Todo mundo quer a Farm: ações da Azzas 2154 (AZZA3) lideram as altas no Ibovespa com chuva de propostas no radar
A 'joia da coroa' recebeu 15 propostas de compra até agora. Confira os valores e o impacto para os papéis da Azzas 2154

A Farm Rio voltou a mexer com o humor dos investidores da Azzas 2154 (AZZA3). A marca, filha em guarda compartilhada após o divórcio com o Grupo Soma, parece estar avançando no processo de venda e levou os papéis AZZA3 a liderarem as altas no Ibovespa nesta quinta-feira (1).
Segundo o jornal Valor Econômico, o processo de negociação da marca tem recebido forte interesse. Por enquanto, cerca de 15 propostas não vinculantes teriam sido apresentadas, e os potenciais compradores precisam encaminhar ofertas vinculantes ao longo de outubro.
Fundos de private equity e grupos internacionais de moda estariam entre os interessados. Pelas estimativas que circulam no mercado, a Farm Rio vem sendo avaliada entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões.
No entanto, cabe destacar que os valores estão abaixo da faixa de R$ 4,5 bilhões a R$ 5,5 bilhões desejada pelos acionistas da marca.
A reação do mercado se justifica pelo peso da Farm dentro da Azzas. A marca responde por cerca de 25% da receita bruta da companhia e é frequentemente apontada como o principal ativo do portfólio, o que lhe rendeu o apelido de "joia da coroa".
Analistas do Safra consideram a notícia positiva para a Azzas, uma vez que a faixa de avaliação reportada de R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões apenas para a Farm Rio representa aproximadamente 160% a 180% da atual capitalização de mercado da companhia, de R$ 2,2 bilhões.
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“Dessa forma, uma transação nesses níveis poderia destravar valor substancial, fornecer uma referência mais clara para o portfólio e fortalecer a confiança dos investidores na tese de soma das partes”, diz o banco.
No entanto, a diferença reportada entre as expectativas de avaliação dos compradores e a faixa de R$ 4,5 bilhões a R$ 5,5 bilhões supostamente buscada pelos principais acionistas poderia prolongar as negociações e atrasar uma potencial transação.
Por volta de 12h08, AZZA3 saltava 5,87%, cotada a R$ 18,40. Mais cedo, por volta de 11h25, a alta chegou a 8,23%.
Divórcio de empresas
Em 2 de setembro, o divórcio de Arezzo&Co e Grupo Soma foi oficializado. Com a separação, Alexandre Birman e Roberto Jatahy entraram em um acordo de divisão das companhias, mas a Farm ainda ficaria em "guarda compartilhada".
Na ocasição, foi divulgado que a Farm Rio ganharia uma empresa própria, controlada conjuntamente pela Arezzo&Co e pela Soma, ao menos até que fosse definido o futuro da marca.
A Arezzo&Co é dona de 57,4% dessa nova empresa, enquanto a Soma tem os 42,6% restantes.
Essa estrutura pode facilitar uma futura transação, uma vez que isola a Farm das demais operações e permite negociar diretamente uma participação no negócio.
Para recapitular, na cisão das empresas, a Arezzo&Co concentra as marcas Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman, Carol Bassi e Hering. Já a nova Soma reune Animale, NV, Maria Filó, Cris Barros, Reserva, Oficina e Foxton.
Relembre toda a briga e como ficou cada companhia nesta matéria do Seu Dinheiro.
Quanto vale a Farm?
O arranjo em relação à Farm foi “o que deu para fazer”, na visão de gestores ouvidos pela reportagem. Isso porque tanto Jatahy quanto Birman teriam interesse no ativo, hoje o grande destaque do grupo.
Em 2010, a Farm se uniu à Animale, em uma operação que deu origem ao Grupo Soma.
Hoje, a marca conta com mais de 100 lojas no Brasil e presença em cidades como Nova York, Los Angeles, Paris e Londres.
Gestores pontuam que uma oferta de US$ 1 bilhão é bastante elevada, sendo que algo em torno de US$ 800 milhões parece mais factível. O ponto agora é que Birman e Jatahy conseguiram com a cisão fôlego para conduzir esse processo.
Uma venda ruim da Farm tem potencial de impacto negativo nas ações. Dessa maneira, a interpretação é de que os executivos não irão se desfazer do ativo sem que a oferta valha a pena, e ainda há dúvidas se ocorreria uma venda completa de participação ou frações dela.
*Com informações de Money Times
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