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Com R$ 117 bilhões em títulos para vencer, empresas devem vir a mercado para tentar novas emissões, a taxas ainda atraentes para o investidor
A taxa Selic vai cair, mas não o suficiente para os títulos de renda fixa deixarem de pagar juros atrativos neste primeiro momento. Enquanto os juros básicos não apresentarem uma trajetória de queda consistente, a tendência de manter o dinheiro nos títulos públicos e crédito privado deve permanecer como a estratégia dominante.
Essa é a análise da agência de classificação de risco Moody’s Local. Em relatório desta quinta-feira (12), os analistas afirmam que os investidores seguem em busca de segurança e rentabilidade atrativa em detrimento de opções de maior risco, como as ações e fundos multimercados.
Os números de captação refletem essa preferência clara.
Os fundos de renda fixa registraram uma entrada líquida de R$ 84 bilhões ao longo de 2025. Em contrapartida, as classes de ativos mais voláteis, como fundos de ações e multimercados, sofreram resgates de R$ 54 bilhões e R$ 59 bilhões, respectivamente.
De acordo com a Moody’s, o custo de oportunidade de estar fora da renda fixa ainda é muito alto. Na prática, o investidor pessoa física abriria mão de uma rentabilidade alta e mais garantida do que a da renda variável.
Esse comportamento só deve mudar quando os juros caírem significativamente — leia-se: deixar de pagar pelo menos 1% ao mês com baixo risco.
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A renda fixa brasileira atingiu um novo marco histórico em 2025 ao somar R$ 738 bilhões em volume total de emissões, segundo a Moody’s. As debêntures mantiveram a liderança absoluta nas emissões de empresas, representando 67% de tudo o que foi captado no ano.
Um dos motores desse crescimento foi a movimentação em torno da Medida Provisória nº 1.303/2025, que determinava a cobrança de imposto de renda sobre a rentabilidade dos ativos que, até então, eram isentos (LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas).
Embora a medida tenha perdido valor e não haja qualquer mudança prevista na tributação dos isentos em 2026, o mercado reagiu antecipadamente ao risco regulatório.
Muitas companhias do setor de infraestrutura apressaram suas emissões de debêntures incentivadas para garantir a isenção de IR, o que intensificou as captações no ano passado e trouxe para o mercado papéis com prazos de vencimento mais longos.
Ainda assim, o volume esperado para o primeiro semestre de 2026 é significativo.
De acordo com a Moody’s, cerca de R$ 117 bilhões em dívidas corporativas vencerão até o final do ano, criando um desafio de refinanciamento relevante para as empresas, visto que os juros continuam altos.
Emissores com ratings mais baixos (BBB) ou métricas de crédito mais frágeis exigem atenção, especialmente se as condições de mercado se tornarem menos receptivas nos próximos meses devido às eleições.
A Moody’s afirma que os níveis de endividamento das empresas em 2026 não devem sofrer alterações significativas, permanecendo em patamares estáveis.
Essa estabilidade é uma consequência direta do cenário de juros altos, que mantém o custo financeiro das dívidas elevado e limita a capacidade das companhias de reduzir seus estoques de dívida rapidamente.
Assim, o fluxo de caixa gerado pelas operações acaba sendo drenado pelo pagamento de juros, dificultando movimentos de desalavancagem. A análise por categoria de risco revela uma divisão clara no comportamento das empresas, segundo o relatório.
Emissores de alta qualidade, classificados como AAA e AA, têm adotado uma postura financeira mais prudente, reforçando o caixa da empresa e jogando o vencimento das dívidas para o futuro, para atravessar o período de juros restritivos.
Já as empresas situadas na categoria BBB enfrentam um cenário mais árduo, apresentando um elevado consumo de caixa que pode pressionar seus indicadores de cobertura de dívida de curto prazo.
No mapa de oportunidades, a Moody’s destaca o setor de Papel e Celulose com perspectivas positivas, beneficiado pela liderança global do Brasil e pelos custos de produção baixos.
Após um período intenso de investimentos, a tendência para as empresas é de desalavancagem e alívio nas métricas de crédito. A robustez na geração de caixa e a liquidez fortalecida tornam esses papéis opções resilientes para o investidor.
Outro segmento que demonstra fôlego é o de Locação de Veículos e Logística, onde gigantes como Localiza e Movida conseguem repassar o custo de capital para suas tarifas de aluguel.
Esse caráter anticíclico permite que o setor mantenha a rentabilidade mesmo em ambientes de política monetária restritiva, embora o segmento de seminovos ainda sofra com margens pressionadas.
Por serem grandes emissores, essas companhias dominam o volume de dívida a vencer no curto prazo, mas contam com forte capacidade de refinanciamento devido aos seus ratings elevados.
Em contrapartida, o sinal de alerta está aceso para os setores de Agronegócio e Saúde, que concentram a maior parte das perspectivas negativas de crédito no portfólio da agência de risco.
Empresas como Kora Saúde, Viveo e Elfa Medicamentos registraram deterioração em seus perfis de crédito, com as métricas financeiras pressionadas e fraca geração de caixa.
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