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Carina Brito

Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP) com pós-graduação em Marketing e Mídias Digitais pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Trabalhou como repórter da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios e já escreveu para Valor Econômico, Revista Galileu e UOL. Hoje é editora de PMEs do Seu Dinheiro.

SISTEMA UNIFICADO

NFS-e em padrão nacional: o que é e como funciona a nota fiscal de serviços obrigatória em 2026

Documento unifica os modelos municipais, padroniza informações fiscais e cria a base tecnológica para o IBS e a CBS previstos na Reforma Tributária

Carina Brito
20 de janeiro de 2026
13:51 - atualizado às 12:27
A emissão da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e) em padrão nacional é obrigatória -

Desde o início de 2026, a emissão da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e) em padrão nacional passou a integrar a rotina de municípios e prestadores de serviços em todo o país.

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A mudança, prevista na Lei Complementar nº 214/2025, encerra a multiplicidade de modelos municipais e estabelece um sistema unificado, considerado um dos pilares da Reforma Tributária sobre o consumo.

A padronização cria um layout único de nota fiscal de serviços, com dados compartilhados em um ambiente nacional, e prepara a infraestrutura necessária para a apuração dos novos tributos — o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

Mesmo após a entrada em vigor da regra, o tema ainda gera dúvidas entre empresas e administrações municipais.

O que é a NFS-e no padrão nacional?

A Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e) é o documento fiscal digital utilizado para registrar operações de prestação de serviços.

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Até o ano passado, cada um dos 5.570 municípios brasileiros podia adotar seu próprio modelo de nota fiscal, com sistemas, layouts e exigências distintas.

Com a nova legislação, esse cenário muda. A NFS-e passa a seguir um padrão nacional único, que substitui os modelos municipais e centraliza as informações em um ambiente nacional de dados, assegurando maior uniformidade, integração e disponibilidade das informações fiscais.

A relação da NFS-e com a Reforma Tributária

A implementação da NFS-e padronizada está diretamente ligada à Reforma Tributária sobre o consumo. O artigo 62 da Lei Complementar nº 214/2025 determina que União, estados, Distrito Federal e municípios adaptem seus sistemas fiscais para permitir a correta apuração do IBS e da CBS.

Para isso, o novo layout da NFS-e inclui campos específicos para o registro dessas informações, permitindo que os dados sejam compartilhados com o Comitê Gestor do IBS e com as administrações tributárias dos diferentes entes federativos.

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O objetivo é garantir uma apuração uniforme dos tributos em todo o território nacional.

O que muda para os municípios

Os municípios e o Distrito Federal estão obrigados a autorizar seus contribuintes a emitir a NFS-e em padrão nacional. Isso pode ocorrer de duas formas:

Além da emissão da NFS-e, os entes municipais também devem compartilhar outras modalidades de declarações eletrônicas relacionadas à prestação de serviços, conforme regras definidas em regulamento.

A legislação prevê consequências para o descumprimento dessas obrigações. O não atendimento às regras de padronização e compartilhamento pode resultar na suspensão temporária das transferências voluntárias da União, além de comprometer a participação plena do município na arrecadação do IBS.

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Como funciona o ambiente nacional da NFS-e

O ambiente de dados nacional da NFS-e funciona como um repositório central, responsável por assegurar a integridade e a disponibilidade das informações constantes nos documentos fiscais eletrônicos.

Após a recepção, validação e autorização das notas, os dados são compartilhados com a União, estados, Distrito Federal e municípios.

O padrão técnico e o layout da NFS-e são definidos em convênio entre as administrações tributárias e desenvolvidos sob a gestão do Comitê Gestor da Nota Fiscal de Serviços Eletrônica de padrão nacional (CGNFS-e).

A legislação também permite que o Comitê Gestor do IBS e a Receita Federal definam soluções alternativas à plataforma nacional, desde que respeitado o layout padronizado.

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Impactos para empresas prestadoras de serviços

Para as empresas, especialmente aquelas que atuam em diferentes municípios, a principal mudança está na simplificação do processo de emissão.

Com um único padrão de nota fiscal, o sistema reduz a complexidade operacional, diminui erros decorrentes de regras locais distintas e facilita a integração com o Fisco.

Como fica a NFS-e para o MEI?

No caso do microempreendedor individual (MEI), a adoção do padrão nacional não é uma novidade.

Desde setembro de 2023, os MEIs prestadores de serviço já são obrigados a emitir a NFS-e por meio do sistema nacional, conforme estabelece a Resolução nº 169/2022 do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN).

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O MEI deve emitir Nota Fiscal de Prestação de Serviços quando o tomador for pessoa jurídica. Já nas operações com pessoa física, a emissão da nota fiscal continua dispensada.

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