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Atriz, que interpreta Tarsila do Amaral nos palcos, detalhou os bastidores financeiros do espetáculo, os desafios para captar recursos e a operação que mobiliza uma equipe de 73 profissionais

Antes de a cortina se abrir, um musical exige meses de captação de recursos, negociações com patrocinadores, dezenas de profissionais e uma operação logística comparável à de uma empresa itinerante. No caso de Tarsila, A Brasileira, estrelado e produzido por Claudia Raia, manter essa estrutura custa cerca de R$ 700 mil por mês.
Os bastidores dessa indústria foram tema de um evento realizado nesta terça-feira (21) na B3, no centro histórico de São Paulo. Ao lado de Stephanie Mayorkis, diretora de operações da divisão de entretenimento da produtora IMM, e de Janaína Vilella, diretora de comunicação e sustentabilidade da Bolsa, Claudia Raia participou da tradicional cerimônia do toque da campainha, que marcou a abertura oficial da nova fase de circulação do musical.
Produzido e estrelado por Raia, o espetáculo estreou em 2024 e já foi assistido por mais de 140 mil pessoas. Agora, inicia uma turnê nacional, que deve passar por sete cidades brasileiras até o início de 2027, além de novas temporadas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Para Claudia Raia, porém, o maior obstáculo de um musical não está na estrada, mas antes mesmo da estreia. Durante o encontro na B3, a atriz explicou como funciona a captação de recursos via Lei Rouanet, tema que, segundo ela, ainda é cercado por desinformação.
"Tem gente que prefere não entender como funciona a Lei Rouanet. Você manda o seu projeto para o Ministério da Cultura, que avalia e devolve a possibilidade de captar. Depois, você pega o projeto debaixo do braço, algo que eu faço pessoalmente, e vai atrás dos patrocinadores para ver quem acredita naquele projeto. É uma peregrinação", contou a atriz durante o evento.
"Não é uma brincadeira." Na avaliação da artista, sem esse modelo de incentivo, grande parte das produções nacionais deixaria de existir. "Se a Lei Rouanet acabar, acabam também as produções de teatro musical."
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Segundo Claudia Raia, o convite para viver Tarsila nos teatros surgiu durante a pandemia, em uma ligação de Tarsilinha do Amaral, sobrinha-neta da pintora. A atriz, porém, aceitou produzir o musical com uma condição: mostrar uma faceta menos conhecida da artista.
"Eu precisava contar o lado B da Tarsila. Ela é conhecida como a diva do modernismo, a musa inspiradora das artes plásticas. Mas quase ninguém conhece a mulher que sofreu, perdeu e viveu grandes paixões."
Essa perspectiva também orienta a dramaturgia do espetáculo, inclusive. O enredo não se concentra apenas na Semana de Arte Moderna de 1922, mas acompanha a trajetória da pintora desde seu retorno de Paris ao Brasil, sua aproximação com o Grupo dos Cinco (formado por Anita Malfatti, Mário de Andrade, Menotti del Picchia e Oswald de Andrade), o nascimento do Movimento Antropofágico e sua intensa relação com Oswald.
Quem, inclusive, interpreta Oswald de Andrade no musical é Jarbas Homem de Mello, marido de Claudia Raia. Além disso, o elenco conta com Keila Bueno, Dennis Pinheiro e Ivan Parente.
Raia ainda revelou que o musical apresenta uma interpretação da criação do Abaporu, obra mais conhecida de Tarsila. "O Abaporu, para nós, foi um autorretrato que ela pintou para o Oswald. Ela buscava inspiração, ficou nua diante de um espelho que deformava a imagem e viu aquela figura. No espetáculo, o sol representa os olhos do Oswald e o cacto faz referência à intimidade dos dois."

Segundo um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) encomendado pela Sociedade Brasileira de Teatro Musical (SBTM), o teatro musical movimentou R$ 1,1 bilhão na economia paulistana em 2023, considerando impactos diretos e indiretos, uma alta de 8,9% em relação a 2019, antes da pandemia.
Embora o público enxergue apenas o que acontece sobre o palco, a operação de um musical se assemelha à de uma empresa. Segundo Stephanie Mayorkis, o impacto econômico do setor vai muito além da venda de ingressos.
"O teatro musical movimenta praticamente todas as linhas da economia. Também gera oportunidades para milhares de trabalhadores de base: técnicos, camareiras, costureiras, maquiadores, cabeleireiros, peruqueiros. É muita gente que vive hoje do teatro musical", conta Mayorkis.
A executiva afirmou ainda que o Brasil disputa atualmente com o México a posição de terceiro maior mercado de produção de teatro musical do mundo. Atrás apenas dos Estados Unidos e Reino Unido. No caso de Tarsila, A Brasileira, essa estrutura envolve uma equipe de 73 pessoas, entre elenco, músicos, técnicos e profissionais responsáveis por cenografia, iluminação, figurino, maquiagem e produção.
"O Brasil é um país muito grande e não é fácil viajar com uma caravana de 73 pessoas", afirmou Claudia Raia ao comentar a logística da turnê, que passará por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife e Salvador.
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