Dinheiro do Tesouro IPCA+ 2026 ficou parado na conta? Veja quanto você está perdendo e onde reinvestir a grana
Com juros em níveis elevados, analistas apontam caminhos diferentes para quem busca liquidez, construção de patrimônio e renda passiva

Já se passaram 13 dias desde que o Tesouro IPCA+ 2026 venceu e o Tesouro Nacional pagou o principal e os juros aos investidores. Pelo menos R$ 13 bilhões caíram na conta de pessoas físicas que investiram pelo Tesouro Direto.
A questão é: nem toda essa bolada já encontrou um novo destino. Muitos investidores ainda não reinvestiram os recursos e simplesmente os deixaram parados na conta.
Só que a cada dia que passa, o investidor que não reaplicou o valor recebido está perdendo dinheiro. Com os juros a 14% ao ano, um único dia já oferece uma remuneração significativa em títulos de renda fixa.
O Tesouro Selic, por exemplo, que remunera 100% da taxa básica, já teria acrescido 0,47% ao montante recebido, considerando os nove dias úteis desde o pagamento.
Para um patrimônio de R$ 100 mil, estamos falando de R$ 465,90 de retorno bruto deixado na mesa.
Caso o investidor continue com o pagamento do Tesouro IPCA+ 2026 parado na conta, o "dinheiro perdido" só irá aumentar.
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Supondo que os juros continuem no nível atual, trata-se de um retorno bruto de 14% ao ano ignorado. Esse mesmo patrimônio de R$ 100 mil poderia ultrapassar R$ 114 mil caso estivesse aplicado.
Isso na hipótese mais conservadora de investimento possível, que é o Tesouro Selic ou qualquer outro investimento que pague 100% da Selic ou do CDI.
Entretanto, analistas sugerem outras opções para a bolada do Tesouro IPCA+ 2026 que podem render ainda mais.
ETFs de renda fixa
A opção mais recomendada por Tiago Lima, head de distribuição da BTG Asset, são os ETFs de renda fixa.
Esses fundos seguem o desempenho de índices de renda fixa e têm cotas negociadas em bolsa. Eles apresentam algumas vantagens em relação aos títulos em si ou fundos tradicionais de renda fixa.
A principal vantagem é tributária.
Se tiverem uma carteira de longo prazo, os ETFs de renda fixa tem uma alíquota fixa de 15% de cobrança de imposto de renda sobre rendimentos, independentemente de quanto tempo o investidor permanecer no fundo.
Já os títulos de renda fixa, incluindo os papéis do Tesouro Direto, seguem a tabela regressiva de imposto de renda. As alíquotas começam em 22,5% com seis meses de aplicação e diminuem aos poucos, chegando em 15% somente depois de dois anos.
Além disso, os primeiros 30 dias têm cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) caso haja resgate — algo que os ETFs não tem.
Em relação aos fundos de investimento, os fundos de índice não cobram come-cotas, que é uma antecipação de IR cobrada duas vezes no ano.
"Só com esses impostos, se a intenção é investir por um curto prazo, o investidor estaria deixando dinheiro na mesa", diz Lima.
Para ele, a estrutura do ETF permite uma aplicação nos títulos públicos de uma forma mais eficiente para a pessoa física, com menos custos e, consequentemente, mais retorno.
As recomendações de ETFs
LIQB11
A primeira recomendação de Lima é o LIQB11. Este ETF investe 90% do patrimônio em Tesouro Selic e os 10% restantes ficam em Tesouro IPCA+.
O especialista do BTG afirma que o ativo é ideal para quem vai usar o dinheiro no curto prazo, mas não quer deixá-lo esperando parado na conta.
No Tesouro Selic, resgates no prazo de até um ano vão ter cobrança de IR até 20%. No LIQB11 é sempre os mesmos 15%. Além da questão da isenção de IOF.
PACC11
Para quem quer se manter em um investimento que corrige a inflação, a sugestão de Lima é o ETF PACC11, que replica o desempenho de títulos Tesouro IPCA+ com vencimento em até cinco anos.
O fundo tem os mesmos benefícios tributários que o LIQB11, mas sua rentabilidade está atrelada aos títulos indexados à inflação, que tem mais oscilação de preço do que o Tesouro Selic.
No caso do ETF, o investidor fica exposto ao carrego do juro real e correção da inflação dos títulos — ou seja, das taxas contratadas na compra dos papéis —, mas também da marcação de preço diário, que pode ser positiva ou negativa.
DEBB11
Ainda na linha de proteção contra a inflação, Lima também sugere o DEBB11, que é um ETF de crédito privado. Ele investe em debêntures — dívidas de empresas, em sua maioria, indexadas à inflação, assim como o Tesouro IPCA+.
Por se tratar de crédito privado, os títulos investidos têm uma remuneração maior do que os títulos públicos. Porém, tem risco maior também, pois estão expostos ao risco da empresa emissora, não do governo, como ocorre com os títulos públicos.
Para Lima, investir nesses papéis por meio de um ETF se torna um mitigante desse risco, pois a exposição do investidor a cada debênture é bem menor. As carteiras de ETFs são bastante diversificadas.
Além disso, o DEBB11 tem uma estratégia de proteção para minimizar a volatilidade natural de papéis indexados à inflação. A referência do fundo são os juros (CDI), menos voláteis que a indexação ao IPCA.
Investimentos para renda passiva
Para quem quer ir além dos ETFs, os analistas da Empiricus Research sugerem outra estratégia para esse dinheiro: renda passiva. Em relatório, eles afirmam que as opções contemplam diferentes perfis: do conservador ao sofisticado.
Não é necessário aplicar em todas as sugestões.
"A ideia não é encontrar um substituto perfeito para o título que venceu, mas mostrar onde enxergamos boas relações entre risco e retorno para colocar esse dinheiro novamente para trabalhar", diz o texto.
- Debênture Equatorial Goiás (CGOSA2): título de crédito privado com vencimento em 2038 e pagamento semestral de juros. A recomendação se apoia na solidez do grupo Equatorial, que possui classificação de risco elevada, e na remuneração de cerca de IPCA + 8%, oferecendo uma combinação de proteção contra a inflação e geração periódica de renda. Por se tratar de uma debênture de infraestrutura, o investimento é isento de IR.
- FII Kinea Hedge Fund (KNHF11): fundo imobiliário multiestratégia que investe em crédito, imóveis, FIIs e ações do setor. Atualmente está mais exposto a ativos de crédito, busca gerar dividendos recorrentes e ainda negocia com desconto em relação ao valor patrimonial, o que pode representar uma oportunidade de entrada.
- FI-Infra BTG Dívida Infra (BCDI11): fundo de infraestrutura listado em bolsa que investe em debêntures incentivadas. Além de distribuir dividendos mensais, conta com isenção de imposto de renda sobre rendimentos e ganho de capital, sendo uma alternativa para quem busca renda periódica e baixa volatilidade.
- Ação Axia Energia (AXIA3): empresa do setor elétrico que combina potencial de valorização das ações com expectativa de distribuição relevante de dividendos nos próximos anos. A tese está ligada ao ganho de eficiência operacional e à redução da alavancagem após a privatização.
Opções no Tesouro Direto
Para quem prefere simplesmente manter o dinheiro no Tesouro Direto, a oportunidade neste momento é garantir por vários anos juros que raramente aparecem no mercado brasileiro. O Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+ permitem isso por causa de suas taxas prefixadas.
O Tesouro Prefixado é a escolha da Empiricus para travar os 14% ao ano que o Tesouro Selic não permite, porque ele acompanha os juros básicos. A taxa atual tende a cair nos próximos meses, o que torna este um ótimo momento para entrada no pré.
Lais Costa, analista da casa, recomenda a estratégia para horizontes intermediários, de três a quatro anos.
Mas não vale colocar tudo em uma única estratégia.
O time de alocação da XP defende uma alocação combinada com papéis IPCA+ com prazos mais longos, acima de cinco anos.
Assim como os prefixados, os títulos indexados à inflação permitem travar a taxa de juros — que atualmente está nas máximas históricas. E, com o Tesouro IPCA+, a inflação é sempre corrigida.
Isso significa que o poder de compra do patrimônio fica protegido, e o investidor ainda recebe uma remuneração adicional. Foi exatamente o que aconteceu com a aplicação no Tesouro IPCA+ 2026 que está vencendo.
Neste caso, a data de vencimento depende da tolerância ao risco do investidor. A XP tem recomendações para prazos até 2040, se o objetivo for aposentadoria, por exemplo. (Leia mais sobre aposentadoria com o Tesouro RendA+ aqui)
Quanto maior o prazo, mais os títulos ficam sujeitos às oscilações de mercado. Por isso, é importante alinhar o prazo ao objetivo, para levar o título até o vencimento e garantir a taxa contratada.
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