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Melhor desempenho entre os títulos públicos ficou com os prefixados, que chegaram a se valorizar mais de 20% no ano; na renda fixa privada, destaque foram as debêntures incentivadas
Com uma alta de 34% do Ibovespa e 21% do Índice de Fundos Imobiliários (IFIX), talvez não dê para dizer exatamente que 2025 foi o ano da renda fixa, mesmo com a Selic estacionada em 15% ao ano desde junho. Ao menos não em termos de rentabilidade.
Mesmo assim, a classe de ativos mais conservadora foi a principal escolha do investidor brasileiro no ano que se passou. Entre as pessoas físicas, a renda fixa respondia por quase 60% do volume investido no meio do ano passado.
Com a taxa básica de juros no ponto máximo do último ciclo de alta, necessário para fazer a inflação oficial retornar à meta em um cenário de fiscal frouxo e economia aquecida, o CDI acumulou um retorno de 14,30% em 2025. A taxa baliza a rentabilidade das aplicações de renda fixa pós-fixadas, aquelas que pagam um percentual do CDI.
Trata-se de um retorno formidável para quem não gosta de correr risco, o que de fato ainda mantém o investidor brasileiro afastado dos ativos de bolsa.
Porém, dentro da própria renda fixa vimos ativos um pouco mais arriscados que o Tesouro Selic e os CDBs de liquidez diária pagando retornos ainda mais interessantes.
Com os juros futuros pressionados por conta da alta da Selic no primeiro semestre e o risco fiscal elevado, quem aproveitou 2025 para encher o carrinho de títulos prefixados e indexados à inflação conseguiu contratar retornos elevados para o vencimento.
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Entre os títulos públicos, os papéis de renda fixa de menor risco, os prefixados chegaram a oferecer rentabilidades superiores a 15% no início do ano; já os indexados à inflação (Tesouro IPCA+) passaram boa parte do ano com rentabilidades superiores a 7% ao ano mais a variação do IPCA.
Em alguns momentos do primeiro semestre, certos títulos Tesouro IPCA+ chegaram a oferecer remunerações superiores a 8% ao ano acima da inflação, antes vistas apenas em momentos de crise.
No segundo semestre, porém, os juros futuros começaram a baixar, principalmente os de vencimentos mais curtos, dadas a convergência da inflação para a meta e a perspectiva de início de cortes na Selic no início de 2026.
Com isso, os títulos públicos prefixados e indexados a inflação viram uma valorização geral nos seus preços de mercado, junto com uma redução das remunerações oferecidas.
Lembrando que, quando os juros futuros sobem, as taxas dos títulos públicos também sobem, e seus preços de mercado caem; já quando os juros futuros caem, as taxas dos títulos públicos se reduzem e seus preços de mercado sobem.
Para quem leva o título ao vencimento, a rentabilidade contratada na compra está garantida; mas é possível também ganhar com a valorização do papel, vendendo-o antecipadamente por um preço de mercado superior ao da data da compra.
Veja na tabela a seguir como foi o desempenho dos preços de mercado dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto em 2025:
| Título | Vencimento | Desempenho em 2025 |
|---|---|---|
| Tesouro Prefixado | 01/01/2031 | 21,70% |
| Tesouro Prefixado | 01/01/2029 | 20,87% |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais | 01/01/2029 | 19,67% |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais | 01/01/2031 | 19,66% |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais | 01/01/2033 | 18,92% |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais | 01/01/2035 | 18,59% |
| Tesouro Prefixado | 01/01/2027 | 17,23% |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais | 01/01/2027 | 16,81% |
| Tesouro Prefixado | 01/01/2026 | 15,22% |
| Tesouro Selic | 01/03/2029 | 14,66% |
| Tesouro Selic | 01/03/2027 | 14,45% |
| Tesouro Selic | 01/03/2026 | 14,34% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/05/2055 | 11,83% |
| Tesouro IPCA+ | 15/05/2045 | 11,74% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/08/2050 | 11,63% |
| Tesouro IPCA+ | 15/05/2035 | 11,56% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/05/2035 | 11,38% |
| Tesouro IPCA+ | 15/05/2029 | 11,36% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/08/2026 | 11,12% |
| Tesouro IPCA+ | 15/08/2026 | 11,04% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/08/2030 | 10,96% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/05/2045 | 10,94% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/08/2032 | 10,82% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/08/2040 | 9,45% |
Como você pode ver no ranking, os títulos prefixados foram o grande destaque positivo do Tesouro Direto em 2025, com retornos que venceram, em alguns casos com folga, a Selic e o CDI.
Esses títulos tendem a se valorizar quando a Selic está elevada, a inflação alta é finalmente domada e, por isso, a expectativa do mercado passa a ser de queda de juros — exatamente o que aconteceu em 2025.
Veja também que nenhum título público amargou retorno negativo no ano que se passou, uma vez que o alívio em toda a curva de juros futuros acabou beneficiando todos os vencimentos.
Entretanto, os papéis Tesouro IPCA+ foram menos favorecidos que os prés. Com prazos tipicamente mais longos, esses títulos são mais afetados pelo risco-país, ainda pressionado devido às preocupações com o fiscal, com os gastos públicos elevados e a pouca perspectiva de controle do crescimento da dívida pública.
Além disso, no ano que vem teremos eleições presidenciais no Brasil, o que traz ao mercado de juros um cenário considerado binário, de possível manutenção do governo atual — e, com isso, um fiscal frouxo — contra uma possível mudança para um governo mais responsável fiscalmente.
A preferência dos investidores pessoas físicas em 2025 continuou sendo por títulos isentos de imposto de renda, como CRIs, CRAs, LCIs, LCAs e debêntures incentivadas.
Embora regras mais rígidas de emissões tenham reduzido a captação via CRIs e CRAs, a diminuição do prazo de carência de LCIs e LCAs de nove para seis meses em maio voltou a dar força para esses papéis bancários.
Já as debêntures incentivadas foram a grande estrela do ano na renda fixa. Com a iminência de tributação dos demais instrumentos isentos — o que acabou não se concretizando — os títulos de dívida de empresas destinados a financiar projetos de infraestrutura bateram sucessivos recordes de captação, o que acabou amassando cada vez mais as remunerações oferecidas.
Não foram raras as emissões cuja rentabilidade prometida ficasse nominalmente inferior à dos títulos públicos de mesmo prazo e indexador, o que deveria ser um contrassenso, dado que títulos do Tesouro, garantidos pelo governo, são mais seguros que títulos de empresas.
Acontece que a isenção de IR ainda mantém o retorno líquido das debêntures levemente mais atrativo que o dos títulos públicos, que são tributados.
De janeiro a novembro de 2025, a emissão de debêntures incentivadas totalizou R$ 150,7 bilhões, valor que superou a captação de R$ 135,1 bilhões desta classe em todo o ano de 2024.
A negociação também se intensificou no mercado secundário. De janeiro a novembro, o volume negociado entre investidores atingiu R$ 316 bilhões, o maior valor já registrado para o período.
No acumulado de 2025, as debêntures em geral (considerando as isentas e não isentas) tiveram um retorno de 15,59%, enquanto as debêntures incentivadas renderam 15,98%, lembrando que, neste caso, há isenção de IR.
Mesmo com o bom desempenho da bolsa, os fundos de ações e multimercados continuaram perdendo recursos para a renda fixa. Entre os fundos, os de renda fixa tiveram captação líquida positiva, notadamente os de crédito privado, aqueles que investem principalmente em debêntures.
Há inclusive fundos de crédito dedicados exclusivamente às debêntures incentivadas, mantendo a isenção de IR. São os FI-Infras.
Até novembro, os fundos de renda fixa tiveram captação líquida positiva de R$ 162,5 bilhões no acumulado de 2025, enquanto os fundos de ações tiveram perda líquida de R$ 52,8 bilhões, e os multimercados, de R$ 61,7 bilhões.
Ainda dentro da classe de renda fixa, mas contabilizados separadamente, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) vivem uma fase de forte expansão desde que foram liberados para investidores de varejo.
Nos doze meses encerrados em novembro, o patrimônio líquido destes fundos avançou 22,5%, para R$ 741,1 bilhões. Já o número de contas de investidores em FIDCs mais do que dobrou, passando de 147,3 mil para 333,7 mil.
Confira na tabela a seguir a rentabilidade dos diferentes tipos de fundos de renda fixa no acumulado de 2025 até novembro (data do último dado).
Lembrando que fundos classificados como Grau de Investimento são aqueles que apenas investem em títulos públicos ou títulos privados emitidos por empresas e bancos considerados excelentes pagadores (baixo risco de crédito).
Já os fundos classificados como Soberano investem só em títulos públicos, e os Crédito Livre são os fundos de crédito privado que podem investir em títulos com nível de risco maior.
| Classificação do Fundo | Rentabilidade |
|---|---|
| Renda Fixa Duração Média Grau de Investimento | 13,13% |
| Renda Fixa Duração Livre Crédito Livre | 13,09% |
| Renda Fixa Duração Baixa Grau de Investimento | 13,00% |
| Renda Fixa Duração Média Crédito Livre | 13,00% |
| Renda Fixa Duração Baixa Crédito Livre | 12,95% |
| Renda Fixa Duração Média Soberano | 12,77% |
| Renda Fixa Duração Alta Crédito Livre | 12,48% |
| Renda Fixa Simples | 12,38% |
| Renda Fixa Duração Livre Grau de Investimento | 12,35% |
| Renda Fixa Indexados | 12,28% |
| Renda Fixa Duração Baixa Soberano | 11,97% |
| Renda Fixa Duração Livre Soberano | 11,67% |
| Renda Fixa Duração Alta Soberano | 11,11% |
| Renda Fixa Investimento no Exterior | 10,37% |
| Renda Fixa Duração Alta Grau de Investimento | 9,26% |
| Renda Fixa Dívida Externa | -4,74% |
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