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O dólar à vista teve mais uma sessão em queda firme. Acompanhando a tendência dos mercados de câmbio no mundo, a moeda americana ficou abaixo dos R$ 3,90 pela primeira vez em mais de um mês
O cenário político local têm dominado as atenções dos mercados domésticos nas últimas semanas. Mas, ao menos na sessão desta segunda-feira (3), o exterior foi o protagonista — e trouxe mais uma forte onda de alívio ao dólar à vista, derrubando a moeda americana aos menores níveis em mais de um mês.
Uma combinação entre dados mais fracos da economia americana, incertezas relacionadas à guerra comercial e perspectiva de corte de juros nos Estados Unidos fez o dólar cair em relação a quase todas as divisas globais. E, por aqui, o tom não foi diferente.
O dólar à vista terminou o dia em queda de 0,96%, a R$ 3,8878 — é a primeira vez desde 15 de abril que a moeda americana fecha uma sessão abaixo da marca de R$ 3,90. Na mínima, chegou a tocar os R$ 3,8835 (-1,07%).
Já o Ibovespa teve uma segunda-feira instável, oscilando entre os campos positivo e negativo ao longo do pregão. E isso porque o front político doméstico continua trazendo otimismo aos agentes financeiros e servindo de contraponto à cautela no exterior.
Nesse contexto, o principal índice da bolsa brasileira fechou o dia em leve queda de 0,01%, aos 97.020,48 pontos — o Ibovespa variou entre os 96.429,88 pontos (-0,75%) e os 97.756,75 pontos (+0,62%).
Lá fora, os mercados tiveram mais um dia de pressão. O pano de fundo continua o mesmo no exterior, com a guerra comercial dominando as atenções — e o noticiário não foi exatamente animador nesta segunda-feira.
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O governo da China divulgou um comunicado neste domingo em que sinaliza maior disposição para retomar o diálogo com os EUA. Mas, por outro lado, Pequim não deixa claro quais serão os próximos passos e responsabiliza os norte-americanos pela guerra comercial.
Além disso, dados mais fracos da economia americana também contribuíram para trazer apreensão aos mercados externos. O PMI industrial dos Estados Unidos caiu de 52,6 pontos em abril para 50,5 pontos em maio, o menor nível desde setembro de 2009.
Esse contexto de incerteza no front comercial e dúvida quanto ao estado da economia americana já fazia o dólar perder força ante as principais divisas do mundo. Mas, no início da tarde, declarações do presidente do Federal Reserve (Fed) de St. Louis, James Bullard, aprofundaram ainda mais esse movimento.
Em evento em Chicago, Bullard mostrou-se preocupado com a dinâmica da economia dos Estados Unidos, afirmando que um ajuste negativo na política monetária do país poderá ser concedido "em breve", de modo a recolocar a inflação no centro das expectativas e mitigar os efeitos de uma eventual desaceleração econômica mais intensa que a projetada no momento.
As falas do dirigente fizeram o dólar ampliar as perdas. A moeda americana perdeu terreno tanto em relação às divisas fortes quanto às de países emergentes, como o rublo russo, o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno — e o real seguiu o embalo.
A exceção no mercado de câmbio ficou com o peso mexicano, que ainda reflete a apreensão global quanto às taxas de importação anunciadas pelo governo Trump na semana passada. O dólar ganhou força ante a moeda do México, apesar de os governos dos dois países terem iniciado conversas sobre tarifas e imigração.
Entre as bolsas americanas, o Dow Jones fechou em leve alta de 0,02%, enquanto o S&P 500 teve baixa de 0,28%. Já o Nasdaq destoou dos outros mercados, registrando forte perda de 1,61%.
O desempenho particularmente ruim do Nasdaq possui explicação. O índice, que concentra ações de empresas de tecnologia, foi afetado pelas fortes quedas de papéis como Facebook (-7,51%) e Alphabet (-6,11%), em meio às notícias de que autoridades antitruste dos Estados Unidos estariam conduzindo investigações sobre as empresas.
No front doméstico, o cenário político continuou concentrando as atenções dos mercados. Há a expectativa de que o Senado vote ainda nesta segunda-feira a Medida Provisória (MP) que inibe as fraudes nos benefícios previdenciários — o texto precisa ser discutido hoje, ou perderá a validade.
A percepção de que o relacionamento entre o governo e o Congresso continua bastante alinhado — o que se reflete no andamento de MPs importantes para a gestão Bolsonaro — aumenta a confiança dos mercados em relação à tramitação da reforma da Previdência.
Assim, o otimismo dos agentes financeiros quanto ao cenário doméstico contribui para dar sustentação aos ativos locais — tirando pressão do dólar e evitando que o Ibovespa ceda a um movimento de correção mais intenso, apesar dos ganhos acumulados ao longo das últimas semanas.
"Segue o bom humor [do mercado] com o andamento da Previdência", diz Pablo Spyer, diretor da corretora Mirae Asset. "Todos continuam confiantes de que teremos uma reforma ampla, e não uma 'reforminha'".
As curvas de juros acompanharam o comportamento do dólar e tiveram mais um dia de alívio. Na ponta curta, os DIs com vencimento em janeiro de 2021 caíram de 6,49% para 6,44%; na longa, os DIs pra janeiro de 2023 recuaram de 7,56% para 7,41%, enquanto os para janeiro de 2025 foram de 8,16% para 7,99%.
Também contribui para o ajuste negativo nos juros a fraqueza da economia brasileira. A projeção de crescimento do PIB em 2019 do boletim Focus foi novamente reduzida, de 1,23% na semana passada para 1,13% nesta segunda-feira — é a 14ª baixa seguida. Nesse cenário, crescem as apostas do mercado quanto a um eventual corte na Selic pelo Banco Central.
A saga da Via Varejo tem um dia crucial, com os acionistas decidindo a respeito do fim da "poison pill" — uma cláusula do estatuto que, se extinta, poderá facilitar a venda da companhia. E a expectativa em relação à decisão, somada aos rumores quanto aos possíveis compradores da dona das Casas Bahia e do Ponto Frio, colocaram as ações da empresa no campo positivo.
Os papéis ON da Via Varejo (VVAR3) operavam em alta de 5,53%, liderando os ganhos do Ibovespa nesta segunda-feira.
As ações da Petrobras também apareceram entre os destaques positivos do índice, apesar de o petróleo ter encerrado a sessão em queda — o Brent recuou 1,15%, enquanto o WTI teve perda de 0,47%.
Por aqui, o presidente Jair Bolsonaro presidente da República voltou a dizer que não vai interferir nas decisões da estatal sobre o preço de combustíveis. Além disso, a Petrobras iniciou a etapa de divulgação das oportunidades (o chamado teaser) referentes à cessão da totalidade de suas participações em dois conjuntos de concessões terrestres.
Nesse contexto, as ações ON da Petrobras (PETR3) subiram 2,20%, enquanto as PNs (PETR4) avançaram 1,72%.
Papéis mais ligados ao mercado chinês — e, assim, mais sujeitos às idas e vindas da guerra comercial —, as mineradoras e siderúrgicas tiveram um dia negativo. As ações desse setor ainda foram pressionadas pela baixa de 2,44% no minério de ferro na China.
Os papéis ON da Vale (VALE3), por exemplo, caíram 0,35%. CSN ON (CSNA3), por sua vez, teve queda de 2,78% e Usiminas PNA (USIM5) recuou 2,44%.
A notícia de que as exportações de carne bovina do Brasil para a China foram suspensas trouxe apreensão aos mercados e afetou negativamente as ações dos frigoríficos, como JBS, Marfrig e BRF.
A medida foi tomada após a morte de um animal no estado do Mato Grosso, em função de um caso atípico do chamado "mal da vaca louca". A suspensão no comércio de carne bovina levantou o temor de que as exportações de carne de porco à China também poderiam ser afetadas.
Vale lembrar que as ações dos frigoríficos vêm em forte tendência positiva, em meio à expectativa de aumento na demanda por produtos de origem suína por parte do mercado chinês — os rebanhos do país asiático estão sendo afetados por um surto de febre suína.
Nesse contexto, os papéis ON da JBS (JBSS3) fecharam em queda de 2,93%, enquanto BRF ON (BRFS3) e Marfrig ON (MRFG3) tiveram baixas de 0,36% e 4,25%, respectivamente.
Contudo, o ministério da Agricultura ressalta que a suspensão se deve a um protocolo assinado pelos dois países e tem caráter temporário. Em resposta aos questionamentos do Seu Dinheiro, a pasta afirma que não há risco sanitário envolvendo a produção brasileira, e que as exportações devem ser normalizadas "em breve".
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