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Jovem francês é a promessa do país para quebrar um jejum que dura mais de 40 anos na maior competição de ciclismo do mundo
O Tour de France sempre produziu heróis nacionais. Mas, para a França, o roteiro anda incompleto há décadas. Desde que Bernard Hinault conquistou sua quinta vitória em 1985, nenhum francês voltou ao topo da prova mais prestigiada do ciclismo mundial. Agora, um jovem de sobrenome familiar para lusófonos surge como a nova esperança: Paul Seixas.
Aos 19 anos, Seixas carrega um peso raro para alguém que mal saiu da adolescência. Ele pode se tornar o ciclista mais jovem a largar no Tour de France em 89 anos e, ao mesmo tempo, a principal aposta em casa para encerrar um jejum que atravessa gerações. Em um país apaixonado por ciclismo, isso basta para transformá-lo em fenômeno antes mesmo da largada.
Em um vídeo publicado em seu Instagram nesta segunda-feira, 4, o atleta anunciou que competirá no giro deste ano, que deve acontecer de 4 a 26 de julho. "Estou realmente muito feliz em anunciar que participarei do próximo Tour de France. Sempre foi um sonho de infância, algo que eu sempre imaginei, e agora está muito perto", disse Seixas através de sua equipe Decathlon CMA CGM.
Nascido em 2006, em Lyon, terceira maior cidade da França, Paul Seixas não veio de uma linhagem tradicional das estradas: seus pais eram esportistas, mas ligados às artes marciais. O pai, Emmanuel, competia no caratê em nível nacional. Ainda assim, o fascínio pela bicicleta apareceu cedo.
Criado em ambiente profundamente francês, Seixas também carrega uma conexão ibérica: um bisavô paterno era português, origem que ajuda a explicar o sobrenome familiar aos ouvidos brasileiros. Em entrevistas, ele relembra ter assistido ao Tour de France com o avô quando criança. Foi nesse período que insistiu com os pais para começar a competir. Disse até à avó que um dia ela o veria disputando a corrida.
Começou aos oito anos no Lyon Sprint Évolution, clube local onde rapidamente virou destaque. Segundo a imprensa francesa, venceu em praticamente todas as categorias de base por onde passou.
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O salto seguinte veio em 2021, no Vélo Club Villefranche Beaujolais, estrutura júnior mais robusta. Lá conquistou o título nacional sub-17 de estrada. Em 2023, ingressou na equipe de desenvolvimento da Decathlon CMA CGM, consolidando o caminho para o profissionalismo.
Mas foi em 2024 que o nome Paul Seixas deixou de circular apenas entre observadores atentos. Em sua última temporada como júnior, venceu a Liège-Bastogne-Liège Juniors e tornou-se campeão mundial júnior de contrarrelógio em Zurique, o primeiro francês a conquistar essa categoria.
Em 2025, passou a ser integrado gradualmente às provas de elite e respondeu com maturidade. Foi vice-campeão do Paris-Camembert e também terminou em segundo na etapa final do Tour of the Alps.
Depois, terminou em oitavo no geral do Critérium du Dauphiné, tradicional termômetro para candidatos ao Tour, enfrentando um pelotão repleto de estrelas. A confirmação definitiva veio no Tour de l'Avenir, considerado por muitos a antessala dos grandes campeões: Seixas virou 29 segundos de desvantagem em um contrarrelógio de escalada e conquistou a camisa amarela no último dia.
O jovem atleta encerrou, ainda, a temporada com terceiro lugar no Campeonato Europeu de Estrada e sétimo na Il Lombardia e, após ficar em segundo lugar na corrida Liège-Bastogne-Liège, no último 26 de abril, as expectativas aumentaram. Foi o suficiente para instalar o que a imprensa local chamou de “Febre Seixas”.
Com 1,83m e apenas 65 kg, Seixas reúne características típicas de escaladores clássicos (leves, eficientes nas montanhas) com algo ainda mais valioso no ciclismo atual: motor aeróbico excepcional. Em uma era dominada por atletas completos como, por exemplo, o esloveno Tadej Pogačar e o dinamarquês Jonas Vingegaard, a versatilidade virou moeda de ouro.
O francês já deu sinais de possuir essa combinação. Tanto que, aos 19 anos, tornou-se o vencedor mais jovem de uma corrida por etapas do WorldTour em na Volta ao País Basco, um recorde ainda mais precoce do que o do atual campeão do Tour de France, Pogačar, quando venceu o Amgen Tour of California aos 20 anos.
Nem todos acreditam que este seja o momento ideal para lançá-lo ao Tour. A prova de ciclismo de estrada mais prestigiada do mundo consiste em mais de 3 mil quilômetros pedalados durante 21 dias sobre montanhas e subidas dificílimas. Ou seja, uma competição brutal até para veteranos.
Mas, independentemente do resultado imediato, Paul Seixas já representa o retorno da esperança francesa. Depois de quatro décadas de espera, o país voltou a acreditar que o próximo vencedor em Paris pode ser de casa.
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