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Feito a partir de uvas brancas e vinificado como os tintos, os vinhos laranjas conquistam o público com seu frescor e complexidade de sabores
A primeira vez que ouvi falar em vinho laranja foi em uma conversa com a sommelier Elaine de Oliveira, que indicou um rótulo, o Longaví Glup Naranjo, para uma matéria sobre vinhos que vão bem com churrasco. “É para quem quer surpreender”, comentou.
Desde então, passei a ficar de olho nas cartas dos restaurantes e bares que frequentava. Notei que em casas tradicionais, nem sinal deles, enquanto em um wine bar descolado em Santa Cecília ou Botafogo, eles sempre estavam lá.
Foi tomando uma taça com a sommelier Gabriela Teixeira que descobri que, apesar da moda, o vinho laranja está aí faz tempo. “Ele é um resgate aos métodos ancestrais de fazer vinho branco antes da tecnologia dos tanques de aço inoxidável com controle de temperatura”, explicou a proprietária do Belisco Bar de Vinhos.
É desse encontro, da uva branca com o jeito de se fazer vinho tinto, que nasce a coloração alaranjada e também o sabor, que transita entre um e outro: refrescante como o branco, mas com a estrutura de um bom tinto, além de outras tantas características.
E é por isso que reuni alguns sommeliers para descobrir de uma vez por todas qual é o charme dos vinhos laranjas — e também indicar alguns rótulos, é claro.
Ao contrário do que a intuição visual possa sugerir, a cor não vem de uma fruta diferente ou de um corante, mas sim do processo. “O vinho laranja é um vinho elaborado com uvas brancas que passa por um processo de vinificação como o dos vinhos tintos”, explica Júlia Derado, sommelier do Rosewood São Paulo.
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“O diferencial, porém, está na fermentação, que é realizada mantendo o contato prolongado do mosto com as cascas da fruta”, explica. É essa escolha que muda tudo. Fernando Moreira, sommelier da Santo Vino, complementa: “Essa técnica, ancestral, resulta em vinhos de coloração que vai do dourado intenso ao âmbar ou alaranjado, por exemplo”.
Nos vinhos brancos convencionais, o contato com as cascas é evitado para preservar a cor translúcida e o frescor. No laranja, o objetivo é oposto. A técnica de manter o suco em contato com a pele da uva, sementes e às vezes até o engaço, confere à bebida sua coloração, aromas e sabores.
Para quem está acostumado com a divisão clássica do mundo dos vinhos, Fernando oferece uma boa analogia: “Eu costumo descrevê-lo como um vinho branco com estrutura, textura e complexidade aromática de um tinto leve, mas sem perder a identidade da uva branca”.

O maior obstáculo para o consumidor desavisado é o cérebro esperar uma coisa e a boca receber outra. “O erro mais comum é esperar um branco fresco, leve e frutado, como um Sauvignon Blanc ou Pinot Grigio”, diz Fernando Moreira. De acordo com ele, quem vai com sede a esse pote pode se frustrar, já que “o vinho laranja tem taninos, oxidação controlada e aromas menos óbvios”.
Essa complexidade exige uma nova abordagem sensorial. Gabriela Teixeira destaca que “muitas pessoas se surpreendem com a textura mais taninada e a complexidade aromática”, e conta um erro clássico de serviço: “não dar tempo para o vinho respirar, pois o contato com o oxigênio realça os aromas”.
Júlia Derado toca em outro ponto para quem está começando: a escolha do rótulo. “O erro que as pessoas mais cometem é escolher um rótulo que apresente um nível de oxidação muito elevado”, diz a sommelier. “Isso acaba trazendo aromas e características sensoriais muito distantes do que o paladar dessa pessoa está habituado, o que pode gerar uma primeira impressão equivocada”.
O que esperar, então, quando o vinho chega à boca?
“O contato com as cascas transfere principalmente taninos, estrutura e textura. Aromaticamente, surgem notas de casca de laranja, por exemplo, e também de chá preto, ervas secas, flores secas, especiarias, damasco seco e mel. Em boca, o vinho ganha mais peso, sensação táctil e, muitas vezes, um final levemente amargo e gastronômico”, diz Fernando Moreira.
Júlia Derado complementa: “No paladar e olfato, o vinho laranja apresenta muito mais camadas aromáticas do que um vinho branco tradicional. Isso acontece porque a casca da uva confere uma carga maior de sabores, aromas e nuances, trazendo uma complexidade em si que é muito mais profunda para o vinho”.
É difícil falar de vinho laranja sem mencionar os recipientes de barro e ânforas. O uso desses materiais remete à origem histórica da bebida, especialmente na Geórgia, onde a técnica sobrevive há milhares de anos. “A maioria dos produtores busca resgatar métodos ancestrais de elaboração que priorizam a expressão mais pura da uva e do seu terroir”, conta Júlia Derado.
Quanto ao sabor, a ânfora oferece algo que a madeira muitas vezes mascara. “O barro permite micro oxigenação sem interferir com aromas de madeira, preservando a pureza da fruta e acentuando, assim, textura e estabilidade. O resultado tende a ser um vinho mais terroso, austero e integrado, com evolução mais lenta e harmoniosa”, explica Fernando Moreira.

Há uma confusão frequente no mercado: todo laranja é natural? Não necessariamente. “Ele não é necessariamente um vinho natural. O vinho laranja é um estilo de vinificação, não uma filosofia produtiva, e pode, sim, ser produzida de forma convencional, com controle enológico moderno”, esclarece Fernando Moreira.
Júlia Derado reforça que a técnica é soberana à filosofia agrícola nesse caso. “Embora o movimento dos vinhos laranjas tenha ganhado força dentro da filosofia de mínima intervenção e da agricultura sustentável, o que define tecnicamente um vinho como 'laranja', porém, é o seu processo de elaboração na adega: a maceração das uvas brancas com as cascas”.
No entanto, é inegável que o crescimento do interesse pelo estilo foi impulsionado pelos vinhos naturais, biodinâmicos e de mínima intervenção. Gabriela Teixeira conta que geralmente são usados métodos de cultivo orgânico e fermentação espontânea, o que atrai um público curioso por vinhos mais “saudáveis” e fora do óbvio.
À mesa, a estrutura tânica dos laranjas permite harmonizações que seriam desafiadoras para outros brancos. “Ele funciona onde brancos falham e tintos pesam demais”, sintetiza Fernando Moreira. O sommelier sugere combinações com cozinhas ricas em condimentos: “Vai muito bem com cozinha do Oriente Médio, culinária indiana, pratos com especiarias, cogumelos e queijos de média intensidade, por exemplo”.
Júlia Derado destaca a afinidade com pratos de sabor intenso. “Pelo fato de o vinho laranja possuir sabores ousados e toques de fermentação e umami, ele harmoniza muito bem com uma gastronomia de pratos mais vultuosos”, explica, citando carnes vermelhas com molhos apimentados e inclusive comidas fermentadas.
Gabriela Teixeira amplia o leque para opções mais leves, destacando que “eles combinam muito bem com pratos à base de legumes, como saladas e grelhados, e acompanham perfeitamente carnes brancas como frango e peixe”.

Para navegar pelas opções disponíveis, é bom conhecer as referências geográficas. “No cenário internacional, a Geórgia é a grande referência histórica, berço desse estilo milenar”, aponta Fernando Moreira. Na Europa Central, ele destaca regiões como Friuli-Venezia Giulia, na Itália, a Eslovênia e a Áustria como “polos de excelência”.
A produção nacional, aliás, também entra na lista. Fernando menciona a Serra Gaúcha, a Serra do Sudeste e a Campanha Gaúcha, onde produtores têm obtido êxito com uvas como Malvasia, Moscato e Gewürztraminer. Júlia Derado complementa a lista de variedades bem adaptadas ao terroir brasileiro para este estilo, citando Peverella, Trebbiano Toscano, Chardonnay e Riesling.

“Este vinho é uma expressão autêntica da vinificação natural, com uvas cultivadas de forma orgânica. O Naranjo é conhecido por sua complexidade e frescor, apresentando notas de frutas cítricas e um leve toque de especiarias, resultando em uma experiência refrescante e envolvente. É uma ótima introdução ao estilo do vinho laranja, mostrando como as técnicas de maceração podem criar profundidade de sabor sem perder a frescura”, diz Gabriela Teixeira. Preço: R$ 94, na Europa Importadora.

“Este rótulo destaca o Semillon em uma abordagem de vinho laranja, oferecendo uma textura sedosa e aromas que vão de frutas tropicais a notas herbáceas. A maceração com as cascas traz taninos sutis, resultando em um vinho equilibrado e muito interessante. É uma excelente opção para quem deseja entender como diferentes uvas podem se comportar na produção de vinhos laranja, além de ter um perfil aromático único”, diz Gabriela Teixeira. Preço: R$ 221, na Tuadega.

“É um nome icônico na produção de vinhos laranja na Itália. Este vinho, frequentemente fermentado e envelhecido em ânforas, apresenta uma complexidade aromática rica, com notas terrosas, frutas secas e uma acidez vibrante. É um exemplo perfeito do que a tradição e a inovação podem criar juntos. Para quem quer mergulhar na história dos vinhos laranja, Gravner é uma referência que mostra o potencial de envelhecimento e a profundidade que esse estilo pode alcançar”, diz Gabriela Teixeira. Preço sob consulta.

“É um excelente ponto de partida. Produzido na Serra Gaúcha, esse vinho demonstra como o Brasil é capaz de elaborar vinhos laranja de alto nível técnico, com maceração bem conduzida, taninos finos e ótima integração entre fruta, acidez e textura. Um rótulo didático e elegante para iniciantes”, diz Fernando Moreira. Preço: R$ 205,50, na Alma Vinhos.

“Um exemplo expressivo da uva Moscatel em solo vulcânico. Aromaticamente intenso, com perfil floral marcante, entrega na boca um vinho seco, austero e vibrante, fugindo do estereótipo aromático óbvio da variedade. É um rótulo que mostra com clareza o contraste entre perfume e estrutura, um dos grandes encantos do vinho laranja”, diz Fernando Moreira. Preço: R$ 99,90, no Armazém Conceição.

“Naranjo elaborado 100% com Gewürztraminer, proveniente da Patagônia extrema, o Otronia Lagunar Naranjo 2021 é um vinho laranja seco, orgânico e vegano. Fermentado espontaneamente com as cascas em ovos de concreto por 30 dias, amadurece por 20 meses no mesmo recipiente. Exibe aromas florais, frutas brancas e ervas secas, com taninos sutis e acidez vibrante”, diz Fernando Moreira. Preço: R$ 330, na Wolrd Wine.

“Elaborado a partir de uvas Rkatsiteli cuidadosamente selecionadas, este vinho segue o método milenar de vinificação georgiano. A fermentação e a maceração ocorrem em ânforas de argila terracota, os tradicionais qvevris, onde o vinho permanece em contato prolongado com as cascas, resultando, assim, em uma coloração âmbar de reflexos dourados”, diz Fernando Moreira. Preço: R$ 215, na Bodegas Brasil.

"O Berga é um laranja da uva rielsing itálico super gastronômico, elegante e interessante. Foi produzido com uvas sustentáveis e tem passagem em barrica de carvalho francês. Muito versátil, ele combina com todos os pratos e deve ser bebido ligeiramente gelado”, diz a curadora Tatiana Buniac. Preço: R$ 180, na Vibrana.

“O Minna é um laranja natural produzido a partir das uvas orgânicas Moscato Bianco e Goethe; blend interessante de uvas que resultou, portanto, num vinho leve e refrescante, sem passagem por madeira. Fácil de beber e puro ao máximo, mas com personalidade”, diz a curadora Tatiana Buniac. Preço: R$ 195, na Vibrana.
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