Dados fecham semana agitada por BCs
Produção industrial no Brasil e criação de emprego nos EUA calibram apostas sobre rumo dos juros em 2020, após sinalizações do Fed e Copom nesta semana

Já é novembro e o penúltimo mês de 2019 começa trazendo como destaque dados sobre a atividade no Brasil e o emprego nos Estados Unidos. Após as sinalizações do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed) nesta semana, os números tendem a calibrar as apostas sobre o rumo dos juros em 2020. Afinal, o mercado financeiro ainda não se convenceu de que os estímulos por parte de ambos os BCs terminam neste ano.
Lá fora, os ruídos em torno da assinatura do acordo comercial de primeira fase entre Estados Unidos e China neste mês reforçam a expectativa de que o ciclo de cortes do Fed terá de ser retomado no ano que vem, em meio à desaceleração da economia e às chances remotas de um entendimento sino-americano de longo prazo. Por aqui, o debate é se a última queda da Selic será em dezembro ou se cabem ajustes adicionais no início de 2020.
Essas incertezas provocaram ajustes nos ativos domésticos ontem, com o dólar voltando a ser negociado acima de R$ 4,00, e também em Wall Street, o que penalizou o Ibovespa - influenciado também pelo balanço do Bradesco. Já neste primeiro dia do novo mês, os mercados no exterior resgatam o otimismo, antes dos dados de emprego nos EUA e apesar de a China afirmar que não irá tratar de assuntos espinhosos na negociação comercial.
A maioria das bolsas da Ásia fechou em alta, enquanto os índices futuros das bolsas de Nova York e na Europa indicam uma sessão de ganhos. Os investidores relegam as dúvidas quanto a um acordo comercial abrangente entre EUA e China e se apoiam na expansão da indústria chinesa pelo terceiro mês consecutivo. O indicador calculado pelo Caixin subiu ao maior nível em 32 meses em outubro, a 51,7, de 51,4 em setembro.
O número se contrasta com o indicador oficial, que apontou recuo da atividade industrial na China pelo sexto mês seguido no mesmo período, e mostra que a melhora foi impulsionada pelos novos pedidos de exportação, que atingiram o maior nível desde fevereiro de 2018, além da confiança dos negócios nos próximos 12 meses. Em reação, Xangai subiu quase 1%, enquanto Hong Kong avançou 0,65%. Tóquio, por sua vez, recuou 0,3%.
Nos demais mercados, o petróleo está na linha d’água, dividido entre cortes de produção nos Estados Unidos e ganhos de oferta na Arábia Saudita, assim como o ouro. Entre as moedas, o dólar perde terreno para o euro e a libra, bem como para moedas correlacionadas às commodities, como o xará australiano.
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Indústria e payroll em destaque
A agenda econômica desta sexta-feira começa com os números da produção industrial brasileira, que deve crescer pelo segundo mês consecutivo, em +0,8% em setembro em relação a agosto. Na comparação com um ano antes, a atividade deve interromper uma sequência de três resultados negativos seguidos e avançar 1,5%.
Os números efetivos serão divulgados às 9h e também devem lançar luz sobre o desempenho da indústria no terceiro trimestre deste ano. Antes, sai o índice de preços ao consumidor (IPC) da FGV em outubro (8h) e, depois, é a vez dos indicadores da CNI para a indústria (11h). À tarde, têm os dados da balança comercial no mês passado (15h).
Já o relatório de emprego nos EUA (payroll) deve mostrar a criação de 100 mil postos de trabalho em outubro, com a taxa de desemprego subindo de 3,5% para 3,6%. A previsão é de que os números sejam impactados pela greve na General Motors (GM), que começou em meados de setembro e durou cerca de 40 dias.
Seja como for, o payroll deve confirmar que está em curso uma desaceleração nas contratações, porém, ainda sem impactar no ganho médio por hora. A previsão para os salários é de alta de 0,2% em base mensal e de +3% em base anual. Ainda na agenda econômica norte-americana, saem dados da indústria e da construção civil, às 11h.
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