Como o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) quer transformar uma despesa milionária em fonte de receita em meio à recuperação
Uma subsidiária do GPA recebeu autorização da Susep para atuar como corretora e vai intermediar, em parceria com a Willis, os seguros contratados pelo grupo

Em recuperação extrajudicial e tentando cortar custos onde dá, o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) encontrou mais um espaço para passar a tesoura. A dona da rede de supermercados anunciou na noite de ontem (29) que sua subsidiária GPA 2 Corretora e Administradora de Seguros recebeu autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para atuar no país.
A lógica é aproveitar uma despesa que já faz parte da rotina do grupo: a contratação de seguros. Com uma corretora própria, o GPA passará a receber parte das comissões que hoje ficam integralmente com terceiros, recuperando uma parcela do dinheiro movimentado por essas operações.
Para dar uma ideia do tamanho desse mercado dentro de casa, a companhia afirma ter reconhecido aproximadamente R$ 185 milhões em prêmios apenas de seguro garantia nos últimos três exercícios. Esse é o preço das coberturas contratadas, não o valor que a nova corretora poderá gerar de receita — estimativa que não foi divulgada.
A operação será conduzida em parceria com a Willis Corretores de Seguros, responsável por fornecer conhecimento técnico, estrutura para contratação das apólices e gestão de sinistros. O foco anunciado são os seguros contratados pelo próprio GPA e por suas afiliadas para se proteger dos riscos de suas operações.
Por que abrir uma corretora de seguros ajuda o GPA?
Em meio a um processo de recuperação extrajudicial para negociar dívidas bilionários, a varejista está focada em eficiência operacional e disciplina financeira, como você pode entender nesta reportagem do Seu Dinheiro.
Os balanços ajudam a entender por que os seguros entraram nesse esforço. Além das coberturas para lojas, equipamentos e estoques, o GPA utiliza seguros garantia em discussões tributárias na Justiça e mantém valores para parcelamentos de impostos.
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Em junho de 2026, o GPA mantinha seguros garantia e cartas de fiança para assegurar o pagamento de R$ 13,46 bilhões em obrigações, dos quais R$ 11,35 bilhões estavam ligados a questões tributárias, segundo o balanço do segundo trimestre. Esse montante indica o tamanho das obrigações garantidas: não significa que a companhia tenha desembolsado esse valor para contratar os seguros e as fianças.
Manter essas garantias, porém, tem um custo e essas renovações pressionaram o caixa. Segundo o relatório de 2025, cerca de um terço delas foi renovado naquele ano. Em diversas contratações, o grupo paga antecipadamente pela cobertura de toda a vigência, que, em muitos casos, chega a cinco anos.
Ou seja, o dinheiro sai de uma vez, enquanto a despesa é reconhecida no resultado ao longo do contrato. É nesse conjunto de despesas recorrentes, com desembolsos que podem se concentrar nas renovações, que a companhia encontrou uma oportunidade de melhorar a eficiência financeira.
Ao participar da corretagem, o grupo pretende receber parte das comissões geradas por essas operações.
É como trazer para dentro de casa uma etapa do serviço que antes era remunerada integralmente fora dela. O GPA continua pagando pela proteção, mas passa a receber uma parcela da remuneração pela intermediação, compensando parte desse custo.
E os seguros que o Pão de Açúcar oferece aos clientes?
O site do Pão de Açúcar já apresenta produtos como proteção de fatura e cartão protegido, além de assistências para carro e pet, com condições exclusivas para o Cartão Pão de Açúcar.
Nesse caso, a oferta é direcionada ao consumidor e a companhia atua apenas como intermediadora do serviço, quem assume os riscos e paga eventuais indenizações dos seguros é a seguradora responsável pela apólice.
Já o anúncio da nova corretora trata dos seguros contratados pelo próprio grupo para cobrir seus riscos.
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