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Em evento nesta terça-feira (7), a diretoria da empresa detalhou como vem avançando em expansões, reforçando a aposta em experiência e usando a estratégia como escudo contra o impacto dos juros altos
Repleto de gente até mesmo em uma terça-feira (7) comum pela manhã, o Morumbi Shopping é uma das joias da coroa da Multiplan (MULT3). Com uma nova ala recém-inaugurada, que adiciona 13 mil m² e 40 lojas, o ativo materializa a estratégia de crescimento sustentável e gestão ativa do portfólio da companhia.
Mais do que ampliar a área, o movimento busca, ao mesmo tempo, defender o fluxo de consumidores e reconquistar o público que vinha reduzindo a frequência aos shoppings de modo geral — oferecendo um espaço atualizado em um varejo cada vez mais competitivo.
A lógica por trás dessa estratégia é o cerne que dita os próximos passos da operadora de shoppings para crescer mesmo com um cenário macroeconômico complicado para o setor como um todo, dada a Selic elevada.
“Muita gente pergunta como a Multiplan vai continuar crescendo. A reposta é: do mesmo jeito que fizemos até hoje”, afirmou o CFO Armando d’Almeida Neto durante um evento nesta terça.
Nos últimos seis anos, a participação de mercado da Multiplan em vendas totais no setor saiu de 8,5% para 12,9%.
Para o ano de 2026, o plano é entregar mais 13 mil m² em área bruta locável (ABL) e cerca de 70 novas lojas, distribuídas entre o BH Shopping (MG), o BarraShopping (RJ) e o ParkShopping (DF).
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Além disso, a companhia tem um pipeline adicional de cerca de 30 mil m² de ABL ainda em estudo.
Os projetos incluem expansões no Park Shopping São Caetano (SP), com aproximadamente 9 mil m², e no Jundiaí Shopping (SP), com cerca de 8 mil m². No caso do BH Shopping, a nova fase em estudo pode somar outros 13 mil m².
Embora a companhia não abra o valor do cheque para esses projetos, só o investimento para esta sexta expansão do Shopping Morumbi chegou a R$ 400 milhões.
Entre 2023 e 2025, a Multiplan também investiu R$ 540,4 milhões na modernização de 19 dos 20 shoppings do portfólio. As mudanças incluíram melhorias em infraestrutura, acabamentos, fachadas, iluminação e mobiliário.
A atualização faz parte de uma mudança de posicionamento que atravessa os ativos da companhia, que passam a se consolidar como destinos de experiência, não apenas centros de consumo — algo que ajuda na proteção contra as instabilidades do cenário macro, principalmente os juros.
“Quando a Selic sobe muito, não sentimos mais um impacto forte. Hoje nós somos uma experiência. No passado, o mix era muito concentrado em consumo. Hoje, não mais: cerca de 50% da composição já está ligada a experiência e gastronomia e isso muda completamente a dinâmica, porque as pessoas querem estar ali”, afirmou o CEO Eduardo Kaminitz Peres.
Ainda assim, a companhia reconhece que a entrada em projetos greenfield (em locais ainda não explorados) ainda depende de maior visibilidade sobre os rumos da economia — embora essa frente não esteja descartada.
Esse tipo de projeto pode ganhar tração, especialmente em um cenário de mudança de governo nas eleições presidenciais deste ano, com maior compromisso fiscal.
“Acelerar é fácil, o difícil é frear”, disse o CEO.
Além da gestão ativa e foco na experiência do cliente, uma das chaves para o sucesso do Morumbi Shopping, por exemplo, segundo a diretoria da Multiplan, é o foco na geração do futuro.
“Não quero andar no shopping e ver só gente da minha idade”, afirmou Kaminitz, que está na casa dos 50 anos.
Segundo ele, a proposta é ampliar o alcance do público e posicionar o shopping como um espaço voltado à convivência familiar, com foco na construção de vínculos recorrentes com o consumidor.
A adaptação ao novo perfil de consumo passa, sobretudo, pela Geração Z, que “consome o mundo com o celular na mão” e que já não responde à publicidade tradicional.
Agora, o consumo segue a recomendação, especialmente de influenciadores, o que levou a companhia a rever a forma como se comunica e até como inaugura seus projetos.
“Por isso, a Multiplan quebrou tradições e passou a focar inaugurações e eventos em influenciadores digitais, gerando milhões de interações”, afirmou o CEO durante o evento.
A leitura da empresa é que o shopping ganha relevância justamente por oferecer o que o online não entrega: interação, convivência e experiência sensorial.
Não por acaso, o Morumbi foi o shopping escolhido para receber a Bershka — a “irmã descolada” da Zara e fenômeno no TikTok. Desde a inauguração, a loja tem levado clientes a enfrentar filas que chegam a três horas nos fins de semana.
A Multiplan também avança na estratégia de projetos multiuso, integrando áreas comerciais, residenciais e corporativas.
No segmento imobiliário, o principal exemplo é o Golden Lake, em Porto Alegre, bairro privativo desenvolvido no entorno do Barra Shopping Sul.
O projeto tem Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 4,9 bilhões, distribuído ao longo de oito fases, com previsão de 20 torres residenciais e cerca de 250 mil m² de área privativa.
A primeira etapa, o Lake Victoria, já foi entregue, com quatro torres e 94 unidades. A próxima fase, o Lake Eyre, está em construção e deve ser concluída em 2028. Já o Lake Baikal, com lançamento previsto para junho de 2026, terá duas torres e 88 unidades.
Além do Golden Lake, a companhia estima um potencial adicional de 864 mil m² em projetos multiuso — o equivalente a cerca de 14 vezes a área do Morumbi Shopping.
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