Com vitória de Bolsonaro, mercado entra em festa. E você pode participar
Assim que o resultado foi confirmado, bancos e corretoras correram para soltar relatórios a seus clientes, um mais otimista que o outro. Projeções colocam Ibovespa em até 125 mil pontos, enquanto o dólar pode cair para a casa de R$ 3,50

Da tela da TV para a das cotações financeiras. Depois de assistir (e comemorar) a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais com 55% dos votos válidos, o mercado já está em busca de novos números. Ou seja, como ganhar dinheiro com a eleição do capitão.
Para quem ainda não investiu, a boa notícia é que ainda dá tempo de entrar na festa que já começou na Faria Lima e no Leblon, os tradicionais endereços dos tubarões do mercado.
Nem bem o resultado foi confirmado ontem à noite, o dólar caiu abaixo dos R$ 3,60 em Chicago, onde as negociações acontecem inclusive no domingo. Outro sinal do que pode acontecer veio de Tóquio, onde o fundo de índice (ETF) que replica a carteira do Ibovespa disparou 13,99% na noite de ontem (manhã de segunda no Japão).
Ainda que os investidores tenham se antecipado nas últimas semanas com a perspectiva da vitória de Bolsonaro, o mercado deve ganhar um novo gás nos próximos dias. E o salto pode ser ainda maior dependendo dos próximos passos do presidente eleito.
“Com a indicação de uma boa equipe econômica, a bolsa pode atingir preços que só teria com Alckmin eleito”, diz Luiz Eduardo Portella, sócio-gestor da Novus Capital.
Na prática, isso significa que o Ibovespa pode chegar aos 100 mil pontos e o dólar pode testar o patamar de R$ 3,50 a R$ 3,55. A pressão sobre a moeda americana deve diminuir consideravelmente com o desmonte de posições compradas de investidores que ainda buscavam proteção (hedge) contra uma alta súbita da moeda americana.
Leia Também
E esse movimento também pode beneficiar quem tem títulos públicos, principalmente os de longo prazo, segundo Portella. É o caso do Tesouro IPCA com vencimento em 2050, que paga hoje uma remuneração da ordem de 5,20% ao ano.
Bolsa favorita
Em relatório a clientes disparado logo após o resultado das urnas, a XP Investimentos colocou o mercado de ações como a melhor classe de ativos. “Vamos potencial para o Ibovespa atingir 125 mil pontos no fim de 2019”, escreveram os analistas.
"Para frente, tem um potencial de os preços continuarem subindo, principalmente a Bolsa. Os ativos estão muito depreciados, depois de tantos anos de intervenção", disse Pedro Jobim, economista-chefe da Legacy, gestora recém-formada por egressos da tesouraria do Santander, em entrevista à colunista do Seu Dinheiro Luciana Seabra.
Os fundos multimercados da Legacy têm posições otimistas concentradas na Bolsa. Na fila de maior para menor oportunidade, na opinião de Jobim, a renda variável vem seguida do câmbio – com o real convergindo para R$ 3,50 – e, por fim, juros, com possibilidade principalmente nos títulos prefixados de vencimento longo.
Para que a evolução seja positiva, entretanto, vão pesar a composição da equipe econômica e a agilidade de aprovação da reforma da previdência, diz Sara Delfim, gestora do fundo de ações da Dahlia Capital.
O que comprar?
Assim que o resultado foi confirmado, bancos e corretoras correram para soltar relatórios a seus clientes, um mais otimista que o outro.
No setor imobiliário, o Bradesco BBI colocou três ações como as favoritas para o “day after” da eleição: as incorporadoras Direcional e Tenda e a empresa de shoppings Iguatemi.
Para os analistas do banco, as ações da siderúrgica Usiminas e da materiais Duratex também devem se beneficiar, em razão da maior exposição ao mercado doméstico.
“Também gostamos de Gerdau, com a perspectiva de que o mercado de aços longos no Brasil também melhore”, escreveram os analistas. O banco também tem recomendação de compra para as ações da Vale.
Além da projeção para o Ibovespa, a XP destacou as estatais. Elevou a recomendação e o preço-alvo das ações da Petrobras e do Banco do Brasil. No caso do BB, a vitória de Bolsonaro reforçou a visão dos analistas da corretora de que as iniciativas de melhora da rentabilidade da instituição serão mantidas.
E a governabilidade?
Jair Bolsonaro está legitimado pelas urnas, mas sua governabilidade se mostra complexa. Para o diretor de Relações Governamentais da Barral M Jorge Consultoria, Juliano Griebeler, a grande fragmentação do Congresso, que conta com 35 partidos, cria dificuldades para conseguir votos suficientes para aprovar reformas.
“O que Bolsonaro vai dar em troca que não cargos para trazer esses partidos de centro, que serão importantes nas votações?”, questiona Griebeler.
Em seu discurso Bolsonaro, disse que pretende fazer um governo com indicações técnicas e isenta das indicações políticas de praxe.
Ainda sobre a questão da governabilidade, o coordenador do curso de Relações Internacionais do IBMEC e professor de Ciência Política, Adriano Gianturco, chama atenção para as promessas de Bolsonaro de reduzir o número de ministérios.
“Essa é uma promessa comum no mundo interno, mas empiricamente falando quase ninguém consegue respeitar isso”, avalia.
Ao longo da campanha, Bolsonaro falava em reduzir para 15 o número de ministérios. Atualmente são 29 estruturas ministeriais.
Para Griebeler, Bolsonaro, agora, tem de mostrar um plano de governo suficientemente detalhado que agrade ao mercado e a população. No caso da reforma da Previdência, é preciso saber qual o modelo de reforma que ele defende e, depois, iniciar um trabalho de educação e comunicação com o Congresso e com a sociedade.
Bolsonaro não terá uma oposição grande, mas ela é consolidada. Para Gianturco, o PT não deve fazer uma oposição moderada e deve seguir radicalizando o discurso, como foi visto ao longo do segundo turno.
*Com Luciana Seabra
Leia também:
- Ainda dá tempo de comprar ações: 4 ativos que vão subir sob Bolsonaro
- O que interessa é a formação de governo, diz economista do ABC Brasil
- Bolsa pode atingir “patamar Alckmin” se Bolsonaro indicar boa equipe econômica
DÍVIDA NA CARTEIRA
FIIs de tijolo estão de olho na alavancagem e reduzem endividamento — mas um segmento vai na contramão; entenda o motivo
14 de setembro de 2026 - 17:10MERCADOS HOJE
Sangria na bolsa: Ibovespa perde mais de 3 mil pontos e dólar sobe; juro do Treasury passa de 5%
14 de setembro de 2026 - 12:32MEXENDO NA CARTEIRA
TRXF11 vai às compras de novo, e mercado torce o nariz: cotas caem após FII desembolsar R$ 340 milhões por ativos corporativos
14 de setembro de 2026 - 11:06BOLSA EM DÓLARES
Ibovespa mais acessível para o gringo? Novidade na B3 a partir de hoje pode ajudar o índice
14 de setembro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL
Trade eleitoral: como os tubarões do mercado estão se posicionando para ganhar com as eleições — e limitar o prejuízo se a aposta der errado
14 de setembro de 2026 - 6:12SOBE E DESCE DAS AÇÕES
Alívio nos juros favorece Assaí (ASAI3), enquanto Direcional (DIRR3) amarga a pior queda do Ibovespa. O que aconteceu?
13 de setembro de 2026 - 13:06GIGANTE DA BOLSA
Petrobras (PETR4) está mais forte nessas eleições e pode saltar 32%, diz BTG – mas 4 gatilhos podem levar a ação além
11 de setembro de 2026 - 12:46IBOV MAIS COMPLETO
BDRs de Nubank, XP, Inter e JBS podem ganhar espaço no Ibovespa; entenda por que isso importa
10 de setembro de 2026 - 15:01MAIS INTERNACIONAL
B3 muda regra do Ibovespa e BDRs de brasileiras poderão entrar no índice já a partir da próxima edição
9 de setembro de 2026 - 17:02IÇANDO AS VELAS
Por que o Bank of America voltou a recomendar a compra de ações brasileiras na contramão de JP Morgan e Morgan Stanley
8 de setembro de 2026 - 14:06MERCADOS
O combo que fez o Ibovespa saltar mais de 4.000 pontos em 50 minutos na volta do feriado
8 de setembro de 2026 - 13:12NOVA ESCALAÇÃO
Tenda (TEND3) ganha vaga no Ibovespa — mas duas ações ficaram pelo caminho; veja a nova carteira do índice
8 de setembro de 2026 - 12:46MERCADOS HOJE
Petróleo fecha em alta e se aproxima de US$ 100, e China aumenta reservas cambiais e em ouro; veja o dia nos mercados globais
7 de setembro de 2026 - 17:47TROCA-TROCA
Dividendos para setembro: Itaú (ITUB4) e Vale (VALE3) saem da carteira da Rico; veja quem entrou
7 de setembro de 2026 - 16:10SETOR DE CONSTRUÇÃO
Não é MRV (MRVE3) nem Direcional (DIRR3): Itaú BBA acredita que outra ação pode valorizar até 107%
7 de setembro de 2026 - 12:17RENDA PASSIVA
Quem mais pagou dividendos em 2026? Veja o ranking das 10 maiores pagadoras no 2º trimestre
5 de setembro de 2026 - 17:45ESTRATÉGIA DO GESTOR
Nem Tesouro IPCA+, nem crédito: aposta de Stuhlberger agora está na bolsa
5 de setembro de 2026 - 12:01DOIS GIGANTES, DUAS APOSTAS
200 mil ou pé atrás? Os três elementos que decidirão os próximos meses da bolsa brasileira
4 de setembro de 2026 - 18:45ONDE INVESTIR
Onde investir em setembro? Com eleições pegando fogo e uma onda de RJs, veja onde apostar na bolsa, renda fixa, FIIs e exterior
4 de setembro de 2026 - 11:50RADAR DE FIIS