De fenômeno geotérmico a negócio milionário: o spa da Islândia que quer abrir capital
Principal atração turística da Islândia, a Blue Lagoon, recebe cerca de 1 milhão de visitantes por ano e pretende estrear na bolsa em novembro

Um banho em águas azul-turquesa, cercado por campos de lava e paisagens vulcânicas. A experiência oferecida pelo Blue Lagoon, um dos destinos de bem-estar mais conhecidos do mundo, atrai cerca de 1 milhão de visitantes por ano à Islândia. Agora, a empresa responsável pelo complexo quer transformar essa popularidade em uma oportunidade para o mercado financeiro.
A Bláa Lónid hf., companhia por trás do spa geotérmico, aprovou uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) e pretende estrear no mercado principal da Nasdaq Iceland em novembro. A decisão foi aprovada pelos acionistas em 30 de outubro e permitirá que investidores institucionais e pessoas físicas participem da oferta.
O plano, porém, chega depois de um período turbulento para o negócio. A empresa já se preparava para abrir o capital em 2022, mas adiou os planos diante de uma sequência de erupções vulcânicas na península de Reykjanes, onde fica a atração. A atividade sísmica provocou evacuações, restrições de acesso e interrupções nas operações entre o fim de 2023 e meados de 2025.
Apesar dos episódios, a lagoa e suas instalações não sofreram danos diretos provocados pela lava. Para proteger o complexo, as autoridades e a empresa construíram barreiras de terra na região.
O negócio por trás das águas azuis
Diferentemente de spas construídos para aproveitar fontes termais naturais, a lagoa surgiu como consequência da produção de energia geotérmica na usina de Svartsengi.
Na década de 1980, a água quente descartada pela usina formou um reservatório nas proximidades. Moradores começaram a frequentar o local para tomar banho, e a combinação entre a água azulada e a paisagem de rochas vulcânicas acabou dando origem a uma atração turística.
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A tonalidade característica vem da composição da água, rica em sílica, algas e minerais. Com o tempo, o espaço ganhou infraestrutura para receber visitantes e se consolidou como um dos principais cartões-postais da Islândia.
Além da lagoa, o grupo reúne negócios de hospedagem, experiências de bem-estar e produtos para cuidados com a pele. Um dos destaques é o The Retreat, hotel de luxo integrado ao complexo, que oferece acomodações, tratamentos de spa e acesso a áreas exclusivas da lagoa.
A hospedagem custa a partir de 420 mil coroas islandesas por duas diárias, o equivalente a aproximadamente R$ 18.786. O hotel exige reserva mínima de duas noites.

Erupções vulcânicas interromperam os negócios
A localização, que ajuda a construir o apelo turístico do Blue Lagoon, também representa um desafio operacional. O complexo fica próximo de Grindavík, cidade atingida por uma série de eventos vulcânicos na península de Reykjanes.
Desde dezembro de 2023, a região passou por sucessivas erupções. Em diferentes ocasiões, as autoridades determinaram a evacuação do spa por precaução, levando a empresa a suspender temporariamente as atividades.
Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em novembro de 2024. A lava atingiu o estacionamento de visitantes e parte da estrada de acesso, embora as barreiras de proteção tenham preservado as principais instalações do complexo.

O impacto apareceu também nos resultados financeiros. Segundo os dados do grupo, a receita caiu de 140 milhões de euros em 2023 para 115 milhões de euros em 2024. No ano seguinte, com menos interrupções nas atividades, o faturamento voltou a crescer.
Em 2025, a receita consolidada alcançou 156,1 milhões de euros, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) chegou a 29,4 milhões de euros. O lucro operacional foi de 6,6 milhões de euros.
A recuperação, portanto, ajuda a contextualizar o momento escolhido para retomar os planos de abertura de capital. Ainda assim, a proximidade de uma área de atividade vulcânica permanece como um fator de risco para a continuidade das operações.

Funcionários também poderão comprar ações
A operação, aliás, prevê ainda um programa de opções de compra de ações destinado aos cerca de 700 funcionários permanentes do grupo.
Pelo plano aprovado pelos acionistas, cada colaborador poderá adquirir até 1,5 milhão de coroas islandesas em ações por ano, durante cinco anos, entre 2028 e 2032. O valor equivale a aproximadamente US$ 12,3 mil por ano, segundo a companhia.
A iniciativa busca ampliar a participação dos funcionários na empresa justamente no momento em que o grupo pretende abrir espaço para novos investidores no mercado de capitais.
A estreia na bolsa também representa uma nova etapa para um negócio que transformou um reservatório formado pela atividade industrial geotérmica em uma das experiências turísticas mais reconhecidas da Islândia.
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