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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

CHOQUE DO BARRIL

O mapa do petróleo na América Latina: quem surfa a alta e quem paga a conta, segundo o Morgan Stanley

O banco avalia o choque da alta dos preços do petróleo na região e diz quem ganha, quem perde e como ficam inflação e juros no Brasil, na Argentina, na Colômbia, no Chile e no México; confira a análise

Carolina Gama
4 de março de 2026
14:30 - atualizado às 13:38
Imagem criada por IA mostra uma onda de petróleo, com barris, no mar
Imagem criada por inteligência artificial - Imagem: ChatGPT

A recente escalada dos preços do petróleo, impulsionada por tensões no Estreito de Ormuz, redesenhou o cenário de riscos e oportunidades para os investidores na América Latina. Segundo o Morgan Stanley, a região divide-se claramente em dois blocos: países que ganham e os que perdem com a escalada dos preços do barril. 

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Brasil, Colômbia e Argentina emergem como os vencedores, beneficiando-se da melhora nas contas externas e do fluxo de dólares via exportações.  

Na avaliação do banco, Chile e México aparecem como os perdedores relativos, enfrentando desde a deterioração das balanças comerciais até prejuízos fiscais causados por subsídios aos combustíveis. 

Considerando os extremos, enquanto o Brasil aproveita o fôlego extra nos royalties e dividendos da Petrobras (PETR4), o Chile aparece para o Morgan Stanley como a economia mais vulnerável ao choque, com impactos diretos no bolso do consumidor e no crescimento do Produto Interno (PIB). 

O saldo do choque* 

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País Saldo geral Benefício/prejuízo 
Brasil Positivo Salto de R$ 8 bilhões nas receitas fiscais
Colômbia Positivo Único país com alta expressiva no PIB (+0,4 pp) 
Argentina Positivo Reforço no superávit comercial de energia via Vaca Muerta 
México Negativo Custo fiscal de 0,35% do PIB para segurar preços na bomba 
Chile Negativo Queda no PIB e maior pressão inflacionária 
*Considerando o impacto da alta de 10% do barril. Fonte: Morgan Stanley 

Leia Também

Brasil: entre o alívio fiscal e a inflação 

O Brasil, que se tornou exportador líquido de petróleo em 2014, colhe frutos positivos nas contas externas e fiscais com a alta da commodity.  

Segundo o Morgan Stanley, um aumento de 10% nos preços do petróleo melhora a conta corrente em 0,17% do PIB. 

No campo fiscal, o impacto positivo estimado é de R$ 8 bilhões (0,06% do PIB), impulsionado por maiores receitas de royalties, dividendos da Petrobras e arrecadação de impostos corporativos.  

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Por outro lado, o consumidor sente o peso no bolso: a mesma alta de 10% deve acelerar a inflação em cerca de 32 pontos-base em 12 meses. 

“Por ora, esse risco de aceleração da inflação atrelado ao petróleo não altera nossa recomendação para que o Banco Central inicie o ciclo de afrouxamento monetário neste mês, com um corte de 50 pontos-base [pb] e continue o ciclo com cortes de 50 pontos-base até o final do ano”, diz o time de analistas liderado por Fernando D. Sedano.  

Para o crescimento do PIB, o efeito é levemente negativo, segundo o banco, devido à volatilidade que pode inibir investimentos. 

Argentina e Colômbia: os beneficiários 

A Colômbia aparece como o principal destaque positivo em termos de atividade econômica, segundo o Morgan Stanley.  

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Como exportadora, a alta de 10% do petróleo funciona como um choque de termos de troca favorável, apoiando o PIB em cerca de 40 pontos-base por meio de melhor renda e sentimento de investimento. 

“A inflação ainda acelera devido à precificação/repasse dos preços dos combustíveis no mercado interno, mas menos do que em regimes de preços mais livres”, dizem os analistas.  

As estimativas do banco sugerem uma aceleração de cerca de 25 pontos-base na inflação geral da Colômbia devido a um choque de 10% no preço do Brent, “o que é consistente com alguma suavização na dinâmica dos preços dos combustíveis no mercado interno”.  

Na Argentina, o petróleo mais caro reforça o papel do setor como motor de investimentos e exportações, especialmente com o aumento da produção em Vaca Muerta.  

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O Morgan Stanley estima um impacto positivo de 0,12% do PIB na conta corrente. O risco, contudo, mora na inflação, que pode acelerar entre 20 e 40 pontos-base em um mercado de combustíveis desregulamentado. 

Chile e México: o lado mais frágil 

O Chile é classificado pelo Morgan Stanley como a economia mais exposta da América Latina aos preços mais elevados do petróleo por conta do conflito do Oriente Médio.  

Sendo um importador líquido, o país sofre um choque negativo de termos de troca que pesa sobre o PIB — queda estimada entre 20 e 30 pontos-base — e sobre a inflação, com um repasse de 30 a 50 pontos-base devido à política de preços de paridade internacional. 

“As implicações monetárias de um choque no preço do petróleo não são simples, uma vez que dependem principalmente da intensidade e duração finais, mas, a priori, se o aumento for sustentado, acreditamos que o banco central do Chile poderá adotar uma abordagem mais cautelosa e manter o juro na reunião deste mês”, dizem os analistas.  

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Já o México apresenta um cenário de neutralidade no crescimento, mas com deterioração marginal nas contas externas e fiscais, segundo o Morgan Stanley. 

Vale lembrar que, embora seja produtor, o país é um importador líquido de energia (gasolina e gás natural).  

O impacto na inflação é contido — 9 pontos-base — devido à política de subsídios que limita o preço na bomba, mas, segundo o banco, isso gera um custo fiscal líquido de -0,13% do PIB, já que o ganho com royalties não compensa a perda na arrecadação de impostos sobre combustíveis. 

“Dito isso, preços mais altos do petróleo e um peso mexicano mais fraco, se prolongados, podem representar riscos para nossa previsão de uma retomada rápida  — um corte na reunião de 26 de março — do afrouxamento monetário pelo Banco do México”, afirmam os analistas.  

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