Raízen (RAIZ4) ganha fôlego na bolsa em meio à expectativa de avanço nas negociações para reestruturação da dívida
Segundo site, a Shell teria apresentado uma proposta diferente da alternativa discutida pela Cosan e por fundos do BTG para a Raízen; veja o que está na mesa

As ações da Raízen (RAIZ4) operam em alta nesta quarta-feira (18), em meio às expectativas do mercado para a reestruturação da dívida da empresa.
Por volta das 14h45, os papéis saltavam 7,94% na bolsa brasileira, cotados a R$ 0,68. Desde o começo do ano, porém, RAIZ4 ainda amarga perdas da ordem de 17%.
A performance positiva nesta sessão vem na esteira de rumores sobre possíveis alternativas para reforçar o caixa da companhia.
Segundo o Pipeline, do jornal Valor Econômico, a Shell teria apresentado uma proposta diferente da alternativa discutida pela Cosan (CSAN3) e por fundos do BTG.
Ainda assim, é preciso lembrar que as ações da Raízen continuam a sustentar o status de penny stock, como são conhecidos os papéis que negociam a menos de 1 real.
E uma das principais características comuns às penny stocks é a justamente volatilidade. Afinal, com um preço tão baixo, qualquer variação, por menor que seja, pode resultar em grandes oscilações percentuais das ações na tela.
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A situação financeira da Raízen
A Raízen terminou com um prejuízo de R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026 (3T26).
Segundo a empresa, boa parte das perdas vieram de um impacto de R$ 11,1 bilhões: um impairment, sem efeito no caixa da companhia, que atualiza para baixo o valor de certos ativos da companhia de açúcar e etanol.
A administração da Raízen afirma que, desconsiderando esses impactos não recorrentes, o prejuízo do período teria totalizado R$ 4,5 bilhões — o que também não é pouco.
A Raízen encerrou o último trimestre com uma dívida de R$ 55,3 bilhões, o que representa uma alavancagem de 5,3 vezes sobre seu Ebitda, e diferentes caminhos para reduzir a pressão financeira estão sendo avaliados.
Vale lembrar que a Shell e a Cosan hoje detêm 44% do capital da Raízen cada uma, com os 12% restantes nas mãos do mercado.
O que está na mesa para a reestruturação da Raízen?
A proposta inicialmente colocada na mesa previa a conversão de 25% da dívida em ações, além da cisão da Raízen em duas empresas — uma focada em açúcar e etanol e outra concentrada na operação de combustíveis. As duas companhias seriam listadas em bolsa.
Nesse desenho, a divisão de commodities receberia cerca de R$ 1 bilhão da Cosan, R$ 500 milhões de Rubens Ometto — controlador da Cosan — e aproximadamente R$ 1,5 bilhão da Shell.
Outro pilar envolveria o BTG Pactual, com um aporte estimado em R$ 5,3 bilhões via fundos de capital privado (private equity).
De acordo com o Pipeline, porém, a Shell estaria disposta a seguir por um caminho mais simples, sem a necessidade de dividir a companhia, oferecendo um cheque maior.
Shell propõe capitalização mais robusta
A nova proposta prevê uma capitalização de R$ 5 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões aportados pela Shell e o restante pela Cosan.
Em um segundo momento, os controladores poderiam ampliar a injeção de recursos e realizar uma oferta de ações (follow-on) para captar capital adicional no mercado.
A Raízen também está em um processo de vendas de ativos e já conseguiu levantar R$ 5 bilhões nos últimos 12 meses.
A venda de ativos na Argentina deve ser fechada até o final deste ano. O objetivo é chegar a uma alavancagem de 2 a 2,5 vezes ao final do processo. Para isso, a companhia precisaria de cerca de R$ 20 a R$ 25 bilhões, segundo cálculos feitos pelo UBS BB.
O problema é que a empresa sofreu sérios rebaixamentos nas suas classificações de risco por agências de rating. Isso levou a empresa a realizar um impairment de R$ 11 bilhões e registrar prejuízo de R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026 (3T26). Entenda o que motivou o impairment aqui.
Só a venda de ativos que está sendo feita atualmente não será o suficiente para resolver o problema financeiro da companhia.
"A gente chega num ponto de inflexão onde claramente toda a execução do nosso plano de transformação operacional de maneira isolada não é suficiente para mitigar o desequilíbrio", afirmou o CEO, Nelson Gomes, na teleconferência de resultados na semana passada.
"Esse processo todo está sendo conduzido pela companhia em conjunto com os acionistas controladores, que se comprometeram em contribuir com capital dentro de uma solução que seja consensual, estruturante e principalmente que seja definitiva para que a companhia possa operar no longo prazo", afirmou Gomes.
Por isso, esse pacote de aumento ou injeção de capital na companhia pelos seus controladores é tão essencial para a sua sobrevivência no longo prazo.
Procuradas pelo Seu Dinheiro, a Raízen e a Cosan afirmaram que não iriam se pronunciar.
*Com informações do Money Times e do Valor Econômico.
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