Carnaval como negócio: das tiaras aos leques, festa vira oportunidade de renda extra; veja como se preparar para faturar na data
Empreendedores que têm empregos fixos contam como aproveitam o período de folia para faturar mais; veja dicas para ter uma renda extra no Carnaval ano que vem

O Carnaval sempre ocupou um espaço central na vida de Iwana Raydan, hoje com 32 anos. Desde criança, ela criava as próprias fantasias como forma de demonstrar sua criatividade. Anos depois, já formada em design de produto e com carreira consolidada na indústria da moda, decidiu transformar o hobby em negócio.
Assim nasceu, em 2019, a Podre de Chic, marca de acessórios carnavalescos que funciona como renda extra para a empreendedora e para a sua sócia Viviane Tiezzi. Os preços dos produtos, que incluem tiaras, brincos e luvas variam de R$ 99,90 a R$ 249,90. As tiragens são de até 50 unidades por modelo.
“Prefiro apostar em mais modelos, mesmo que em quantidades menores, para que a marca continue com o aspecto autoral”, diz a empreendedora.
Carnaval é festa que gera negócio
Considerada a maior festa popular do país, o Carnaval movimenta bilhões e vira um empurrão e tanto para negócios de vários setores.
Para 2026, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que a folia deve gerar R$ 14,48 bilhões em receitas em todo o Brasil — um avanço de 3,9% em relação ao ano passado.
Bares e restaurantes devem puxar a fila, com R$ 5,7 bilhões, seguidos pelo transporte rodoviário e aéreo (R$ 3,7 bilhões) e pela hospedagem em hotéis e pousadas (R$ 1,4 bilhão).
Leia Também
Do mercado financeiro ao Buddha Spa: o empreendedor que agora tem a Smart Fit como sócia por R$ 32 milhões
Como os restaurantes podem transformar o Dia das Crianças em oportunidade de vendas e fidelização
Nesse clima de alta, muitos empreendedores aproveitam a festa para tirar planos do papel, montar negócios paralelos e reforçar a renda — como fez Raydan.
Da fantasia ao negócio
A ideia da Podre de Chic surgiu de forma espontânea. “As pessoas sempre perguntavam onde eu tinha comprado os acessórios que eu usava no Carnaval. Foi ali que percebi que existia um mercado em potencial.”
Com passagens por marcas como Arezzo, Riachuelo e Shoestock, Raydan conhecia a lógica de planejamento do varejo. Observou, porém, que o Carnaval não ocupava espaço estruturado no calendário das grandes empresas.
“As grandes marcas trabalham com muita antecedência, volumes altos e produtos importados, principalmente da China, o que torna o planejamento de uma coleção de Carnaval arriscado.”
Para ela, esse contexto abria espaço para operações menores. A expectativa inicial era vender cerca de 50 acessórios no primeiro ano da Podre de Chic, mas o resultado superou 300 unidades. No ano seguinte, com organização antecipada, o volume dobrou.
Estrutura enxuta e planejamento anual
Desde o início, a marca foi estruturada como projeto paralelo. Atualmente, Raydan atua como PJ desenvolvendo calçados, enquanto Tiezzi está no regime CLT — configuração que já se inverteu em outros momentos, conforme as necessidades de cada uma.
“Meu desejo é que um dia o negócio seja minha única e principal fonte de renda”, diz a empreendedora.
Em 2025, a mãe de Raydan, artesã e aposentada, tornou-se sócia. O ateliê funciona em Ipatinga (MG), cidade natal da empreendedora, e concentra a produção.
“Ela tem estrutura, máquinas e experiência, o que nos permite absorver a produção internamente e me dedicar mais à parte administrativa.”
A proximidade com a produção garante agilidade. Quando um item vende acima do esperado, é possível ajustar rapidamente para atender o público.
Leques personalizados ganham espaço
O empreendedor carioca Marcos Cabral Resende, de 52 anos, também viu no Carnaval uma oportunidade de ampliar a renda. O produto escolhido acompanha uma tendência crescente nos blocos de rua e grandes eventos: os leques.
Frequentador de festivais, ele já utilizava o acessório e incentivava amigos a combiná-lo em ocasiões como o Rock in Rio, em 2019. A partir dali, decidiu estruturar a Amo Leque, marca que comercializa modelos personalizados.
“Sou responsável pela criação das estampas e encomendo a produção a um fornecedor no Rio de Janeiro”, diz.

Paralelamente, o empreendedor atua como gerente de projetos na área de tecnologia da informação, prestando serviços na implantação de sistemas. O trabalho em home office permite dedicar as noites ao negócio.
Desde 2022, já foram vendidas cerca de 7 mil unidades do leque. Os preços variam entre R$ 60 e R$ 75, conforme a estampa.
Mesmo com o aumento da concorrência, Resende evita reajustes no preço que afastem os clientes. Ele observa que o mercado popular oferece alternativas mais baratas, ainda que com qualidade mais baixa, e que parte do público busca itens considerados descartáveis para blocos de rua.
A sua estratégia é apostar em diferenciação. “Tenho um nicho bem definido porque trabalho com estampas exclusivas que não encontram em outras lojas. O que eu vendo, só eu vendo.”
Como se preparar desde já para faturar no próximo Carnaval?
Para quem deseja aproveitar o potencial bilionário da festa no ano que vem, o planejamento precisa começar cedo.
Elaine Satomi, consultora de negócios do Sebrae-SP, destaca que o Carnaval favorece iniciativas criativas, ágeis e de baixo investimento inicial — especialmente para quem busca renda extra paralelamente a outra atividade profissional.
Aposte em produtos visualmente atrativos
O Carnaval é, antes de tudo, uma vitrine. Produtos com forte apelo visual tendem a ganhar destaque nas redes sociais e nos blocos de rua. A venda digital antecipada, por meio de lojas online, pode ampliar o alcance de acessórios e fantasias.
Produzir peças autorais — como tiaras e outros acessórios — no tempo livre é uma alternativa para quem deseja começar com estrutura enxuta. A customização de abadás também é uma oportunidade, sobretudo para consumidores que não têm habilidade manual.
Outra possibilidade é o upcycling: transformar roupas antigas em peças novas, com apelo sustentável e criativo, característica valorizada por parte do público.
Pense em soluções práticas — não apenas temáticas
Nem tudo precisa ser fantasioso. Produtos que facilitem a rotina durante a folia também têm espaço.
Itens práticos, como dispositivos que auxiliam mulheres a utilizarem banheiros químicos em pé, são exemplos de soluções funcionais que podem agradar pessoas que vão para blocos de rua.
Outros itens que atraem foliões são pochetes, capas de chuva e bolsas impermeáveis para proteger o celular da chuva.
Atenção à alimentação e às regras
Alimentos e bebidas rápidos e leves também encontram demanda no período. Produtos práticos, como bolo de pote armazenado em isopores refrigerados, podem ser alternativas — desde que o empreendedor esteja atento às exigências da vigilância sanitária e às autorizações da prefeitura para funcionamento de bancas ou carros de venda.
Cumprir a legislação é parte essencial do planejamento e evita prejuízos.
BRIGA DOS MARKETPLACES
E-commerce tradicional ficou para trás? TikTok Shop explica a aposta que já gerou alta de até 460% em vendas para PMEs
30 de setembro de 2026 - 14:35RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS
Desenrola MEI ganha nova opção para dívidas de até R$ 8,1 mil; confira as condições
30 de setembro de 2026 - 10:02ATENÇÃO AO PRAZO
Simples Nacional 2027: prazo para adesão é prorrogado; veja a nova data
29 de setembro de 2026 - 13:18MERCADO PET
Ela começou a cozinhar para o próprio cachorro e criou negócio de bolos de aniversário e ração personalizada para cães
29 de setembro de 2026 - 12:24EXPORTAÇÃO DE PME
Shopee lança ferramenta para empresas brasileiras entregarem em outros dois países da América Latina
29 de setembro de 2026 - 9:45O HYPE DO WELLNESS
SkyFit bate de frente com Smart Fit (SMFT3) e aposta em estúdios para alcançar faturamento de R$ 1 bilhão
29 de setembro de 2026 - 6:02EMPRESAS TIVERAM QUE SE REINVENTAR
Academias desafiam juros e concorrência: como 62% do setor driblou o cenário conturbado e aumentou as margens de lucro?
25 de setembro de 2026 - 18:15NOVIDADES PARA PME
Mercado Livre bate de frente com iFood, Rappi e 99Compras e libera entregas em até 1 hora. Como funciona para o vendedor?
24 de setembro de 2026 - 18:15DE OLHO NO CALENDÁRIO
Falta uma semana para o fim do prazo do Simples Nacional. Qual é o passo a passo para entrar no regime?
23 de setembro de 2026 - 19:02ATÉ O PET FITNESS
Marca de suplementos para pets aposta em ‘Mounjaro para cachorro’ para alcançar receita de R$ 1 bilhão até 2029
22 de setembro de 2026 - 12:15HORA DE SE PREPARAR
Black Friday começa mais de um mês antes para 50% dos brasileiros. Entenda como lucrar mais com seu negócio
21 de setembro de 2026 - 18:31APLICATIVOS FITNESS
Academias podem aumentar lucro em 32% com o Wellhub, diz pesquisa. Como fica a canibalização de alunos?
18 de setembro de 2026 - 14:42SETOR DE RESTAURANTE
Dono de hamburgueria foi na contramão do delivery e aumentou o faturamento em 147% com 3 estratégias; veja quais
17 de setembro de 2026 - 18:58USO SEM ESTRESSE
IA parece complicada para pequenos negócios? Entenda como começar aos poucos e ganhar produtividade
17 de setembro de 2026 - 15:58MERCADO DE TRABALHO É OUTRO
O luxo do brasileiro virou ser dono do próprio tempo — e isso impulsiona o empreendedorismo
16 de setembro de 2026 - 15:58DELIVERY
iFood vai investir R$ 24 bilhões para fortalecer restaurantes, tecnologia e novas categorias no aplicativo
16 de setembro de 2026 - 10:14MERCADO AUTOMOTIVO
Os golpes e prejuízos na venda de carros usados inspiraram a criação desta rede de franquias de R$ 600 milhões
16 de setembro de 2026 - 9:14CONCORRÊNCIA DE PESO
Smart Fit (SMFT3) perde terreno? Panobianco dispara na abertura de academias no Brasil, diz Citi
15 de setembro de 2026 - 10:32E-COMMERCE
Mercado Livre, Amazon, Shopee e TikTok Shop: os marketplaces valem a pena para pequenos e médios negócios?
15 de setembro de 2026 - 6:06FLEXIBILIDADE NO TRAJETO