O trunfo do Brasil que está no radar de Trump — e as 3 ações para monitorar antes do ‘boom’ das terras raras
A China domina o segmento dos minérios indispensáveis para fazer de smartphones até mísseis inteligentes, mas o Brasil ocupa o segundo lugar e pode se beneficiar com o “degelo” nas relações com os EUA

Imagine que o Brasil é dono de um bilhete premiado da loteria, mas o prêmio está guardado em um cofre cuja chave é difícil de acessar. É mais ou menos assim que o País se posiciona com relação às terras raras — minerais que não são exatamente raros como diz o nome técnico, mas são indispensáveis para tudo o que o futuro exige: do seu smartphone de última geração aos motores de carros elétricos e mísseis inteligentes.
O “bilhete premiado” do Brasil é de encher os olhos: o País detém aproximadamente 23% das reservas globais de terras raras, ocupando o segundo lugar no ranking mundial, atrás apenas da China.
E mais do que volume, o Brasil também tem qualidade. O perfil geológico brasileiro é favorável, com depósitos de argila iônica que facilitam a extração e são ricos nas chamadas "terras raras pesadas".
No entanto, o setor ainda engatinha, segundo o BTG Pactual, por alguns motivos:
- Falta de financiamento robusto;
- Licenciamentos ambientais complexos — o caso da Serra Verde levou 15 anos;
- Infraestrutura de processamento limitada;
- Mapeamento geológico restrito a apenas 30% do território nacional.
De acordo com os analistas Leonardo Correa e Marcelo Arazi, se o Brasil conseguir reduzir a burocracia e expandir o mapeamento, o título de superpotência pode virar realidade.
“Se os prazos para licenciamento puderem ser reduzidos e o mapeamento geológico expandido, o Brasil poderia realisticamente se tornar uma ‘superpotência’ de terras raras”, diz a dupla.
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O radar dos investidores nas ações
A tese de investimento ganha um tempero geopolítico com o recente "degelo" diplomático entre os presidentes Donald Trump e Lula.
Washington está com pressa. O objetivo é o chamado de-risking: diminuir a dependência de fornecedores externos e garantir cadeias de suprimento seguras.
Os EUA não querem apenas o minério bruto; querem financiar o processamento por aqui, utilizando instituições como o International Development Finance Corporation (DFC) e o Ex-Im Bank, repetindo o modelo de cooperação que já possuem com a Austrália.
A Europa não fica atrás: Bruxelas já discute investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras brasileiros.
No mercado, o radar dos investidores já está ligado em nomes específicos que podem surfar essa onda, segundo o BTG.
- Serra Verde: atualmente opera a única mina em atividade no Brasil e já garantiu um aporte de peso: US$ 465 milhões via International Development Finance Corporation (DFC) dos EUA.
- Aclara: oferece uma exposição estratégica e consolidada para quem busca segurança.
- Viridis: a aposta de maior risco e maior retorno, vista como uma oportunidade de entrada em estágio inicial (early stage).
A China olha pelo retrovisor
A urgência das negociações entre Brasil e EUA é explicada pela hegemonia da China, que atualmente controla cerca de 60% da mineração global e mais de 90% da capacidade de processamento de terras raras.
Esse controle dá ao país asiático uma dominância absoluta na fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, sistemas de defesa e eletrônicos avançados.
Não à toa, a relação entre China e EUA nesse setor é de alta tensão estratégica, uma vez que as terras raras deixaram de ser apenas uma questão de mercado para se tornarem uma prioridade na agenda geopolítica.
Para os EUA, a segurança do suprimento desses materiais tornou-se uma prioridade, superando as variações de preço de curto prazo.
Nesse tabuleiro global, o Brasil desponta como a solução de longo prazo mais convincente.
“O País tem escala, qualidade geológica e, agora, o alinhamento político necessário para virar a chave”, dizem os analistas em relatório.
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