Marco Rubio será presidente de Cuba? As novas ambições de Trump para a ilha
O secretário de Estado norte-americano nasceu na Flórida, mas é filho de imigrantes cubanos, e tem posições agressivas sobre o país caribenho

Depois da invasão dos EUA à Venezuela, o mundo passou a se perguntar quais seriam os próximos passos de Donald Trump no tabuleiro global. Logo de cara, o republicano refez as ameaças de tomar a Groenlândia — uma região importante para o comércio marítimo e famosa pelas terras raras. Agora, o chefe da Casa Branca, olha para a Cuba.
As atenções voltaram para a olha neste domingo (11), depois que, em uma postagem na rede social The Truth Social, Trump mencionou a possibilidade de o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, se tornar presidente de Cuba.
“Parece bom para mim”, disse Trump ao responder a um post que dizia que o chefe da diplomacia dos EUA deveria liderar a ilha no lugar de Miguel Diaz-Canel.
Marco Rubio: a origem cubana
A ideia sugerida nas redes sociais não agradou Trump à toa. Marco Rubio nasceu na Flórida, mas é filho de imigrantes cubanos e tem posições agressivas em relação à política externa dos EUA e seus adversários geopolíticos, como a China, Irã e Cuba.
Como senador, teve experiência em política externa e fez parte do Comitê de Inteligência do Senado e do Comitê de Relações Exteriores.
Rubio, primeira pessoa de origem hispânica a ocupar o cargo de secretário de Estado norte-americano, chegou a ser cotado para vice na chapa de Trump, mas não conseguiu a nomeação porque era do mesmo estado que o republicano, algo que a Constituição dos EUA não permite.
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Por trás da resposta de Trump
O comentário de Trump acontece em um momento no qual especialistas alertam para os efeitos do aumento das apreensões, pelos EUA, de navios-tanque ligados à Venezuela, principal fornecedora de petróleo de Cuba.
O temor é que uma interrupção mais severa no fluxo de combustível aprofunde apagões, desabastecimento e instabilidade social na ilha.
Essa situação, na visão de especialistas, teria potencial para provocar revolta na população e algum tipo de levante que pedisse a mudança de regime em Cuba.
Quem comanda Cuba
Ao contrário de Fidel Castro, que foi chefe de Estado por 49 anos e planejava permanecer no cargo até morrer, Raúl Castro sempre frisou que sua aposentadoria estava em andamento. Em 2018, deixou o poder, cedendo o comando de Cuba para Diaz-Canel.
- Foi Raúl que implementou medidas para restringir os presidentes cubanos a dois mandatos de cinco anos e exigir que eles tivessem menos de 60 anos no início do primeiro mandato.
Nascido em 1960, no mesmo ano em que os Castro nacionalizaram todas as propriedades dos EUA em Cuba, Diaz-Canel não tem nem o carisma de Fidel nem a autoridade de Raúl. Ao contrário dos Castros, é um burocrata em vez de um revolucionário de uniforme verde.
Seu trunfo, quando assumiu a presidência cubana, em 2018, era a imagem de um líder mais jovem e dinâmico, que postava mensagens nas redes sociais e lia em um tablet em reuniões governamentais.
Suas políticas, no entanto, não tinham a mesma aparência de modernidade: têm sido tão conservadoras, senão mais, que as de Raúl. Segundo especialistas, uma estratégia destinada a garantir à geração mais velha que ainda ocupa cargos políticos importantes que ele não minaria a Revolução.
E a não era sem razão: Diaz-Canel depende desse apoio político para lidar com o descontentamento generalizado provocado pela queda da economia, o aumento das sanções dos EUA e grupos dissidentes antigovernamentais cada vez mais experientes em tecnologia.
A reação de Cuba à Trump
Além da sinalização de que Rubio poderia ser o presidente de Cuba, Trump também fez declarações sobre o fim do envio de petróleo e dinheiro à ilha, e provocou a reação do governo cubano.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou que o país "não recebe nem recebeu jamais qualquer compensação monetária ou material" e que tem "direito absoluto de importar combustível" de mercados dispostos a exportá-lo.
Em publicação no X, Rodríguez escreveu que Cuba nunca foi remunerada por serviços de segurança prestados a outros países e ressaltou que, "ao contrário dos EUA, não temos um governo que se preste ao mercenarismo, à chantagem ou à coerção militar contra outros Estados".
Segundo ele, Havana exerce apenas o direito soberano de manter relações comerciais, sem "a interferência ou a subordinação às medidas coercitivas unilaterais dos EUA".
Mais cedo, O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo que "não haverá mais petróleo ou dinheiro indo para Cuba" e sugeriu que o governo cubano "faça um acordo antes que seja tarde demais". A declaração, feita em publicação na Truth Social, ocorre em meio ao endurecimento da política americana em relação à ilha e após a recente operação militar dos EUA na Venezuela.
Na mensagem, Trump escreveu que Cuba "viveu, por muitos anos, de grandes quantidades de petróleo e dinheiro da Venezuela", em troca da prestação de serviços de segurança aos últimos governos venezuelanos.
Segundo o presidente norte-americano, esse arranjo teria terminado após a ofensiva norte-americana. "Mas não mais!", afirmou Trump, ao declarar que "a maioria desses cubanos está morta por causa do ataque dos EUA nas últimas semanas".
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