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RENDA FIXA

Você aceitaria correr mais risco para ganhar menos? Crédito privado rende menos que o CDI no acumulado do ano

Estresse no mercado de renda fixa corporativa levou debêntures indexadas a juros a registrarem desempenho inferior ao CDI em 2026

Nota de 100 reais parcialmente queimada diante de um gráfico de mercado em queda ao fundo.
Montagem mostra uma nota de 100 reais em chamas diante de um gráfico financeiro em queda, sugerindo pressão sobre o mercado. Imagem gerada por IA. -

Quem investe em crédito privado, renda fixa corporativa como debêntures, CRIs e CRAs, normalmente aceita correr um pouco mais de risco em troca de uma remuneração superior à dos juros básicos da economia, o CDI.

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Em 2026, entretanto, essa conta não está fechando para alguns investidores.

Um levantamento da gestora Nexa Finance mostra que o índice da Anbima que acompanha debêntures indexadas ao CDI negociadas no mercado secundário, o IDA-Liq DI, acumulou um retorno equivalente a CDI menos 1,52% entre janeiro e setembro deste ano.

A questão é que esse resultado abaixo do CDI não reflete um alto risco de crédito (calote) propriamente dito, mas um risco de mercado.

O que significa estar abaixo do CDI

O retorno medido pelo índice da Anbima não reflete apenas a capacidade de pagamento das empresas.

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O IDA-Liq DI também captura as oscilações de preço desses títulos no mercado secundário. Ou seja, ele incorpora marcação a mercado no seu desempenho.

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E 2026 foi um ano de marcação a mercado forte nas debêntures. Esses papéis oscilaram bastante ao longo do ano, refletindo mudanças de percepção de risco e movimentos de oferta e demanda no mercado secundário.

Como taxas maiores reduzem o preço dos títulos negociados, quem acompanha a carteira diariamente vê o valor dos papéis cair, ainda que a empresa continue honrando seus compromissos normalmente.

Não significa necessariamente que os investidores receberam menos juros do que o previsto ou que houve uma onda de calotes no mercado.

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A questão é que as debêntures perderam valor nas negociações entre investidores no mercado secundário, afetando o retorno de quem precisou se desfazer da posição antes do vencimento — seja por medo de ver o preço no vermelho ou por necessidade de liquidez.

Perdeu quem vendeu

Para a Nexa Finance, o estresse registrado em abril é um bom exemplo dessa dinâmica.

Naquele momento, os fundos de crédito tiveram resgates líquidos de R$ 31,3 bilhões em apenas dois meses. Quem precisou resgatar recursos no período, o levantamento mostra que a queda dos preços teve impacto direto no retorno.

O IDA-Liq DI chegou a ficar 2,8 pontos percentuais abaixo do CDI no pior momento do fluxo de resgates.

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Isso significa que um investidor alocado em um portfólio equivalente ao do índice de debêntures ficou 2,8 pontos percentuais atrás de alguém que simplesmente ficou parado em um Tesouro Selic, por exemplo.

Parte dessa diferença foi recuperada à medida que o mercado voltou a se estabilizar. Mas, ainda assim, o saldo está -1,52% no negativo em relação a ativos que remuneram CDI "puro".

O ganho de quem fica

Para o investidor que aloca em crédito privado, a principal dificuldade está em conviver com essas oscilações sem transformar perdas temporárias em prejuízos definitivos.

Isso porque a perda registrada nesses episódios só se transforma em prejuízo para quem vende a debênture ou resgata o dinheiro do fundo de crédito no meio do turbilhão.

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Para quem permanece investido, a marcação a mercado é somente uma turbulência no meio do caminho.

O investidor que comprou uma debênture de um emissor considerado saudável e pretende carregá-la até o vencimento irá receber a taxa contratada sem perdas.

A principal preocupação continua sendo a capacidade de pagamento da empresa, e não necessariamente as oscilações de preço observadas ao longo do caminho.

Muitos investidores alocam olhando apenas para a taxa prometida pelos papéis, sem considerar que o crédito privado embute riscos que nem sempre aparecem de forma evidente.

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Mas em um mercado cada vez mais abastecido pelo fluxo de recursos de investidores em busca de alternativas dentro da renda fixa, a diferença entre risco de crédito e risco de mercado se torna cada vez mais importante.

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