Menu
2019-08-30T09:13:40+00:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Entrevista

Queda recente da bolsa abriu oportunidade de compra para investidor, diz gestor da AZ Quest

Com R$ 19 bilhões em patrimônio, AZ Quest mantém a bolsa como principal aposta em seus fundos, afirma Alexandre Silverio, executivo-chefe de investimentos da gestora

30 de agosto de 2019
5:49 - atualizado às 9:13
Alexandre Silverio, executivo-chefe de investimentos da AZ Quest
Investidor de bolsa vem sofrendo de uma "síndrome de ansiedade", diz Alexandre Silverio Imagem: Divulgação

Quando questionado sobre seu estilo de gestão, Alexandre Silverio, executivo-chefe de investimentos da AZ Quest, costuma brincar e responder que é um “velho investor” – uma referência ao “value investing” do bilionário Warren Buffett.

Com uma longa estrada no mercado (mas longe de ser velho), Silverio é responsável pela gestão de R$ 19 bilhões em fundos da gestora fundada pelo ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros e que teve o controle vendido em 2015 para a italiana Azimut.

Estive na sede da AZ Quest na quarta-feira para saber qual a visão do experiente gestor sobre a queda recente da bolsa e a disparada do dólar para além do patamar de R$ 4,15. Voltamos a conversar rapidamente ontem por telefone para falar também sobre o resultado do PIB melhor que o esperado no segundo trimestre.

Mesmo com a recuperação desta quinta-feira, o Ibovespa ainda acumula uma baixa de 5% desde a máxima histórica alcançada no dia 10 de julho. Afinal, o ciclo de alta da bolsa está ameaçado?

Para Silverio, houve de fato uma piora recente no cenário externo em razão do acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Trata-se de um risco que precisa ser acompanhado de perto, mas que até agora não mudou as perspectivas favoráveis para a economia brasileira e, principalmente, as empresas listadas na B3.

"A bolsa segue como a nossa principal aposta", afirmou o gestor da AZ Quest, que considera a queda das últimas semanas como uma oportunidade de compra para quem ainda não tem exposição em renda variável.

Essa posição é baseada em duas principais frentes: a perspectiva de retomada da atividade econômica com a agenda de reformas e o novo ciclo de queda de juros, que deve incentivar a migração de recursos que hoje estão na renda fixa.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

"Síndrome de ansiedade"

Isso não significa que as ações vão disparar e a economia vai voltar a apresentar altas taxas de crescimento da noite para o dia. Aliás, o investidor de bolsa vem sofrendo do que Silverio chama de "síndrome de ansiedade".

Essa síndrome tem relação com a série de cenários binários que o país enfrenta desde 2016. Primeiro com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, depois com o risco de queda de Michel Temer e no ano passado com o processo eleitoral.

Ao longo do primeiro semestre, o mercado conviveu com outro evento binário: a aprovação ou não da reforma da Previdência. A expectativa era que cada um desses episódios fosse o gatilho para uma retomada da confiança e uma recuperação mais efetiva da economia, o que acabou não acontecendo.

Junto com a ansiedade do investidor local, o noticiário negativo relacionado ao Brasil – agravado nas últimas semanas com as queimadas na Amazônia – em nada contribui para atrair o estrangeiro, segundo o executivo da AZ Quest.

Alívio com PIB

Nesse contexto, a divulgação do resultado do PIB no segundo trimestre ajuda a melhorar o clima, o que explica parte da forte alta de 2,37% da bolsa ontem, segundo Silverio.

Para o gestor, além do crescimento da economia acima do esperado, os números trouxeram melhora em setores importantes. "Cadeias com ciclo longo, como a de construção civil, mostraram que estão vivas e começaram a reagir."

Apesar da surpresa positiva vir em boa hora, a AZ Quest não mudou a expectativa de expansão de 0,8% para a economia neste ano e de 2,5% para 2020.

Ajustes na carteira

A melhora no cenário externo também ajudou a puxar a bolsa no pregão de ontem, ainda que não haja uma indicação clara de que a guerra comercial esteja perto do fim.

O aumento na escalada das tensões entre Estados Unidos e China que chacoalhou os mercados nas últimas semanas levou a AZ Quest a fazer alguns "ajustes finos" na carteira, segundo Silverio.

Na bolsa, a preferência pelas empresas ligadas ao mercado doméstico continua. Mas a gestora aproveitou a queda das ações das produtoras de commodities para aumentar a exposição.

Já nos fundos multimercados, houve uma pequena redução em posições aplicadas na curva de juros. "O cenário deu uma piorada e a moeda andou, então era natural fazer algum ajuste", disse.

Sobre o câmbio, Silverio disse que tem evitado uma maior exposição nos fundos, com exceção de posições específicas para captar alguns exageros no mercado.

Mapa de riscos

E o que faria o "velho investor" mudar de posição em relação às boas perspectivas para o mercado de ações?

Para Silverio, o ciclo de alta da bolsa pode ser ameaçado no caso de uma escalada da guerra comercial que leve a uma freada brusca na economia global.

Por aqui, a síndrome de ansiedade também pode atrapalhar se as medidas da agenda liberal da equipe econômica demorarem muito a se traduzir em retomada da economia.

"O grande risco para a bolsa é que essa ansiedade vire desilusão", afirmou.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

Será que cai mais?

Selic em 5,0% ao ano? Na contramão do mercado, Itaú segue mais conservador

Segundo relatório da instituição, o banco seguirá observando os dados para a inflação e a taxa de câmbio do Banco Central para decidir por uma nova reavaliação

'impacto nulo'

Relator da reforma da Previdência apresenta novo parecer e acata apenas uma das 77 emendas

Emenda acatada retira do texto ponto que obrigava os servidores que entraram antes de 2003 a contribuírem por 35 anos, no caso dos homens, e 30 das mulheres, para ter direito à totalidade de gratificação por desempenho

Startup

Airbnb quer se hospedar na bolsa e anuncia planos para oferta de ações em 2020

Empresa que conecta usuários interessados em alugar apartamentos ou quartos por temporada com os proprietários foi avaliada em mais de US$ 30 bilhões

Negócio fechado

Superintendência do Cade aprova operação entre Allianz e Sul América Seguros

De acordo com informações do parecer, para a realização da operação, o negócio-alvo da Salic será transferido para a Sapi, que será adquirida pela Allianz Seguros e a Sasp será adquirida pela Allianz do Brasil Participações Ltda

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta quinta-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

Giro dos BCs

Banco da Inglaterra decide manter taxa básica de juros em 0,75% ao ano

Inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI), que desacelerou para 1,7% anual em agosto, deve permanecer ligeiramente abaixo da meta de 2% no curto prazo, espera o BoE

Day after

Ibovespa sobe aos 105 mil pontos após decisões do Copom e do Fed; dólar avança

O Ibovespa reage positivamente às indicações do Copom, chegando a tocar o nível dos 106 mil pontos na máxima. O dólar à vista, por outro lado, segue pressionado e é negociado a R$ 4,14

Novidade na área

Toyota anuncia investimento de R$ 1 bi em fábrica de SP para produzir novo carro

Na unidade já são produzidos os modelos Etios e Yaris. Detalhes sobre o novo carro e a data de lançamento não foram divulgados

Tudo que vai mexer com seu dinheiro hoje

E a Magalu? Quem pegou, pegou, pegou…

Se tem uma empresa que fez a alegria dos seus investidores nos últimos anos foi o Magazine Luiza. Em 2015, o valor de mercado da varejista foi abaixo de R$ 200 milhões, um valor pífio comparado ao atual, acima de R$ 50 bilhões. Quem comprou os papéis do Magalu teve bons motivos para sorrir. Também se […]

Crise no Oriente Médio

Arábia Saudita procura importar petróleo para manter exportações, dizem fontes

De acordo com fontes, o país também consultou o Iraque sobre o possível fornecimento de até 20 milhões de barris de petróleo bruto para manter suas refinarias abastecidas

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements