LIG: o que você precisa saber sobre o novo investimento que os bancos vão oferecer
Letra Imobiliária Garantida começa a aparecer na prateleira do seu banco ou corretora a partir desta quarta-feira, quando começa o registro do novo título na B3

A sopa de letrinhas dos investimentos ganha uma nova sigla a partir desta quarta-feira (21). Além dos já conhecidos CDB, COE, LCI e LCA, é provável que você comece a ver na prateleira do seu banco ou corretora a Letra Imobiliária Garantida. Ou simplesmente LIG.
A B3 liberou o registro da nova letra de crédito em seus sistemas a partir desta quarta-feira. Esse era o último passo do longo caminho traçado pela LIG para sair do papel.
Imagino que você agora esteja com várias dúvidas. Afinal, o que é a LIG? Por que ela foi criada? E, mais importante, vale a pena investir?
Dinheiro curto, prazo longo
Para responder a essas questões, cabe primeiro um pouco de história. E tem a ver com um caso mal resolvido no Brasil: o financiamento para a compra da casa própria.
A principal fonte de recursos que os bancos usam para emprestar aos clientes que querem comprar um imóvel vem do dinheiro que outros clientes depositam na caderneta de poupança.
O grande problema é que os financiamentos têm prazos longos, que podem chegar aos 30 anos, enquanto que o dinheiro da poupança tem liquidez diária e pode ser resgatado a qualquer momento.
Leia Também
Ou seja, em uma situação limite em que todos os investidores decidissem tirar o dinheiro da caderneta ao mesmo tempo, os bancos não conseguiriam honrar todos os saques.
É claro que esse cenário é improvável do ponto de vista estatístico, até porque os bancos conseguem controlar bem o comportamento dos fluxos da poupança. Mas não muda o fato que a caderneta não é o funding ideal para financiamento imobiliário.
A poupança contava com um saldo total de R$ 776 bilhões no fim de outubro, considerado mais que suficiente para dar conta da demanda por crédito. Mas essa situação pode mudar se o mercado imobiliário voltar a se aquecer.
Dupla garantia
Foi para suprir essas duas lacunas - dinheiro e prazo - que a letra imobiliária garantida foi criada. A LIG é um título emitido por instituições financeiras, assim como os CDBs e as outras siglas que eu menciono no começo desta matéria. Ou seja, o principal risco que você corre é o da instituição que emitiu os papéis.
A grande novidade da nova letra é que ela contará com uma garantia adicional. Em caso de problemas com o banco no qual você aplicou seu dinheiro, a LIG é garantida (por isso o nome) por uma carteira de financiamentos imobiliários que a instituição concedeu.
Essa carteira fica separada do patrimônio do banco que emitiu a LIG. Quer dizer, se a instituição financeira quebrar, os financiamentos que serviram de cobertura para a emissão dos papéis não vão se misturar com a massa falida e serão usados para pagar os investidores.
Além dessa dupla garantia, a letra conta com o apelo da isenção de imposto de renda tanto para pessoas físicas aqui no Brasil como para investidores estrangeiros. Outra novidade da LIG é a possibilidade de correção atrelada à variação cambial.
Sem liquidez e sem FGC
Mas quem estiver disposto a investir na LIG precisa abrir mão de um velho conceito: liquidez diária. Como o prazo mínimo de emissão da letra é de dois anos, não adianta bater na porta do banco para pedir o dinheiro de volta antes disso.
A nova letra imobiliária também não conta com outro atrativo que caiu no gosto do investidor brasileiro: a cobertura do fundo garantidor de créditos (FGC).
Pra que mais uma sigla?
Desde a criação até a regulamentação e o registro da LIG na B3 passaram-se mais de três anos. A primeira dúvida que surgiu foi sobre a real necessidade de mais um instrumento de captação para os bancos.
Afinal, já existem outros dois títulos disponíveis no mercado para o financiamento da casa própria: a letra de crédito imobiliária (LCI) e os certificados de recebíveis imobiliários (CRI).
Como ambos também contam com isenção de IR, por que alguém haveria de investir na LIG?
Falei com algumas pessoas do mercado a respeito, e eles me disseram que cada instrumento vai cumprir um papel específico.
Quando a LIG estiver consolidada, vai permitir com que os bancos consigam fazer emissões de prazos bem mais longos, algo que eles não conseguem nem com a LCI nem com o CRI, segundo me contou um executivo.
Isso porque a taxa de juros exigida pelos investidores para aplicar por um período tão longo hoje acaba inviabilizando o uso dos recursos para o financiamento imobiliário.
Mas a dupla garantia da LIG deve ajudar a reduzir essas taxas, além de ser uma fonte de recursos mais “casada” com o prazo dos empréstimos concedidos.
No melhor dos mundos, esse benefício pode se traduzir em juros menores para quem precisar tomar um financiamento para a compra da casa própria.
VISÃO DO GESTOR
As LCIs e LCAs realmente ajudam a economia? Gestora diz que renúncia de R$ 50 bilhões beneficia mais os bancões do que as empresas
1 de outubro de 2026 - 13:31TAG SUMMIT
Os FIDCs chegaram ao investidor comum: mercado de R$ 1 trilhão quer disputar espaço na carteira de renda fixa
29 de setembro de 2026 - 17:32CRÉDITO PRIVADO
Investidores abandonam fundos de crédito novamente; saídas já chegam a R$ 121 bilhões em 12 meses
28 de setembro de 2026 - 13:58Conteúdo Empiricus
Onde buscar oportunidades para ‘travar’ ganhos muito acima da inflação com a Selic a 13,75%?
27 de setembro de 2026 - 10:00Conteúdo Empiricus
Alerta na renda fixa: entenda como títulos com retornos de até IPCA + 11% ao ano correm o risco de ‘sumirem das prateleiras’ em breve
26 de setembro de 2026 - 9:00Conteúdo Empiricus
Perdeu o Tesouro IPCA+ 8%? Saiba que na renda fixa ‘premium’ ainda é possível buscar retornos reais de até 10,38% ao ano; veja os títulos
25 de setembro de 2026 - 11:00RENDA FIXA
Cadê as LCIs e LCAs que pagavam de 95% a 100% do CDI? Títulos isentos estão sumindo das prateleiras e oferecendo taxas menores
24 de setembro de 2026 - 6:02ESTRATÉGIA NA RENDA FIXA
É hora de comprar títulos prefixados no Tesouro Direto, diz XP; investimento deve bater o CDI nos próximos anos
23 de setembro de 2026 - 17:20PAGUE MENOS IMPOSTO
Reserva de emergência na bolsa de valores? Conheça os ETFs de renda fixa
23 de setembro de 2026 - 13:32CRÉDITO PRIVADO
3 títulos de renda fixa isentos de imposto de renda para comprar com a Selic em queda, segundo a Empiricus
22 de setembro de 2026 - 18:45DÚVIDA SOBRE ALÍQUOTA
Polêmica sobre imposto de renda de ETFs de renda fixa volta ao radar após XP suspender negociação de seis fundos de crédito
22 de setembro de 2026 - 8:38RENDA FIXA
Tesouro Direto também reagiu mal ao reajuste do Bolsa Família, mas reverteu movimento no fim do dia; veja como fecharam as taxas
17 de setembro de 2026 - 17:45SIMULAÇÃO
Renda fixa: quanto R$ 100 mil deixaram de render desde o início do ciclo de corte de juros?
17 de setembro de 2026 - 16:34INVESTIMENTO MAIS BARATO
Tesouro Direto e CDBs ficaram para trás: ‘ETFs são a melhor forma de investir em renda fixa’, defende sócio da Galapagos
16 de setembro de 2026 - 14:50RENDA FIXA
Fim da isenção de imposto de renda de LCIs, LCAs e outros títulos deve voltar à pauta em breve — e o motivo é esta conta bilionária
12 de setembro de 2026 - 10:03RENDA FIXA
Tesouro Direto: taxa do Tesouro IPCA+ cai para 7,5% e bate a mínima desde abril
11 de setembro de 2026 - 12:02CARTEIRA RECOMENDADA
CDI, prefixado ou IPCA+? Veja onde investir na renda fixa diante da expectativa de juros menores daqui para frente
10 de setembro de 2026 - 10:32SD EXPLICA
Tesouro IPCA+ 8%: o título com a maior taxa é realmente a melhor escolha no Tesouro Direto?
8 de setembro de 2026 - 19:05RENDA FIXA
Prefixado ou IPCA+: qual investimento de renda fixa tem mais a ganhar se as eleições derrubarem os juros?
8 de setembro de 2026 - 17:33DEVO, NÃO NEGO