5 setores e 8 empresas: as ações gringas para ficar de olho em uma potencial reconstrução da Venezuela
Além das janelas de oportunidade entre setores e empresas, o BTG Pactual também avaliou como mercados no Brasil, Argentina, Chile, Peru e Colômbia podem se beneficiar e se prejudicar após a queda de Maduro

Se a franquia de filmes “Onze homens e um segredo” fosse sobre o mercado financeiro, poderia ser rebatizada de “Cinco setores e oito empresas” que se dariam bem com a reconstrução da Venezuela, após a captura do líder do país, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos.
Embora os efeitos imediatos nos mercados tenham sido contidos devido ao isolamento do país, em longo prazo, a ressurgência venezuelana abre janelas de oportunidade em setores como infraestrutura, consumo e energia, segundo análise do BTG Pactual.
Os analistas do banco apontam que a normalização da Venezuela, somada à recuperação da Argentina, pode fortalecer a narrativa de investimento em toda a América Latina — e o investidor pessoa física brasileiro deve ficar de olho.
- Leia também: Chevron, Exxon e ConocoPhillips vão às alturas após captura de Maduro, mas analistas recomendam cautela com as ações
As empresas que devem lucrar com a reconstrução da Venezuela
Algumas empresas com presença histórica ou operações remanescentes na Venezuela estão bem posicionadas para capturar o crescimento de uma economia que já foi uma das mais prósperas da região.
De acordo com análise do BTG os setores e empresas com maior potencial para se beneficiar de uma reconstrução na Venezuela são:
- Construção e cimento: Cementos Argos e Cemex são as principais apostas. Ambas conhecem profundamente o mercado local e possuem capacidade excedente na Colômbia e no Caribe para suprir a demanda imediata, já que as fábricas venezuelanas estão provavelmente sucateadas.
- Consumo e bebidas: Coca-Cola Femsa (KOF) e Arcos Dorados (McDonald's) mantiveram operações mínimas e podem escalar rapidamente. A KOF, por exemplo, já chegou a vender 240 milhões de engradados no país em 2014, contra apenas cerca de 60 milhões atualmente.
- E-commerce e logística: Mercado Livre, que desconsolidou sua unidade venezuelana em 2017, poderá reintegrar esse mercado à sua rede regional.
- Energia e siderurgia: Ternium, que teve sua unidade Sidor expropriada no passado, possui expertise na região e poderia ver novas oportunidades sob um regime pró-mercado. No setor de óleo e gás, embora as gigantes norte-americanas devam liderar, parceiros regionais na Argentina e no Brasil podem se beneficiar ao dividir riscos e investimentos.
- Alimentação e transporte: Nutresa ainda opera uma fábrica de carnes no país, o que permite uma reentrada imediata em um mercado com potencial lucrativo. Já a Copa Airlines, que historicamente obtinha até 15% da receita na Venezuela, deve ver um aumento no fluxo de passageiros.
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Por que essas empresas levam vantagem?
Essas companhias se destacam por possuírem o que o BTG chama de conhecimento local e ativos estratégicos.
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Ao contrário de novos entrantes, empresas como Cemex e Cementos Argos possuem infraestrutura logística próxima ou integrada que permite exportar para a Venezuela com custos menores.
Além disso, muitas dessas empresas têm créditos ou reivindicações legais por expropriações passadas, e uma normalização diplomática aumenta as chances de compensações ou devolução de ativos.
Segundo os analisas, a capacidade de operar de forma "autossuficiente em caixa", como já faz a Arcos Dorados, demonstra uma resiliência operacional que as coloca à frente na corrida pela reconstrução.
Impacto regional: quem ganha e quem perde
A normalização da Venezuela gera efeitos distintos entre os vizinhos latino-americanos, mas alguns mercados devem estar no radar dos investidores a partir de agora, segundo o BTG.
- Colômbia: é a maior beneficiária direta. Sendo o parceiro comercial natural, a retomada do comércio poderia impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB) colombiano em 1 ponto percentual em cinco anos. Além disso, a Venezuela pode suprir o déficit de gás natural do país.
- Argentina: o impacto é misto. Politicamente, o governo celebra a queda de Maduro, mas economicamente, uma queda no preço global do petróleo — devido ao aumento da oferta venezuelana — pode prejudicar os investimentos em Vaca Muerta, uma gigantesca formação geológica na Patagônia argentina (Neuquén) que contém uma das maiores reservas mundiais de gás de xisto e petróleo não convencional.
- Chile e Peru: ambos se beneficiam da queda nos preços de energia, já que são importadores líquidos de petróleo, o que ajuda a controlar a inflação interna. Por outro lado, um retorno massivo de imigrantes venezuelanos poderia reduzir o consumo doméstico no curto prazo.
Brasil vs. Venezuela: entre o petróleo e a política
Para o Brasil, o banco destaca pontos específicos que o investidor deve monitorar:
- Pontos negativos: o petróleo representa 16% das exportações brasileiras. Qualquer aumento substancial na produção venezuelana que pressione os preços globais para baixo pode reduzir a receita de exportação do Brasil. Além disso, tipos específicos de óleo pesado produzidos por Prio e Brava podem enfrentar maior concorrência direta com o óleo venezuelano.
- Pontos positivos: no campo político, a queda de Maduro pode impulsionar uma guinada à direita nas eleições presidenciais brasileiras, o que é esperado pelo mercado, uma vez que a oposição tende a explorar a ligação histórica entre o governo atual e o regime venezuelano. No setor corporativo, empresas brasileiras de óleo e gás podem atuar como parceiras estratégicas para empresas norte-americanas que liderarão a recuperação da infraestrutura de energia na Venezuela.
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