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Para o UBS Wealth Management, a tese não perdeu a força, mas encontra-se em uma encruzilhada; saiba o que fazer agora

Quem acompanha o mercado financeiro percebeu que a trajetória das ações ligadas à inteligência artificial (IA) deixou de ser uma linha reta de altas explosivas para enfrentar uma fase de maior turbulência e oscilação de preços.
Para o gigante suíço UBS Wealth Management (UBS GWM), a tese de investimentos em IA não perdeu a ímpeto, mas encontra-se em uma verdadeira encruzilhada alimentada pelo choque de duas forças opostas.
Segundo Ulrike Hoffmann-Burchardi, CIO para as Américas e head global de ações da instituição, a volatilidade atual reflete o contraste entre o avanço tecnológico super-exponencial e as barreiras físicas e regulatórias do mundo real.
Nas palavras da executiva, a inteligência artificial continua sendo a força de mercado mais consequente para a economia, a sociedade e a geopolítica global, de modo que os gargalos atuais funcionam como areia nas engrenagens — eles desaceleram e tornam a criação de valor mais linear, mas não têm o poder de descarrilar a tese no longo prazo.
Do lado do acelerador, a demanda por soluções computacionais segue aquecida por avanços práticos impressionantes demonstrados dia a dia.
No campo do desenvolvimento de softwares, por exemplo, a ferramenta de IA Cursor utilizou um único prompt para escrever um navegador web completo com 3 milhões de linhas de código, operando de forma autônoma por mais de uma semana.
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Na biotecnologia e na saúde, os ganhos de eficiência são igualmente expressivos: a tecnologia da empresa Lila dobrou a eficácia em terapêuticas de mRNA em relação aos métodos convencionais, enquanto a Insilico Medicine ingressou na fase III de testes clínicos com um medicamento totalmente descoberto por inteligência artificial para tratar a fibrose pulmonar idiopática.
Considerando que os investimentos mundiais em pesquisa e desenvolvimento giram em torno de US$ 4 trilhões anuais, a aplicação de ferramentas de IA nesses processos garante um retorno sobre o investimento elevado e sustenta uma busca insaciável por capacidade computacional.
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Entretanto, do lado do freio de mão, a infraestrutura física necessária para sustentar esse crescimento enfrenta limitações concretas na cadeia de suprimentos.
O primeiro grande gargalo envolve o licenciamento para a construção de novos data centers.
Nos Estados Unidos, a barreira não é a disponibilidade de terra, visto que cidades e infraestruturas pavimentadas ocupam apenas cerca de 5% do território norte-americano, mas sim a oposição política e popular local.
Atualmente, mais de 530 leis locais e restrições municipais bloqueiam ou congelam aprovações de novas licenças no país, tendência que deve ganhar força com o debate político das próximas eleições de meio de mandato (midterms) nos EUA.
Além dos entraves burocráticos, a capacidade de geração de energia elétrica e a conexão com a rede pública representam o componente com os maiores prazos de execução do setor.
Já no segmento de hardware, embora os chips tenham ciclos de vida curtos, a sua produção depende de equipamentos industriais altamente complexos — conhecidos como semiconductor capital equipment —, cujas cadeias de fabricação exigem prazos longos de produção.
Para completar o quadro de incertezas, o fator humano traz preocupações regulatórias e de cibersegurança, ilustradas pelo recente ataque à plataforma Hugging Face, considerado a primeira grande invasão cibernética executada do início ao fim de maneira autônoma por agentes de IA.
A mensagem do UBS GWM para o investidor é de serenidade e disciplina estratégica. As oscilações do mercado não devem ser interpretadas como o fim do ciclo da inteligência artificial, mas sim como um ajuste natural ao ritmo do mundo físico.
Por isso, o banco orienta os investidores a adotarem uma postura dinâmica na alocação da carteira, e diz que o verdadeiro campo de batalha e o maior gerador de valor financeiro no longo prazo será a camada de aplicações práticas da inteligência artificial.
Dentro desse segmento, a recomendação do UBS GWM é priorizar empresas dos setores farmacêutico e de biotecnologia que possuam bases de dados proprietárias, uma vez que a preservação da saúde é um bem inelástico ao preço e oferece proteção contra cenários de crise.
Simultaneamente, o banco sugere utilizar os momentos de correção de preços e realização de lucros no mercado — conhecidos como pullbacks — para acumular posições nas infraestruturas essenciais do setor, apelidadas de pás e picaretas da IA.
A instituição destaca como oportunidades atraentes os segmentos que apresentam o menor risco de substituição tecnológica, especificamente as empresas geradoras e transmissoras de energia elétrica, as fabricantes de chips de última geração (leading edge) e as fornecedoras de equipamentos fundamentais para a indústria de semicondutores.
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