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GUERRA DO DELIVERY

iFood processa Keeta sob acusação de espionagem empresarial e concorrência desleal

Segundo a empresa, mais de 30 consultorias teriam “assediado” cerca de 140 funcionários ao oferecer “conversas remuneradas” sobre o mercado de delivery

A Keeta é a marca internacional da gigante Meituan, líder no mercado de entregas na China
A Keeta é a marca internacional da gigante Meituan, líder no mercado de entregas na China - Imagem: Divulgação Keeta

Em mais um desdobramento da disputa judicial entre as plataformas de delivery, o iFood entrou com uma ação na Justiça de São Paulo contra a Keeta e sua controladora, a chinesa Meituan. A brasileira acusa as outras empresas do ramo de concorrência desleal motivada por espionagem empresarial.

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No processo, o iFood argumenta que, por intermédio de dezenas de empresas de consultoria, estrangeiras e brasileiras, a Keeta e sua controladora buscaram obter, "mediante remuneração expressiva", informações estratégicas, sensíveis e confidenciais sobre os negócios do iFood. Narra, na ação, que mais de 30 empresas de consultoria teriam "assediado" cerca de 140 funcionários da empresa, oferecendo "conversas remuneradas" sobre o mercado de delivery.

Procurada, a Keeta nega as acusações e afirma não ter sido notificada (leia mais abaixo).

Diz que a maioria dessas consultorias teria ligação com a China, e que as abordagens ocorreram durante a preparação da entrada da Keeta no mercado brasileiro. Alega, ainda, que teve acesso a documentos que evidenciam a ocorrência de reuniões remuneradas envolvendo um funcionário e que revelam pessoas com e-mails vinculados à Meituan.

O grupo brasileiro ainda argumenta, no processo, que oferecer remuneração a funcionários-chave de uma concorrente em troca de informações estratégicas sobre suas operações não é uma prática habitual de mercado, tratando-se de crime de concorrência desleal, previsto no artigo 195 da Lei de Propriedade Industrial (LPI).

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Pede, com isso, a condenação da Keeta por concorrência desleal e a indenização por danos morais no valor de R$ 1 milhão, além de danos materiais a serem calculados após a liquidação de eventual sentença.

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A Keeta disse que não contrata terceiros para abordar indivíduos em seu nome para os fins alegados pelo iFood. "A Keeta segue rigorosamente a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e possui políticas internas robustas e transparentes quanto ao uso de dados", diz.

A plataforma chinesa alega, ainda, que a Polícia Civil abriu uma investigação sobre alegações de ataques coordenados de espionagem contra a Keeta e restaurantes em Santos, após o lançamento da operação na cidade.

A Keeta diz ainda que pelo menos oito restaurantes locais foram abordados por indivíduos que se apresentavam como supostos funcionários da empresa, apresentando credenciais falsas, com o objetivo de obter dados dos estabelecimentos, incluindo pedidos aceitos e despachados, informações financeiras (métodos de pagamento dos consumidores, práticas de remuneração de entregadores, taxas de comissão e modelos de contratação), processos de integração e treinamento de restaurantes, cardápios, preferências dos consumidores e outros dados sensíveis.

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"A Keeta reitera seu total compromisso com um ambiente de concorrência livre e justa, baseado nas melhores práticas de mercado, e se coloca à disposição para cooperar com as autoridades sempre que necessário", conclui na nota.

Em nota, o iFood diz que continuará a identificar as empresas envolvidas para promover um ambiente ético e de respeito às leis no ecossistema de delivery brasileiro.

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