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Feira paulistana confirma mercado mais maduro, relevante e integrado, mas ainda ineficaz em formas novas audiências
Com o encerramento de sua 22ª edição, há algumas semanas, é chegada a hora de entender o que realmente aconteceu na SP-Arte 2026. É hora de responder às grandes perguntas: o que marcou a feira este ano? Quem saiu maior do que entrou? E como o mercado brasileiro de arte chega a este, que é seu maior momento de ebulição?
A primeira mudança, mais significativa, foi justamente estrutural. Em outros anos, talvez mais elegantes, as vendas aconteciam em meio ao ambiente montado com cara de curadoria. As obras eram dispostas com lógica de exposição, muitos estandes tinham projetos assinados por curadores. Havia a construção de uma ideia que, ainda que movida pela venda, o encontro era sobre arte.
Nessa edição, não. Os motivos eram claros. A lógica da expografia também. Talvez porque boletim anual de mercado de arte, feito pela Art Basel, tenha trazido um módico crescimento de apenas 4% com relação ao ano anterior. Talvez porque no Brasil são poucas as oportunidades do mercado se concentrar tanto em tão pouco tempo. Independente do motivo, estava clara uma aposta em levar os artistas com histórico de vendas e novas representações.
Isso não compromete a qualidade da feira, mas explicita a real motivação. Existe, afinal, uma falha no entendimento do desavisado que vai à SP-Arte com a mesma intenção de quem vai à Bienal: uma feira não é uma exposição. E, ainda que estejam dentro do mesmo prédio, às vezes mostrando inclusive o mesmo artista, os eventos não poderiam ser mais diferentes. Exposição fomenta a arte, feira é sobre sua comercialização.
Entre os convidados, no entanto, há também um senso de maturidade. Mesmo na abertura, mais marcada do que nunca pela lógica do “quem é quem”, a possibilidade de ver (e postar) em primeira mão volta como um marcador social e profissional no meio da arte. Aos profissionais que trabalham junto a feira, é essencial. Mas também para os galeristas e seus comerciais, os produtores de conteúdo, consultores, agentes do mercado, a abertura é onde grande parte do trabalho de posicionamento é feito.
É na abertura que muitas vezes se determinam as apostas: o que está sendo vendido? Onde? Por quem? Inclusive para quem pesquisa, é ali um dos principais termômetros para o entendimento social da arte praticada hoje.
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Outra coisa curiosa, nesse sentido, foi a quantidade de art advisors na feira, para cima e para baixo orientando seus clientes. A quem nunca ouviu o termo, art advisor é a atualização contemporânea do art dealer. Há algum tempo eram eles os agentes comerciais que intermediavam compras e vendas de obras de arte junto a galerias e coleções privadas. Nada mudou, além do nome e um conhecimento extra de História da Arte – o que é debatível.
No entanto, se em outros anos, um ou outro apareciam na abertura e no dia seguinte, nessa edição não. Da abertura ao encerramento, as figuras carimbadas (e os advisors de primeira viagem) estavam lá, gastando a sola do tênis OUS, atrás das obras, ofertas, e pomposas comissões.
Destaques em 2026 foram as 16 galerias estrangeiras, algumas participando pela primeira vez, com uma seleção de artistas internacionais e nacionais. O movimento acompanha nossa participação em feiras internacionais, que aumenta progressivamente, assim como a presença de nomes como Antonio Obá, Adriana Varejão, Ernesto Neto em grandes coleções e instituições fora do Brasil.
O mercado nacional tem crescido – apesar dos pesares. O faz em contraste com o cenário internacional do mercado de arte, em que várias galerias importantes fecham as portas ou suas sedes físicas. Ainda que o artista daqui se encontre com os mesmos problemas de sempre, o Brasil firmar-se como uma terra de oportunidades na área é uma novidade.
Essa edição também contou com a volta da Galeria Bolsa (antiga Bolsa de Arte), de Porto Alegre. Agora, em parceria com o Grupo Almeida&Dale, não só artistas do Sul – até então meio isolados pela falta de representação em grandes feiras – voltam a se integrar com representantes do resto do Brasil. Com a circulação que o grupo propôs em parcerias em Recife, Brasília, Goiânia, Rio de Janeiro e, agora, Porto Alegre, o mercado tão concentrado entre São Paulo e Rio de Janeiro forma rede.

Outra prova disso foi a colaboração entre a Galeria cave, de Fortaleza, com a Galeria Estação, de são Paulo, com um estande solo da artista Navegante Tremembé. Ambas as galerias tinham seus espaços individuais, mas essa parceria possibilitou a inserção mais forte de uma artista que ainda não tinha uma presença muito marcante. Ainda que parcerias entre galerias não sejam novidade, a aposta em um projeto diferente excede o viés financeiro e lembra que abrir espaço e preparar o mercado para novos artistas também são funções das galerias.

Ainda que quem goste de arte vá pra ver as novidades, uma feira não e uma feira sem os grandes nomes. Caso, por exemplo de Tarsila do Amaral, que apareceu com um trabalho distante dos mais conhecidos da brasileira no imaginário popular. Disponível no estande da Galeria Flexa, a obra “Terra" (1943) estava disponível pelo valor nada módicos R$ 19 milhões.

Outros nomes como Ai Wei Wei, Damien Hirst, Anish Kapoor, Lygia Pape, Calder, entre outros, roubaram a cena e tumultuaram seus estandes com os visitantes marcando presença com suas respectivos selfies. E essa é a maior graça e importância do mercado secundário, parte do mercado que se dedica a comercializar obras de artistas consagrados e entre coleções particulares e/ou instituições: oferecer a rara oportunidade do acesso público a estas obras.
A esse grande elenco, juntam-se Beatriz Milhazes e Adriana Varejão. Uma SP-Arte não é uma SP-Arte sem elas. Agora mais do que nunca, já que junto a Rosana Paulino, Adriana faz parte do que o Brasil apresentará em seu pavilhão na Biennale de Veneza.
Emblemático nessa edição, o setor de Design completou 10 anos com mais força e tamanho: foram 64 expositores do mobiliário e design autoral. Uma estratégia bastante visionária e educativa da feira na formação e captura de novos colecionadores, a partir do design.
Esse é o trunfo de uma feira, não de uma exposição. Por ser abertamente um local de vendas, essa comunicação fica menos melindrosa. Especialmente em um país onde a arte intimida, o espaço cresce quando traz o público e, principalmente, o educa para perder o medo: é para vender, para perguntar quanto custa, como funciona a compra. Novamente, quem foi, viu ao vivo o mercado em frenesi: são apenas cinco dias, dez horas por dia, com o objetivo de vender vender o máximo possível.
No fim, venceu quem soube fazer uma boa seleção. Quem abriu o acervo e escolheu a dedo aquilo que fazia sentido e que era de fácil assimilação. Comprar arte, afinal, é diferente de consumir arte. E, enquanto perpetua essa lógica de produto, nossa cena deixa aberta a oportunidade de contemplar trabalhos institucionais ou conceituais, que abram espaço e formem demanda. Arte é mais que pintura e escultura, mesmo que o mercado brasileiro ainda não dê essa impressão.
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