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Para além das coleções permanentes recheadas de Van Goghs e Monets, os museus da capital francesa também terão uma oferta de exposições temporárias bem relevante e interessante para este ano

Junto a Londres e a Nova York, Paris se afirma como uma das grandes capitais da arte mundial. Isso está relacionado a diversos fatores. À presença de artistas residentes, às negociações de obras e às cifras ligadas ao mercado de arte local, por exemplo. Além disso, há, é claro, à oferta nada desprezível de museus na metrópole francesa.
Nesse sentido, as coleções permanentes das instituições já justificam os preços do ingresso. Van Goghs, Picassos, Renoirs e Matisses são figurinhas carimbadas. Você poderia passar dias inteiros no Louvre e ainda não conhecer o acervo completo — que é bem mais plural do que a “Mona Lisa”. Claude Monet, aliás, fez as Nenúfares para o Musée de l’Orangerie idealizando justamente que os visitantes passassem horas contemplando-as.
Só que é através das exposições temporárias que você pode ir além e conhecer artistas fora do acervo fixo. Ou mesmo observar coleções já existentes através de outro ângulo.
E, nesse contexto, Paris também não deixa a desejar. Seja para revisitar as salas e rever as pinturas já conhecidas, ou para explorar novas curadorias, a cidade borbulha com programações artísticas interessantes.
O Museu da Vida Romântica é um museu constantemente ignorado nos circuitos turísticos clássicos. Ele se esconde em um dos arrondissements mais ativos da cidade, o 9º. No entanto, é uma pequena instituição ideal para quem quer descobrir o “lado B” da capital francesa.
Em fevereiro, exatamente no dia dos namorados francês (o Saint Valentin), ele reabre com uma exposição dedicada a Paul Huret. O pintor é considerado precursor da “paisagem romântica” e sua obra inspirou os Impressionistas posteriormente.
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O museu ficou pouco mais de um ano em reforma para se adaptar às demandas de acessibilidade. Além disso, ganhou meios para possibilitar exposições mais imersivas e com toque mais tecnológico. Se a fachada, preservada dos anos 1830, der a sensação de déjà vu, não estranhe: ela lembra mesmo a casa de Claude Monet em Giverny.

Preço dos ingressos: Gratuito
Desde que reabriu expondo a Coleção Pinault, a Bourse de Commerce consolidou seu nome no roteiro cultural de Paris com suas exposições de arte contemporânea. Embora ainda não tenha entrado no circuito mainstream, sob gestão do grupo Kering, a Bourse já começa a viver um certo hype.
A partir de março, o local recebe uma exposição cujo objetivo é brincar com o jogo de luzes dentro do espaço. A cúpula iluminada e o pé-direito alto já fazem metade do trabalho na mostra Clair-obscur, que vai recuperar o conceito italiano de chiaroscuro, característico em obras barrocas do século 16.
Com um teto-domo que impressiona por si só, é de se esperar que a exposição consiga cumprir bem seu objetivo.

Preço dos ingressos: 15 euros (R$ 93)
Atualmente, ele é um artista francês queridinho para estampar quadros decorativos e livros de mesa de centro. Mas, em seu tempo, Henri Matisse entrou para a história da arte em seus últimos anos de vida. Foi perto dos 1980 anos que ele começou a trabalhar com a técnica que o tornaria reconhecido, e reconhecível, décadas depois de sua morte.
Uma nova exposição no magnífico Grand Palais se concentra justamente nesta última fase da carreira do artista. E o faz através de mais de 230 obras, incluindo a série mais famosa Nus bleus.
A partir do dia 24 de março, a instituição que fica na ponta da Champs-Elysées vai recriar o ateliê de Matisse em diversas salas. A promessa é de uma “atmosfera vibrante, em constante metamorfose”.

Preço dos ingressos: 19 euros (R$ 118)
Auguste Renoir foi conhecido como um “pintor da alegria”, um traço bem revolucionário em um período em que a melancolia e a introspecção eram mais privilegiadas na representação artística.
Um dos quadros que representa bem isso é o “Bal du moulin de la Galette” (“O Baile no Moinho da Galette”) (1876), que celebra 150 anos este ano. Ele é um dos carros-chefes do acervo do Musée d’Orsay.
Mas se o Orsay já é um deleite para os fãs do Impressionismo, então a partir de março, ele vai ganhar um toque ainda mais atrativo. Isso porque, além das obras da coleção permanente, a exposição Renoir et l’amour vai trazer dezenas de outras pinturas do artista. São trabalhos oriundos de outros museus, como “La Grenouillère” (1869), de Estocolmo, e “La Danse à Bouvigal” (1883), de Boston.

Preço dos ingressos: 16 euros (R$ 99)
O Musée de l’Orangerie não se resume às duas salas gigantescas. Nem mesmo às paredes cobertas pelas Nenúfares de Monet, embora estas sejam as obras mais impressionantes do acervo fixo.
No primeiro semestre de 2026, outro artista francês vai dividir espaço com o impressionista — em outras salas do Orangerie, evidentemente. Trata-se de Henri Rousseau, cuja obra se destaca pelo retrato da natureza com toques bem tropicais.
A exposição é fruto de uma parceria com a Fundação Barnes na Filadélfia, nos Estados Unidos. O que poderia ser só mais uma prática comum entre instituições artísticas é na verdade um aceno à relação bem produtiva entre o marchand francês Paul Guillaume e o colecionador americano Albert Barnes, que comprou 18 quadros de Rousseau, intermediados por Guillaume.
Uma das obras de destaque da exposição é “La Bohémienne endormie” (1897), que originalmente fica no Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York.

O apreço do Museu do Louvre por artistas do Renascimento italiano já é mais do que conhecido. Mas não é Leonardo da Vinci o nome por trás de uma das exposições mais cheias de expectativa do museu francês para 2026, e sim Michelangelo.
A instituição já tem uma sala com o nome do italiano, a Galerie Michel-Ange, que abriga esculturas italianas produzidas entre o século 16 a 18.
Para meados de abril, porém, o Louvre vai colocar as obras do renascentista face a face às de um artista francês cujas esculturas também se tornaram célebres: Auguste Rodin. Serão cinco seções na mostra para pensar arte da escultura a partir de dois nomes célebres.
Para visitá-la, no entanto, os visitantes vão ter que desembolsar um valor ainda mais substancial agora em 2026, após o aumento no preço dos ingressos.

Preço dos ingressos: 32 euros (R$ 200)
Nos anos 1920, a americana Lee Miller fez algo praticamente impensável para as mulheres da época: foi de modelo à fotógrafa. Em 1942, foi inclusive fotógrafa correspondente da Segunda Guerra Mundial, ainda por cima. Mas seus trabalhos residem também no campo da moda e da fotografia surrealista.
De musa à artista, Miller teve uma carreira plural e internacional, que será homenageada a partir de abril no Museu de Arte Moderna de Paris.
Em quase 250 registros, incluindo alguns inéditos, a americana faz as vezes tanto de modelo queridinha dos fotógrafos surrealistas dos anos 20, como Man Ray, quanto de fotógrafa, responsável por capturar, aliás, o cotidiano de enfermeiras e aviadoras nos campos de guerra.

Preço dos ingressos: 17 euros (R$ 106)
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