EUA e Irã deixam mesa de negociações sem acordo, e cessar-fogo segue incerto; confira os pontos de impasse entre os países
Apesar de não chegarem a um acordo, o encontro foi o mais alto nível de interação presencial entre representantes do Irã e dos Estados Unidos

Enquanto você se levantava da cama para tomar o café da manhã, representantes dos Estados Unidos (EUA) e do Irã saiam de uma rodada de negociações presenciais em Islamabad, no Paquistão, que duraram 21 horas. Apesar a longa duração, não houve qualquer sinal de avanço, e os dois países se levantaram sem um acordo definido.
Com o conflito no Oriente Médio sem solução, o cessar-fogo de duas semanas, em vigor desde o início do mês, também segue incerto, já que não foi detalhado o que ocorreria após o prazo de 14 dias.
Porém, mediadores do Paquistão pediram a manutenção da trégua. “É imperativo que as partes continuem a cumprir seu compromisso com o cessar-fogo”, disse o chanceler do país, Ishaq Dar, acrescentando que Islamabad tentará viabilizar uma nova rodada de diálogo nos próximos dias.
Na visão dos EUA, o que travou as negociações?
Segundo o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que liderou a delegação norte-americana, o impasse nas negociações ocorreu após Teerã se recusar a aceitar os termos de Washington para abandonar o desenvolvimento de uma arma nuclear.
“A má notícia é que não chegamos a um acordo. E acho que isso é uma má notícia muito mais para o Irã do que para os Estados Unidos”, disse.
Leia Também
“Precisamos ver um compromisso claro de que eles não buscarão uma arma nuclear nem os meios para obtê-la rapidamente”, acrescentou, ressaltando que esse é o objetivo central do presidente Donald Trump.
Vance afirmou ter mantido contato constante com Trump e integrantes do governo durante as negociações, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent. “Estávamos negociando de boa-fé”, declarou.
“Saímos daqui com uma proposta muito simples, nossa oferta final e melhor. Veremos se os iranianos a aceitam.”
O que diz o Irã
Já o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os Estados Unidos não conseguiram conquistar a confiança da delegação iraniana nas negociações.
Em publicação no X, Ghalibaf disse que, apesar de o país persa ter atuado com "boa-fé e a vontade necessária", não confia na outra parte devido a experiências anteriores com outras guerras.
Segundo ele, os EUA não conseguiram "conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações", mesmo após iniciativas consideradas construtivas apresentadas por Teerã. Ele também reforçou que o país mantém uma combinação de diplomacia e pressão militar na condução do conflito.
Ghalibaf evitou detalhar os pontos de impasse, mas indicou que cabe agora a Washington avançar. "Os Estados Unidos compreenderam nossa lógica e nossos princípios, e agora é o momento de decidir se podem conquistar nossa confiança ou não", afirmou.
O líder parlamentar iraniano também sinalizou que o país não pretende abrir mão da estratégia civil e militar no conflito. "Consideramos a diplomacia de poder como um caminho complementar à luta militar para assegurar os direitos do povo iraniano", escreveu, acrescentando que o país seguirá empenhado em consolidar os resultados obtidos nas últimas semanas de guerra.
Ghalibaf ainda agradeceu ao Paquistão pela mediação e destacou o apoio interno ao governo iraniano durante o conflito, afirmando que o país atua como "um só corpo com 90 milhões de vidas".
Afinal, quais são os pontos de impasse entre os EUA e Irã?
Apesar de não darem detalhes sobre quais pontos geraram conflitos nas negociações, as exigências de cada governo não é exatamente desconhecido.
Além cobrar compromissos mais claros sobre o programa nuclear iraniano, os Estados Unidos exigem que o Irã reabra imediatamente o Estreito de Ormuz para todo o tráfego marítimo.
Porém, durante as negociações, Teerã teria se recusado a abrir mão de sua vantagem sobre esse ponto crítico para o transporte de petróleo.
O governo iraniano teria afirmado que só o faria após um acordo de paz definitivo, segundo os dois funcionários iranianos, que falaram com o Estadão sob condição de anonimato por se tratar de negociações diplomáticas sensíveis.
Além disso, o país persa cobra garantias de segurança de que o conflito não será reativado após um acordo.
O Irã também teria buscado reparações pelos danos causados por seis semanas de bombardeios aéreos, pedindo que as receitas de petróleo congeladas, mantidas no Iraque, Luxemburgo, Bahrein, Japão, Catar, Turquia e Alemanha, fossem liberadas para a reconstrução. Já os representantes norte-americanos recusaram esses pedidos.
Apesar de não chegarem a um acordo, o encontro entre Vance e Ghalibaf foi o mais alto nível de interação presencial entre representantes do Irã e dos Estados Unidos desde o rompimento das relações diplomáticas em 1979, após a Revolução Islâmica.
*Com informações do Estadão Conteúdo e Broadcast.
UM RISCO NEM TÃO ADMINISTRADO ASSIM
O Nobel de Economia que alertou para o risco e viu seu fundo perder 44% em um mês
10 de outubro de 2026 - 7:48A ÚLTIMA PERNADA
S&P 500 pode dar um sprint final até dezembro — mas investidor não deve ignorar uma pedra no caminho
9 de outubro de 2026 - 18:31PEGADINHA NORUEGUESA?
“Achei que fosse brincadeira”: quem é Navi Pillay, a vencedora do Nobel da Paz de 2026
9 de outubro de 2026 - 8:35OUSADIA PREMIADA
Canadense Anne Carson dá sopro de poesia ao Prêmio Nobel de Literatura
8 de outubro de 2026 - 8:49É SÓ O COMEÇO
O melhor está por vir para a TSMC após alta de 55% no ano. Entenda o que a Nvidia e Elon Musk têm a ver com o futuro das ações
7 de outubro de 2026 - 17:05SHERLOCKS DOS AMINOÁCIDOS
Mistério sobre a origem da vida: Nobel de Química premia dupla que resolveu enigma de mais de um século
7 de outubro de 2026 - 10:17ICECUBE
Telescópio instalado na Antártida ajuda a desvendar segredos do universo e rende Nobel a cientista belga
6 de outubro de 2026 - 8:38CONHECENDO MELHOR O CÉREBRO
Nobel de Medicina 2026: o que é a optogenética, técnica premiada que pode ajudar a tratar a cegueira
5 de outubro de 2026 - 13:39PASSADO, PRESENTE, FUTURO
Quem leva o Nobel de Economia em 2026? Índice aponta possíveis nomes ligados à inteligência artificial e Big Data
3 de outubro de 2026 - 7:14NÃO ACEITAMOS DEVOLUÇÃO
Henry Kissinger, o Nobel da Paz que tentou devolver o prêmio, mas não conseguiu
2 de outubro de 2026 - 15:05SEQUÊNCIA DE ERROS
Peter Handke: o vencedor do Prêmio Nobel que reabriu a pior crise da Academia Sueca
30 de setembro de 2026 - 16:32A MAIOR RECOMPRA DA HISTÓRIA
Jensen Huang coloca US$ 150 bilhões na mesa: por que as ações da Nvidia ficaram irresistíveis para a própria Nvidia
28 de setembro de 2026 - 19:18CONSUMIDOR OU SÓCIO
De R$ 96 mil a R$ 2,3 milhões: o que aconteceria se você tivesse trocado cada iPhone por ações da Apple
28 de setembro de 2026 - 14:30VISÃO DO GESTOR
Luis Stuhlberger está fazendo seguro em dólar e você também deveria; entenda
27 de setembro de 2026 - 11:00UM FENÔMENO, EFEITOS DIFERENTES
O Brasil no olho do furacão: o efeito do super El Niño em cada país da América Latina — e como afeta seus investimentos
25 de setembro de 2026 - 19:30ADIARAM A BRIGA?
Amigos, amigos, negócios à parte: o que Trump e Xi acertaram (e o que ficou na gaveta) no 2º dia dos encontros
25 de setembro de 2026 - 17:27DIVERSIFICAÇÃO INTERNACIONAL
S&P 500 pode subir mais 15% mesmo com alta dos juros nos EUA; XP recomenda investir na bolsa norte-americana
25 de setembro de 2026 - 15:42TRÉGUA COM SORRISO AMARELO
Grande amizade, tarifas e até pandas: um resumo do encontro entre Trump e Xi na Casa Branca após uma década
24 de setembro de 2026 - 19:58BALANÇOU O MERCADO
O tremor que fez os títulos de dívida de 30 anos dos EUA romper recordes em décadas em chegar a 5,44%
24 de setembro de 2026 - 15:03CAOS AÉREO