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Após vencer o GP da Espanha, piloto apareceu com um modelo limitado que mistura alta relojoaria, Fórmula 1 e engenharia de supercarro

Lewis Hamilton voltou ao topo do pódio na Fórmula 1. Neste domingo (14), o heptacampeão venceu o Grande Prêmio da Espanha no Circuito de Barcelona-Catalunha, garantindo seu primeiro triunfo pela Ferrari. A vitória encerrou um jejum pessoal de quase dois anos sem vencer uma corrida principal e ainda isolou o britânico como o maior vencedor da história do GP espanhol, com sete triunfos. No pódio, dividido com George Russell (Mercedes) e Lando Norris (Ferrari), outro detalhe chamou atenção: o relógio de luxo usado pelo piloto.
Trata-se do relógio Richard Mille RM 43-01, segunda colaboração entre a maison suíça e a escuderia italiana.

A edição é limitada a apenas 150 unidades, sendo 75 peças em titânio e outras 75 inteiramente em Carbon TPT, material extremamente leve exclusivo da marca suíça.
A exclusividade vem acompanhada de uma cifra milionária. Segundo a revista especializada MyWatch, o RM 43-01 na versão de titânio custa 1,15 milhão de francos suíços e CHF 1,35 milhão na versão em Carbon TPT — o equivalente a cerca de R$ 7,4 milhões e R$ 8,6 milhões, respectivamente.
No mercado secundário, modelos podem ultrapassar os R$ 13 milhões, de acordo com o Chrono24.
O RM 43-01 é um relógio manual com turbilhão, isto é, mecanismo de alta relojoaria criado para aumentar a precisão. Além disso, apresenta um cronógrafo rattrapante, função que permite cronometrar dois tempos ao mesmo tempo.
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Ao todo, o modelo reúne 514 componentes e foi desenvolvido em parceria com a Audemars Piguet Le Locle. A reserva de marcha é de cerca de 70 horas, sem o cronógrafo em funcionamento. Já a caixa tem o formato tonneau: silhueta em forma de barril que se tornou uma das marcas registradas da Richard Mille.

A conexão com a Ferrari também aparece nos detalhes internos do relógio. O desenho em “X” de algumas peças do movimento foi inspirado na arquitetura dos motores da escuderia, com o objteivo de garantir mais rigidez e resistência. Até os parafusos fazem referência ao universo automotivo: além dos tradicionais parafusos da Richard Mille, o modelo usa peças que remetem às tampas dos motores da Ferrari.

A escolha dos materiais reforça essa aproximação com o universo automotivo. O titânio grau 5, liga usada nas indústrias aeroespacial, aeronáutica e automotiva, é conhecido pela leveza, rigidez e resistência à corrosão. Portanto, o RM 43-01 foi testado para resistir a choques de 5.000 vezes a força da gravidade — um feito incomum para uma peça de alta relojoaria tão complexa.
A colaboração entre Richard Mille e Ferrari não é nova — mas segue restrita a um universo de colecionadores e bilionários que preferem uma marca menos óbvia aos nomes tradicionais da relojoaria de luxo, como é o caso da Rolex.
Antes do RM 43-01, a Richard Mille já havia produzido para a Ferrari o RM UP-01, relógio ultrafino lançado em 2022, em edição limitada de 150 peças. O modelo chamou atenção por ser o relógio mecânico mais fino do mundo, com apenas 1,75 mm de espessura total.

O preço também era digno de Ferrari: o RM UP-01 custava inicialmente cerca de 1,7 milhão de francos suíços (sem impostos). Isto é, cerca de R$ 10,8 milhões.
Antes disso, porém, a relojoaria suíça já havia se conectado à Fórmula 1 por meio de ninguém menos que Felipe Massa. Em 2004, a Richard Mille lançou o RM 006 Tourbillon Felipe Massa, criado em homenagem ao piloto brasileiro, então um dos nomes em ascensão no grid.
Produzido em edição limitada de somente 25 unidades, o modelo pesa 43 gramas, incluindo a pulseira, e foi o relógio mecânico com turbilhão mais leve de sua época.

Fundada oficialmente em 1999 pelo francês Richard Mille, a marca apresentou seu primeiro relógio, o RM 001, em 2001. Desde então, construiu uma reputação baseada em três pilares: arquitetura futurista, inovação técnica e materiais de altíssima performance.
Antes de criar a própria maison, Mille passou por empresas como Finhor e Matra. Além disso, trabalhou em um projeto de relojoaria para a joalheria Mauboussin. Ao fundar a Richard Mille, contou com a colaboração da Audemars Piguet, uma das casas mais respeitadas da alta relojoaria suíça.
A marca ficou conhecida pelo formato tonneau, pelo maquinário aparente e pelo uso de materiais como titânio, carbono, safira e ligas inspiradas nas indústrias aeroespacial e automotiva. Mais do que medir as horas, um Richard Mille costuma funcionar como manifesto de status.
Não por acaso, a marca se tornou presença frequente no pulso de atletas, celebridades e empresários. Entre os nomes associados à maison estão Rafael Nadal, Pharrell Williams e Michelle Yeoh.
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