Testamos o Ammortal Chamber: 25 minutos na máquina de US$ 170 mil que promete longevidade
Equipamento combina luz vermelha e infravermelha, campos eletromagnéticos, hidrogênio molecular e terapia sonora em uma sessão que virou atração em spas de luxo nos Estados Unidos

“Câmara Imortal”. O nome da máquina favorita dos biohackers e atletas de elite não soa presunçoso à toa. Por quase US$ 170 mil, o equipamento une diferentes tecnologias de bem-estar em uma única sessão e promete contribuir para a longevidade, acelerar a recuperação do corpo, melhorar o desempenho físico e promover o equilíbrio entre corpo e mente.
O Seu Dinheiro testou a Ammortal Chamber no Spa Palmera, localizado no complexo hoteleiro de luxo The Boca Raton, na Flórida. A máquina combina cinco modalidades: fotobiomodulação com luz vermelha e infravermelha, campos eletromagnéticos e elétricos, inalação de hidrogênio molecular, terapia vibroacústica e meditação guiada com exercícios respiratórios.
O preço acompanha a ambição. Uma unidade custa US$ 169.500, cerca de R$ 850 mil. Disponível em mais de 40 spas médicos e centros de bem-estar nos Estados Unidos, uma sessão pode custar de US$ 115 a US$ 165. Mas o que acontece, afinal, quando você se deita nessa espécie de cápsula futurista?
Um funcionário do Spa Palmera me acompanha até uma sala escura no segundo andar. O ambiente ajuda a criar a expectativa de que estou prestes a experimentar alguma tecnologia secreta desenvolvida para astronautas. A máquina, com sua estrutura translúcida e iluminação própria, parece um objeto de cenário de ficção científica.

Uma sessão que parece saída de um filme de ficção científica
Antes de começar, recebo um tablet para escolher o programa. Entre as opções mais clicadas estão o Recovery, voltado à recuperação e ao relaxamento, e o Energise, pensado para quem busca uma sensação de disposição. Optei pelo Recovery, que prometia ajudar a recuperar quaisquer danos - exatamente o que eu precisava.
O funcionário explica que posso retirar o roupão e permanecer em roupa de banho. Em seguida, mostra como posicionar os óculos de proteção para os olhos e cânula nasal por onde é administrado o hidrogênio molecular.
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Deito-me na superfície inclinada da câmara, que lembra uma poltrona de piloto de nave espacial. Depois de ajustar os equipamentos, aperto o botão para iniciar a sessão.
As luzes vermelhas e infravermelhas acendem sobre o corpo. A parte superior da estrutura se aproxima lentamente, deixando as fontes luminosas a uma curta distância da pele. O calor é perceptível. Por alguns instantes, a sensação pode ser um pouco claustrofóbica, mas é passageira quando se vê as laterais abertas, o que permite sair da máquina a qualquer momento, se necessário.

Então começa o som. A superfície da máquina vibra em diferentes frequências, produzindo uma sensação que eu descreveria como ter uma caixinha de som instalada dentro do meu tórax. Não é exatamente uma música ambiente, tampouco uma massagem convencional. É a chamada terapia vibroacústica, que combina estímulos sonoros e vibrações mecânicas.
Ao mesmo tempo, inalo o hidrogênio pela cânula nasal. Uma voz suave vinda da máquina orienta minha respiração, conduzindo o exercício enquanto as outras tecnologias funcionam em conjunto. A parte boa é que tudo isso acontece enquanto permaneço imóvel, cercada por luzes e estímulos que não exigem nenhuma ação da minha parte.
Wellness é o novo luxo?
A Ammortal Chamber não surgiu em um mercado pequeno. O bem-estar deixou de ser apenas uma categoria associada a massagens, academias e alimentação saudável para se transformar em uma indústria que reúne turismo, beleza, saúde preventiva, atividade física, imóveis e experiências de luxo.
Segundo o Global Wellness Institute, a economia global do bem-estar movimentou US$ 6,8 trilhões em 2024, depois de crescer 7,9% em relação ao ano anterior. A estimativa da entidade é que o mercado alcance US$ 9,8 trilhões em 2029. Os Estados Unidos, principal mercado nacional, responderam por US$ 2,1 trilhões em 2024.
Nesse segmento, a ambição é otimizar o corpo. ou melhor, se tornar um super-humano: acelerar a recuperação depois do exercício, controlar o estresse, melhorar o sono e preservar a capacidade física com o passar dos anos e aumentar a longevidade – a nova obsessão do mercado.
No The Boca Raton, funcionários do spa me contam que a Ammortal Chamber atrai executivos e atletas de beisebol e futebol americano que frequentam o complexo. É um público para o qual alguns minutos de recuperação podem parecer tão valiosos quanto uma sessão de treinamento, e o custo elevado do tratamento não é um obstáculo.

De um jantar em Buenos Aires a uma máquina de US$ 170 mil
Em entrevista ao The Hollywood Reporter, o fundador e CEO Brian Le Gette contou que a inspiração para desenvolver a máquina surgiu durante um jantar em Buenos Aires, enquanto conversava com um colega empreendedor que recorria a terapias de campo eletromagnético pulsado e luz vermelha para tratar articulações lesionadas de lutadores de MMA.
Ele pensou: por que não reunir diferentes modalidades em um único equipamento, em vez de fazer o consumidor procurar cada terapia separadamente? A empresa, sediada em Asheville, na Carolina do Norte, desenvolveu a Chamber para combinar esses estímulos em uma experiência guiada. O produto foi lançado em 2023 e passou a ser oferecido em centros de bem-estar e spas de alto padrão.
A versão comercial reúne luz vermelha de 660 nanômetros e infravermelha próxima de 850 nanômetros, campos elétricos e eletromagnéticos, hidrogênio molecular, vibrações sonoras e exercícios respiratórios conduzidos por voz. A empresa descreve a combinação como uma forma de ajudar o organismo a sair do estado de alerta associado à resposta de luta ou fuga e entrar em um estado mais favorável ao relaxamento e à recuperação.
"A sinergia dessas modalidades cria uma experiência agradável e restauradora, que é maior do que a soma de suas partes. Seja para se recuperar do estresse diário ou para melhorar seu bem-estar a longo prazo, a Ammortal Chamber é a maneira mais rápida de reiniciar, recarregar e rejuvenescer seu corpo, mente e espírito - ajudando você a parecer, sentir e desempenhar melhor."

Afinal, vale a pena?
Depois de 25 minutos na Ammortal Chamber, é fácil dizer que me senti relaxada como se tivesse passado uma hora meditando. Mas ainda é difícil é afirmar que, com apenas uma sessão, meu corpo realmente se recuperou de algum dano, ou que houve melhora no meu desempenho físico e, menos ainda, que a experiência contribuiu para a minha longevidade.
A própria fabricante classifica o equipamento como um dispositivo de bem-estar, e não como um produto médico. Embora as tecnologias reunidas na câmara tenham sido estudadas individualmente, ainda faltam evidências clínicas robustas que comprovem a eficácia da combinação oferecida pela Ammortal.
Para quem pode desembolsar com folga US$ 165 por sessão, a experiência pode valer a pena, especialmente para quem pode fazer mais sessões. Mas, vejo o Chamber apenas como um complemento da rotina saudável, e não como uma tecnologia que vai resolver todos os seus problemas.
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