Natura (NATU3) sai da Rússia por R$ 166,3 milhões; entenda o que vem pela frente agora
A venda da operação na Rússia era a última peça que faltava para a conclusão da estratégia de simplificação corporativa da Natura e retorno ao foco na América Latina

A Natura (NATU3) deu seu passo final para retornar ao básico. A empresa de cosméticos anunciou ao mercado nesta quinta-feira (19) a venda da Avon Rússia por 2,52 bilhões de rublos russos, equivalente a cerca de aproximadamente 26,9 milhões de euros.
Em real, o valor fica em torno de R$ 166,3 milhões. O comprador foi um grupo industrial local.
O valor, bastante modesto, representa cerca de 1% de seu valor de mercado total. Ou seja, não afetará de maneira relevante o balanço da empresa, seu endividamento ou liquidez.
O maior impacto é a simplificação do negócio.
"As vendas reduzem o risco geopolítico, a exposição à volatilidade cambial, a complexidade regulatória e os custos fixos ociosos, ao mesmo tempo em que melhoram a visibilidade sobre reportes, alocação de capital e foco da gestão", diz o BTG Pactual em relatório.
Fim de uma estratégia de três anos
Com isso, a companhia conclui a estratégia de simplificação corporativa da Natura e consolida o foco no crescimento de seu negócio na América Latina.
Como parte dessa estratégia, nos últimos anos a companhia vendeu ativos globais, otimizando seu portfólio e aumentando eficiência operacional. O ciclo de desinvestimentos começou em 2023, com a venda da Aesop.
Logo no início do ano, a companhia virou oficialmente a página com a conclusão da venda da Avon Internacional. A venda foi feita por um valor simbólico, por apenas uma libra, ao fundo Regent LP.
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À época que acordo foi anunciado, a XP Investimentos avaliou que a venda deve ajudar os investidores a retomarem o foco na ação, à medida que a tese da empresa se torna mais simples e clara. Ao se desfazer de ativos, a Natura não precisa mais consolidar os resultados negativos dessas operações.
A partir de então, a marca encerrou sua exposição a mercados internacionais fora da América Latina, com exceção da Rússia. Essa era a última operação que faltava para a Natura conseguir voltar a concentrar os esforços na região que mais domina.
O que esperar da Natura agora
Em agosto de 2025, o CEO da Natura, João Paulo Ferreira, afirmou que a companhia sentia o peso da Avon sobre o seu balanço, seja do lado da venda da Avon International, seja com a consolidação da marca aqui no Brasil.
“A marca Avon está sendo reposicionada. Há um trabalho de reposicionamento associado a necessidade de repopular todo o funil de inovações dessa marca, cujos resultados são esperados só em 2026. Então, nós ainda teremos dificuldades com a marca Avon ao longo desse ano e a marca Natura compensa essas dificuldades”, disse o executivo em coletiva com jornalistas na época.
Com a venda mais recente, a companhia afirmou que a marca Avon na América Latina segue sob gestão da Natura e será relançada no primeiro semestre de 2026.
Na América Latina, "Natura e Avon operam sob modelos comerciais e de cadeia de suprimentos cada vez mais integrados", diz o BTG. Mas a integração entre as duas marcas ainda não acabou, o que impede a empresa de aproveitar totalmente as sinergias da união e continua afetando sua rentabilidade.
O horizonte para a Natura continua nebuloso e só deve melhorar ao longo de 2026. Os juros altos, desafios operacionais, concorrência e a demora em capturar as sinergias após a integração com a Avon não ajudam os negócios da companhia, diz um relatório do BB Investimento de novembro.
Com Money Times
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