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Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco) e “Abandonado” (Geração).
TEMPORADA DE BALANÇOS

Te cuida, Itaú? Santander atinge rentabilidade de 21,1% no quarto trimestre

Unidade brasileira do banco espanhol, comandada por Sérgio Rial, registrou lucro de R$ 12,4 bilhões em 2018, uma alta de 24,6% e novamente acima das expectativas do mercado

30 de janeiro de 2019
7:53 - atualizado às 13:33
Bancos Santander e Itaú: guerra na rentabilidade
Bancos Santander e Itaú: guerra na rentabilidade - Imagem: Montagem Andrei Morais / Estadão Conteúdo / Shutterstock

O Santander Brasil inaugurou na manhã de hoje a temporada de balanços dos grandes bancos mostrando a que veio. A instituição comandada por Sérgio Rial registrou lucro líquido de R$ 12,4 bilhões no ano passado, o que representa um aumento de 24,6% em relação a 2017.

O resultado do banco no ano ficou novamente acima das expectativas do mercado. A projeção média dos analistas apontava para um lucro de R$ 12,146 bilhões, de acordo com dados da Bloomberg.

Mas o que chamou a atenção mesmo foram os números do quarto trimestre. Com um lucro de R$ 3,4 bilhões, o Santander obteve uma rentabilidade de 21,1%. Trata-se de um feito e tanto se pensarmos que a taxa básica de juros (Selic) está em 6,5% ao ano.

Esse número também coloca o banco na briga com o Itaú Unibanco pelo posto de mais rentável do país entre os gigantes do varejo. No terceiro trimestre, o Itaú registrou retorno de 21,3%.

No ano como um todo, a rentabilidade do Santander ficou em 19,9%, um avanço de 3 pontos percentuais na comparação com 2017.

Agora é esperar para ver o que demais bancos vão "aprontar" em seus balanços. O Bradesco divulga os resultados amanhã (31), e o Itaú na próxima segunda-feira (4).

As operações no Brasil representaram 26% do lucro do Grupo Santander no mundo. Foi mais uma vez a unidade que mais contribuiu para o resultado da matriz.

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Crédito e margem

Enquanto os principais concorrentes ainda mantinham as torneiras do crédito fechadas, o Santander largou na frente. Isso explica a arrancada nos números do banco desde que Rial assumiu o comando, há três anos.

A carteira de financiamentos do banco atingiu R$ 305,2 bilhões, alta de 12% em relação a dezembro passado. É mais que o dobro que o crescimento do sistema financeiro, que ficou em 5,5% em 2018, de acordo com dados do Banco Central.

A margem financeira do banco, que inclui os resultados com crédito e tesouraria, aumentou 12,5% no ano passado, para R$ 42 bilhões.

Lucro sobe, ações caem

Então os investidores estão comemorando os números comprando as ações do Santander na bolsa, certo? Errado. As units (recibos de ações) do banco eram negociados em forte queda de quase 5% no início da tarde de hoje.

Apesar do lucro e da rentabilidade brilharem, outros números chamaram a atenção pelo lado negativo, segundo analistas.

Um deles foi o índice de inadimplência, que fechou 2018 em 3,1%. Trata-se de um aumento de 0,2 ponto percentual no trimestre, mas uma redução em relação aos 3,2% de 12 meses atrás.

As despesas com provisões para calotes também aumentaram e atingiram R$ 10,9 bilhões. O banco atribuiu os maiores gastos ao crescimento dos ativos.

Tarifas e despesas

As receitas com tarifas também ajudaram a engordar o lucro do Santander. Em 2018, elas somaram R$ 17,3 bilhões, um crescimento de 10,6%. Já as despesas cresceram 5,3% no ano, para R$ 20,2 bilhões - ou seja, acima da inflação.

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