Axia (AXIA3) quer subir ao Novo Mercado: o que está por trás da nova aposta da ex-Eletrobras e como ficam os acionistas?
Empresa convoca acionistas para votar migração ao segmento mais alto de governança da B3; veja o que muda para os investidores

A Axia Energia (AXIA3) decidiu dar um passo decisivo em busca de novos patamares de governança. A empresa — antiga Eletrobras — convocou seus acionistas para votar a migração ao Novo Mercado da B3, o segmento que concentra as empresas com os mais elevados padrões de governança corporativa do país.
Se aprovada, a mudança consolidará a transformação iniciada com a privatização, em junho de 2022.
A assembleia geral extraordinária (AGE) e as assembleias especiais que vão decidir sobre a migração estão marcadas para 1º de abril de 2026.
O coração da proposta é converter todas as ações preferenciais de classe A1 e B1 — que garantem dividendos mais polpudos — em ações ordinárias (ON) — aquelas que dão direito a voto.
É o movimento necessário para cumprir a regra básica do Novo Mercado: “uma ação, um voto”.
Por que a Axia quer migrar para o Novo Mercado
A migração ao Novo Mercado não surge como uma decisão isolada. Para a Axia, trata-se de um desdobramento natural do processo de desestatização que transformou a empresa em uma corporation, sem controlador definido e com capital pulverizado na bolsa.
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Desde então, a companhia passou por uma reestruturação profunda: revisou custos, incorporou Furnas, avançou na venda da Eletronuclear, firmou acordos com o governo federal e até mudou de nome e ticker na bolsa.
A empresa argumenta que, depois dessa reorganização, faz sentido dar o próximo passo.
“A administração entende que a AXIA se encontra diante de importante janela de oportunidade para deliberar sobre a Migração ao Novo Mercado, um passo natural e coerente com a trajetória de aprimoramento institucional da companhia, reconhecendo e reforçando esta evolução e trazendo perenidade a tais avanços”, disse a empresa, na proposta.
A Axia afirma que o ingresso no Novo Mercado é “passo fundamental” para aprimorar a estrutura de capital, fortalecer a política de dividendos e beneficiar de forma relevante sua base acionária.
Na prática, a empresa aposta que a migração pode:
- Atrair novos investidores, especialmente estrangeiros;
- Melhorar sua percepção em critérios ESG (ambientais, sociais e de governança);
- Aumentar a liquidez das ações; e
- Dar mais flexibilidade à alocação de capital, seja em recompras, seja em distribuição de dividendos.
Os detalhes das propostas para os acionistas
Hoje, a estrutura acionária da companhia ainda carrega diferentes classes de ações. Atualmente, o capital social está dividido da seguinte forma:
- Ações ON: 69,5796% do capital, com direito a um voto por ação;
- Ações PNA1: 0,0050% do capital, sem direito a voto, mas com dividendo ao menos 10% superior ao das ON e prioridade de 8% ao ano sobre o capital da classe;
- Ações PNB1: 9,6021% do capital, também sem voto, com dividendo pelo menos 10% maior que o das ON e prioridade de 6% ao ano;
- Ações PNC: 20,8133% do capital, com direito a voto, conversíveis em ON e resgatáveis até 2031; e
- Golden Share da União: uma ação preferencial especial, sem voto nas assembleias gerais, mas com direito de veto.
Para ingressar no Novo Mercado, é preciso simplificar essa estrutura. A proposta prevê a conversão das ações PNA1 e PNB1 em ON na proporção de 1,1 ação ordinária para cada ação preferencial.
Segundo a companhia, essa relação de troca foi desenhada para “equilibrar os interesses econômicos e políticos”, levando em conta que as preferenciais hoje têm um prêmio de dividendos de pelo menos 10% em relação às ordinárias.
O tratamento excepcional e os cenários possíveis
Um ponto relevante é que as ações PNA1 representam apenas 0,005% do capital social. Dada essa baixa representatividade, a B3 concedeu uma autorização para tratamento excepcional.
Isso significa que, mesmo que a assembleia específica dessa classe não aprove a conversão, a migração poderá ser concluída — desde que seja assegurado o direito de voto pleno a esses acionistas por meio de alteração do estatuto da Axia.
No caso das ações PNC e da Golden Share da União, a B3 já autorizou a manutenção mesmo após a migração.
A Axia detalha dois cenários possíveis para a AGE:
- Cenário ideal: todas as assembleias aprovam a conversão e a companhia passa a ter estrutura alinhada ao Novo Mercado, com unificação das classes relevantes.
- Cenário alternativo: a assembleia das PNA1 rejeita a proposta, mas a migração segue adiante com a concessão de voto adicional a esses papéis, conforme o waiver concedido pela B3.
Confira como ficaria a estrutura acionária após a migração para o Novo Mercado:

E quem não concordar com a migração da Axia para o Novo Mercado?
Há a possibilidade de que os investidores de ações preferenciais possam não concordar com abrir mão dos dividendos mais polpudos em uma eventual migração para o Novo Mercado.
É por isso que a proposta da Axia também abre espaço para dissidência.
Acionistas preferenciais que não concordarem com a operação poderão exercer o direito de retirada (recesso), solicitando o reembolso de suas ações com base no valor patrimonial por ação calculado a partir do balanço do quarto trimestre de 2025.
Mas há uma condição: o direito é restrito aos investidores que já detinham os papéis na data do anúncio da proposta, em 18 de fevereiro, e que permaneçam com eles até o efetivo exercício do recesso.
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