Ela investiu R$ 100 para construir um negócio de roupas online que deve faturar R$ 30 milhões neste ano
A empresa já chegou a ter um prejuízo de R$ 1 milhão causado por uma enchente e agora planeja a internacionalização das vendas

Sete em cada 10 empreendedoras no Brasil começam o próprio negócio após a maternidade, segundo dados da Rede Mulher Empreendedora (RME). Uma delas é Ednilva Oliveira, que decidiu começar a vender produtos fabricados por ela mesma, em casa, 18 anos atrás.
Ela trabalhava em uma empresa de confecções de roupas como costureira quando engravidou e precisou sair do emprego após o nascimento do filho. A abertura de um empreendimento foi a saída que a empreendedora, mais conhecida como Nika, encontrou para conciliar a rotina de cuidados de um bebê e o sustento da família.
Hoje, a empresária está à frente da Nika Baby, uma marca de roupas infantis que cresceu no e-commerce e projeta faturar R$ 30 milhões em 2026. Em 2025, a receita foi de R$ 25 milhões com vendas online.
A empresa tem fabricação própria e, ao longo dos anos de operação, chegou a ter que recomeçar do zero. Agora, a empreendedora já mira as vendas para fora do Brasil.
Tudo começou na cozinha de casa
Em entrevista ao Seu Dinheiro, Ednilva Oliveira conta que abriu um negócio pensando em ter uma renda maior. Inspirada pela maternidade, começou a confeccionar roupas de bebê.
No início, a operação era totalmente caseira. Oliveira tinha uma máquina de costura em casa que usava antes para ajustes e criações de roupas pessoais, mas que virou ferramenta de trabalho com a abertura da Nika Baby.
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O investimento para começar a fazer as primeiras peças de bebê foi cerca de R$ 100, de acordo com a empreendedora, e foi usado para comprar uma boa tesoura e pedaços de tecidos.
“Cortava os tecidos na mesa da minha cozinha, costurava em uma máquina que eu tinha e comecei vendendo assim.”
Atualmente, a companhia vende macacões, kits de saída de maternidade, vestidos, conjuntos de inverno e verão, bodies e toucas — todos para bebês. Os preços variam entre R$ 39,90 e R$ 169,50.
Das vendas locais para um ‘pré-e-commerce’
Oliveira mora em Socorro, uma cidade de ecoturismo no interior de São Paulo, já bem próxima de Minas Gerais e, no início, as vendas eram bastante focadas nos moradores da região.
A empreendedora também se deslocava para cidades vizinhas para realizar vendas e entregas, como Lindóia, Serra Negra, Monte Alegre do Sul e Pinhalzinho.
No entanto, a população reduzida nos municípios acabava limitando as vendas — a cidade de Socorro tem pouco mais de 40 mil habitantes, assim como outras ao redor.
O que mudou o jogo do negócio, na visão de Oliveira, foi a divulgação online. Na época, ainda não existiam muitas noções de e-commerce consolidadas como atualmente. Mas tinha o Facebook.
“Eu fazia e-commerce sem nem saber. Comecei a vender no Facebook, e o pessoal da capital de São Paulo começou a comprar. Eu viajava até as estações de metrô para entregar para as mães”, relembra.
Nos primeiros sete anos do negócio, a Nika Baby era uma iniciativa informal da empreendedora. Foi só em 2015 que ela formalizou a empresa e passou a focar na expansão.
Tudo dando certo até dar errado
Com o crescimento das vendas, Oliveira passou a comprar mais maquinário, contratar pessoas para ajudar na fabricação das peças e se profissionalizou.
Além das vendas no Facebook, a marca foi impulsionada pela chegada de plataformas asiáticas no Brasil, como a Shopee, e o fortalecimento de outras redes de marketplace, como o Mercado Livre.
Com a pandemia de coronavírus, em 2020, a marca Nika Baby se cadastrou nesses sites e passou a vender em diferentes aplicativos. O “boom” do e-commerce no período levou a companhia a crescer de cinco funcionárias no início do ano para uma equipe de 100 pessoas em 2021.
“De lá para cá passei a crescer muito. Cerca de 25% ao ano.”
A empresa estava naquela fase da vida em que tudo parece ir bem, até que surge algum problema como prova de fogo.
No início de 2023, a cidade de Socorro teve o maior índice de chuvas para um único dia em 23 anos, o que gerou uma série de danos para os moradores da região: bloqueio de estradas, desmoronamentos e inundações.
“Atingiu bem a parte que tínhamos o galpão instalado. Tivemos perda total de maquinário, matéria-prima e produto pronto para as entregas. Ali eu olhei e pensei que acordaria sem mais nada, não teria como recomeçar”, diz Oliveira.
O prejuízo estimado pela empresa chegou a R$ 1 milhão.
Porém, a empreendedora relembra que recebeu apoio dos moradores da região para reerguer o negócio.
Apesar de as pessoas não terem recurso financeiro para ajudar a marca, o auxílio à Nika Baby apareceu com a limpeza do galpão, reorganização do que ainda poderia ser usado e empréstimos de máquinas de costura para retomar a produção.
“Muitas pessoas que não trabalhavam acabaram me ajudando de maneira voluntária. Vendemos um caminhão que a empresa tinha e recomeçamos do zero.”
Para ela, a estrutura de e-commerce foi fundamental para que a companhia pudesse sobreviver à perda. Depois de cinco dias da tragédia, Oliveira diz que já conseguiu retomar algumas entregas nas plataformas.
O que esperar da empresa daqui para frente
Levou algum tempo para a marca se recuperar, mas os números da operação atualmente mostram que o cenário já não é mais de uma empresa que perdeu tudo para uma enchente.
No ano passado, a empresa faturou cerca de R$ 25 milhões no e-commerce. Hoje, está presente em marketplaces como TikTok Shop, Mercado Livre, Shopee, Shein e Temu.
A companhia também tem iniciativas sociais na cidade de Socorro, como o projeto gratuito Tecendo Futuros, que recebe jovens de 16 a 25 anos para aprender a fabricar produtos e vender online como forma de geração de renda.
O impacto gerado pela Nika Baby levou a fundadora a receber o prêmio de Mulher do Ano pela Shopee, em um evento realizado em São Paulo na última terça-feira (18). A premiação avaliava empreendedoras da plataforma que tinham negócios com engajamento social.
Daqui para frente, Oliveira acredita que a marca pode alcançar R$ 30 milhões em faturamento neste ano e superar as fronteiras do país. “Estou estruturando um plano para vender internacionalmente. Ainda estou vendo detalhes, mas esse é meu novo objetivo”, afirmou.
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