Crédito privado em reais ou em dólar? BTG destaca empresas brasileiras para investir em debêntures e em bonds
Em alguns casos, o ganho de um título em dólar sobre o equivalente em real pode ultrapassar 3 pontos percentuais

O crédito privado está em alta no Brasil e no exterior — e, para ganhar em dólar ao emprestar dinheiro para empresas, nem é preciso ir muito longo. Companhias brasileiras têm emitido dívida na moeda norte-americana, abrindo mais uma possibilidade de diversificação para os investidores locais.
Existem dois caminhos para investir em crédito privado: comprar os títulos das empresas brasileiras aqui no Brasil (via debêntures) ou comprar os títulos que elas emitem lá fora, em dólares (via bonds).
Em fevereiro, a diferença entre o que as empresas pagam lá fora — ajustando para o real — e o que elas pagam aqui é mínima, segundo um relatório do BTG Pactual.
Em média, investir lá fora está rendendo apenas 0,07 ponto percentual (p.p.) ao ano a mais do que investir em debêntures no Brasil.
- Lá fora os bonds rendem, em média, USD + 6,80% (que é equivalente a CDI + 2,13%).
- Aqui, as debêntures rendem, em média, CDI + 2,06%.
No entanto, os analistas do BTG Pactual afirmam no relatório que, embora os rendimentos dessas duas opções estejam muito parecidos, ainda existem "tesouros" escondidos para cada título: debênture e bond.
Bonds: as empresas que oferecem ganhos em dólar
Existem casos em que o mercado internacional está exigindo juros muito altos para emprestar dinheiro às empresas brasileiras. Alguns nomes podem ser grandes e conhecidos por aqui, mas não necessariamente tem o mesmo impacto quando emitem dívida no exterior.
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Nessas situações, o investidor brasileiro que está mais familiarizado com a empresa e consegue acessar dívidas no mercado externo pode ter um "prêmio" extra generoso.
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Em seu relatório, o BTG destaca quatro nomes em que, neste momento, é mais vantajoso investir nos bonds e ganhar em dólar:
Tupy (TUPY ‘31)
Tupy é descrita como a maior oportunidade. Enquanto a debênture no Brasil paga CDI + 2,74%, o título lá fora paga o equivalente a CDI + 6,76%. O ganho a mais por ano é de 3,91 p.p., de acordo com o BTG.
Brava (ex-3R Petroleum; RRRPBZ '31)
A ex-3R Petroleum, agora denominada Brava Energia, é a segunda opção do BTG para crédito em dólar.
Lá fora, o rendimento do bond da empresa equivale a CDI + 4,08%, enquanto aqui no Brasil é de CDI + 2,03%. Um ganho adicional de 2,01p.p. ao ano, diz o relatório do banco.
Vamos e Movida (VAMOBZ '31 e MOVIBZ '29)
As empresas controladas pela Simpar também fazem parte dos nomes em que a dívida em dólar está pagando mais.
A Vamos paga 1,28 p.p. a mais no exterior (CDI + 5,83% contra CDI + 4,49% aqui). Já a Movida oferece um bônus menor, de 0,39 p.p. a mais lá fora.
Debêntures: casos em que os juros em reais valem mais
Em alguns casos em que as empresas emitem dívidas em reais e em dólar, o investidor brasileiro ganha mais “ficando em casa", segundo o BTG.
Isso acontece quando os investidores estrangeiros têm mais familiaridade com o nome da empresa e aceitam juros mais baixos para comprar a dívida. Não por acaso, os nomes são CSN, Gerdau e Prio — exportadoras e empresas de commodities.
CSN (CSNAA1)
Aqui no Brasil, as debêntures da CSN pagam CDI + 7,77%, enquanto o título lá fora equivale a CDI + 4,31%. A dívida em reais representa um ganho extra de 3,21 p.p. ao ano.
Gerdau (GGBRA8)
Já as debêntures da Gerdau pagam 1,43 p.p. a mais do que os bonds lá fora.
Neste caso, em específico, os investidores estrangeiros estão aceitando receber taxas tão menores que ficam abaixo do risco do próprio governo brasileiro, segundo o BTG.
A empresa tem uma presença forte nos Estados Unidos, que se tornou mais evidente no ano passado, diante das tarifas de importação do presidente Donald Trump.
Prio (PEJA21)
As debêntures brasileiras pagam entre 0,69 p.p.a mais do que os títulos internacionais da petroleira. Internamente, a Prio está pagando CDI + 1,09% em suas debêntures, enquanto os bonds pagam o equivalente a CDI + 0,39%.
Outros pontos a se considerar
Antes de decidir se vai investir em dólares ou em reais, o investidor precisa ponderar a questão do imposto de renda (IR) e o risco cambial.
Em relatório, o BTG destaca que, algumas debêntures (especificamente as de infraestrutura) são isentas de imposto de renda para pessoas físicas. Isso pode fazer com que um rendimento de CDI + 1% no Brasil seja melhor do que um CDI + 2% lá fora, onde o investidor terá que pagar imposto sobre o lucro.
Ao considerar a opção de investimento em dólar, é importante verificar qual a debênture correspondente da empresa para checar se é isenta de IR.
A questão câmbio também deve ser levada em consideração. Um bond que rende 6,80% em dólar ao ano pode pagar mais ou menos para um brasileiro, a depender da relação cambial com o real no período do investimento.
Se o dólar cair muito frente ao real, o investidor pode acabar perdendo dinheiro — e o inverso também é verdadeiro.
O mercado usa ferramentas chamadas "swap" para se proteger disso, mas elas têm custos que não estão incluídos nos cálculos de rendimento simples e não podem ser usados por um investidor pessoa física.
Por fim, tem a questão da facilidade de resgate no mercado local. As debêntures no Brasil estão em um momento de muita procura, o que torna mais fácil vender o título no mercado secundário se precisar do dinheiro antes da hora.
No caso dos bonds pode não ser tão simples assim, até porque são poucas as corretoras locais que oferecem esses títulos.
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