reserve.

A postura do Fed, que foi seguida por outros bancos centrais, foi o principal fator responsável pela melhora dos ativos ao redor do mundo, dando suporte a exposições mais arriscadas. A dúvida é saber por quanto tempo esse interregno benigno irá se manter, já que o Fed só está paciente por causa da perda de tração da atividade - nos EUA e afora.

Hoje, foi a vez do Banco Central do Japão (BoJ) de manter a política monetária ultrafrouxa, ao mesmo tempo em que piorou a previsão para a economia. O presidente do BoJ, Haruhiko Kuroda, disse que é preciso repensar a meta de inflação de 2%, uma vez que a desaceleração global tem afetado a atividade no país.

Ainda assim, a decisão do BoJ, que segue a linha mais suave (dosvish) do Fed e do BC europeu (BCE), sustenta um sinal positivo entre os ativos de risco, com os investidores escorando-se na liquidez financeira e relegando os fundamentos econômicos. As principais bolsas da Ásia fecharam em alta, sendo que Tóquio subiu 0,8%, enquanto o iene caía.

Na China, Hong Kong também avançou 0,7% e Xangai ganhou 1%, após a notícia de que os legisladores chineses aprovaram uma nova lei que proíbe a transferência força de tecnologia pelas empresas estrangeiras, o que tende a satisfazer uma das maiores reclamações dos EUA na questão comercial. Mas ainda não se sabe se é suficiente.

O maior receio dos chineses é de que o presidente norte-americano, Donald Trump, abandone a cúpula de encontro com o líder chinês, Xi Jinping, nos moldes do que foi feito em Hanoi, com o líder norte-coreano, Kim Jong Un. Xi quer apenas uma cerimônia para assinatura de um acordo, sem margens para novas negociações.

Também na China, destaque para a desaceleração na alta dos preços de imóveis nas 70 principais cidades em fevereiro, em +0,5% ante janeiro, após subir 0,6% no período anterior. O recuo reflete um maior controle das autoridades sobre as propriedades do que a demanda por novas casas. Em base anual, houve alta de 11,1%, de +10,8% em janeiro.

Ainda no outro lado do mundo, na Oceania, destaque para a Bolsa da Nova Zelândia, que subiu 0,4%, relegando os ataques simultâneos a duas mesquitas no país. Já no Ocidente, os índices futuros em Nova York também estão no azul, em dia de vencimento quádruplo (quadruple witching), o que deve elevar a volatilidade em Wall Street hoje.

Nos demais mercados, o dólar mede forças em relação às moedas rivais, perdendo terreno para o euro, mas avançando em relação a libra, ao passo que as commodities não exibem um rumo único. Os metais básicos recuam, enquanto o petróleo sobe.

Agenda cheia até na sexta-feira

O último dia da semana ainda reserva uma série de indicadores econômicos. No Brasil, o destaque fica com o desempenho do setor de serviços em janeiro (9h). O dado deve dar pistas sobre o ritmo da atividade brasileira no início de 2019, ao lado dos números sobre a indústria e o varejo. Antes, sai o primeiro IGP de março, o IGP-10 (8h).

Ainda por aqui, merece atenção o leilão de aeroportos, que deve ofertar 12 aeroportos do país, com destaque para o bloco que reúne as operações do Nordeste. A previsão é de arrecadação de R$ 2,1 bilhões aos cofres do governo, com investimentos de até R$ 3,5 bilhões.

Já no exterior, o radar se divide entre a leitura final de fevereiro do índice de preços ao consumidor na zona do euro (CPI), logo cedo, e os dados da produção industrial norte-americana em fevereiro (10h15). Ainda na agenda econômica dos EUA, sai a versão preliminar da confiança do consumidor no país em março (11h).

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