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COLEÇÃO GOUDSTIKKER

O ‘Indiana Jones’ do mundo das artes ataca novamente: detetive holandês localiza obra roubada pelos nazistas

Detetive conhecido por encontrar obras de arte roubadas ou desaparecidas localiza pintura saqueada por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial

Ilustração de um detetive buscando pelo retrato de uma jovem
O holandês Arthur Brand é considerado o "indiana Jones" do mundo das artes. Imagem: gerada pelo Copilot

Arthur Brand é conhecido no mundo das artes por solucionar mistérios envolvendo obras desaparecidas. Nascido na Holanda, o detetive talvez preferisse ser comparado com Sherlock Holmes, mas é considerado por muitos o “Indiana Jones” do mundo das artes.

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Seja como for, o próprio Arthur Brand qualificou sua mais recente descoberta como a mais importante de sua carreira. Ele acaba de encontrar em sua terra natal um quadro roubado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

A obra em questão é “Retrato de uma Jovem”, de Toon Kelder. O quadro passou as últimas décadas pendurado na parede da sala dos descendentes de um colaborador nazista sem que eles tivessem ideia da importância da obra.

A pintura agora integra a lista de peças recuperadas por Brand, que inclui obras de artistas como Picasso e Van Gogh, as estátuas de bronze conhecidas como Os Cavalos de Hitler e outros itens históricos.

A relevância do “Retrato de uma Jovem” na carreira de Brand reside no fato de o quadro integrar o acervo do falecido marchand judeu Jacques Goudstikker, dono da chamada coleção Goudstikker.

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O Indiana Jones das artes desaparecidas

Arthur Brand construiu uma carreira incomum. Sem ligação oficial com a polícia, ele atua de forma independente em investigações sobre peças roubadas ou desaparecidas.

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A maior parte de sua fonte de renda vem de seu trabalho formal. Como consultor de arte, Brand auxilia seus clientes a verificar a autenticidade das obras de arte que possuem ou pelas quais se interessam.

Já as investigações de Brand costumam partir por iniciativa própria. Ele arca com os custos e raramente recebe uma recompensa financeira em casos de sucesso.

Em entrevista ao The Guardian, em 2023, Brand conta que muito do seu trabalho como detetive envolve, além de pesquisa, ficar por dentro das fofocas que circulam entre os criminosos que integram sua rede de informantes. O holandês afirma que zelar pelo sigilo de suas fontes é uma das partes mais importantes para seu sucesso.

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Ainda de acordo com ele, o mercado de arte ilegal é muito pequeno, coabitado por um grupo muito restrito de pessoas.

“Em muitos casos, (artefatos) vão de uma mão para outra no mundo do crime como moeda de troca [...] Se não tem retorno, eles queimam. É por isso que eu tento construir uma relação pessoal com essas pessoas, para caso eles escutem algo, poderem me repassar”.

A coleção Goudstikker

De acordo com Brand sua mais recente descoberta não se equipara a nenhuma outra de suas anteriores. Dessa vez, o detetive encontrou uma peça cujo paradeiro era desconhecido havia mais de 80 anos.

O “Retrato de uma Jovem”, do artista holandês Toon Kelder, pertencia à coleção Goudstikker. O quadro foi roubado há mais de 80 anos, em meio à Segunda Guerra Mundial.

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Um dos principais negociantes de arte de sua época, Jacques Goudstikker, um judeu holandês, morreu tentando escapar da invasão alemã. Logo após o acontecimento, sua vasta coleção de mais de mil obras de artes foi saqueada pelos nazistas.

Um inventário de seu acervo foi preservado. O documento ajuda até hoje na busca de décadas de seus descendentes para restituir as obras perdidas.

Como o detetive chegou ao quadro roubado

O caso caiu no colo de Arthur Brand quando um homem entrou em contato com ele depois de descobrir que a obra de arte estava em poder de sua família havia décadas.

O informante, que deseja permanecer anônimo, seria descendente de Hendrik Seyffardt, general que comandou uma Legião de Voluntários Holandeses que apoiou Hitler contra os Aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

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De acordo com a fonte, o retrato estava pendurado no corredor da casa da neta de Seyffardt.

Após receber as pistas, Brand iniciou uma investigação paralela. Ele constatou que a obra tinha nas costas de seu cavalete uma etiqueta de Goudstikker e o número “92” encravado.

Brand então consultou registros de um leilão realizado em 1940, no qual diversas peças da coleção Goudstikker foram vendidas após a ocupação nazista dos Países Baixos.

Nos arquivos, o item 92 correspondia justamente à obra “Retrato de uma Jovem”.

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A principal hipótese levantada pelo detetive é que Seyffardt tenha adquirido a pintura naquele leilão e que ela tenha permanecido com a família desde então.

Com a situação exposta ao público, a família se mobilizou. De acordo com o jornal Dutch Daily, houve uma discussão entre os familiares sobre se deveriam devolver a pintura ou não.

Ao mesmo jornal, uma descendente de Seyffardt alegou desconhecer a origem da peça até a descoberta de Brand. “Eu recebi (o quadro) da minha mãe. Agora que sou confrontada assim, entendo que os herdeiros de Goudstikker querem a pintura de volta.”

Em casos como esse, tanto a polícia como o Comitê de Restituição Holandês, que analisa reivindicações de obras saqueadas por nazistas, não têm jurisdição para obrigar o retorno da pintura, dado que os prazos legais expiram.

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Outras descobertas

Apesar de Brand afirmar que ter encontrado o “Retrato de uma Jovem” ter sido uma de suas maiores descobertas, não é a primeira vez que ele recupera grandes obras perdidas há décadas.

Entre alguns de seus sucessos, é possível citar a vez que recuperou a obra Buste de Femme (1983), avaliada na época que foi encontrada no valor de € 25 milhões.

Picasso pintou uma série de quadros intitulados Buste de Femme, ou busto de mulher se traduzido. A versão de 1983 era um retrato de Dora Maar, musa e amante do pintor, que expôs essa obra na própria casa até sua morte.

A pintura havia sido roubada do iate de um xeque árabe em 1999, enquanto o barco estava ancorado na Riviera Francesa.

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Em outra ocasião, Brand encontrou um anel perdido de Oscar Wilde. Quando foi retornar à Magdalen College, uma das faculdades de Oxford, a instituição se recusou a receber alegando erroneamente que seria uma versão falsa, por conta da posição de uma inscrição na joia.

Confiante na descoberta, o detetive fez uma pesquisa por registros históricos e encontrou uma carta na qual Wilde mencionava a inscrição na parte de fora do anel, assim como na peça que havia encontrado.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi

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