Os planos do novo CEO da B3 (B3SA3) para fortalecer a bolsa de valores diante do avanço da concorrência, segundo o BTG
"Se Egan conseguir executar seus planos e gerar resultados concretos, enxergamos espaço para que a B3 se torne mais do que apenas uma tese ligada à trajetória dos juros", disse o BTG.

O novo CEO da B3 (B3SA3), Christian Egan, passou os últimos três meses apenas ouvindo clientes, investidores e agentes reguladores. Agora, começou a falar sobre quais serão os próximos passos da bolsa de valores brasileira.
Se nos últimos anos a B3 nadou sozinha, já há concorrentes se preparando para mergulhar no mercado financeiro e captar parte do mercado.
Em novo relatório, o banco BTG Pactual destaca que os próximos projetos e lançamentos da empresa buscam endereçar dores dos clientes e aumentar seu fosso competitivo, principalmente em áreas em que as rivais podem competir com mais força.
"Acreditamos que Chris Egan começou com o pé direito, focando nas prioridades corretas: ele está atento às pressões competitivas e já tem iniciativas concretas em andamento nas áreas de experiência do cliente, tecnologia e produtos", disse o banco, em relatório divulgado depois de um encontro com o CEO em uma conferência em Nova York.
De acordo com o BTG, o foco de Egan será principalmente simplificar a companhia. Isso permitirá que a B3 responda mais rápido às necessidades dos clientes, novas regulamentações e pressão de concorrentes, diz o banco.
A alta recente das ações da B3 está fortemente relacionada ao rali eleitoral. Caso a situação seja mais positiva do ponto de vista fiscal e de juros, a bolsa de valores pode voltar a ter mais força, o que impulsiona os papéis da operadora.
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"Porém, se Egan conseguir executar seus planos e gerar resultados concretos, enxergamos espaço para que a B3 se torne mais do que apenas uma tese ligada à trajetória dos juros", disse o BTG.
O banco tem recomendação neutra para o papel e preço-alvo de R$ 19 para as ações, com potencial de retorno de 7,6% em um ano.
De olho na concorrência
O Brasil já teve outras bolsas de valores, mas nos últimos anos a B3 operou praticamente sozinha, desde a fusão entre a BM&FBovespa e a Cetip, em 2017.
Agora, o aumento da concorrência força a B3 a ter uma velocidade maior de reação. O mercado passará por mudanças com a chegada da BEE4, voltada a pequenas e médias empresas, a A5X, de derivativos,
a CSD BR e Base Exchange, projeto apoiado pelo Mubadala Capital. A BEE4 já está em operação, e as outras devem ser lançadas no médio prazo.
A relação da B3 com a concorrência não é assim tão simples.
Em junho deste ano, a Superintendência-Geral do Cade recomendou a condenação da B3 por práticas anticoncorrenciais, alegando que as políticas comerciais da B3 dificultaram o avanço de outras companhias.
O órgão de defesa da concorrência também citou os obstáculos à interoperabilidade entre diferentes infraestruturas de mercado. A decisão final, no entanto, caberá ao tribunal do Cade.
Os planos de Chris Egan para a B3
Enquanto a concorrência se prepara para atuar, a B3 está planejando como irá manter seu mercado.
Os produtos e melhorias da bolsa terão um foco específico: melhorar a oferta da empresa justamente em áreas em que a concorrência pode entrar com mais força.
A diretoria da B3 sabe que sua hegemonia no mercado de ações, derivativos e outros investimentos está ameaçada, diz o BTG. Mesmo assim, acredita que ela não deve perder um grande volume de clientes ou negociações.
Afinal, a B3 não é apenas o ambiente em que investidores compram e vendem ações, cotas de fundos, ETFs e títulos de renda fixa. Ela também fornece parte essencial da infraestrutura tecnológica e de pós-negociação que permite o registro, a compensação, a liquidação e o gerenciamento de riscos dessas operações.
Ela também detém a propriedade intelectual por trás do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e do Ibovespa, as principais referências quando se trata de renda fixa ou variável.
Mesmo assim, há espaço para melhoras. Um ponto é o desenvolvimento e atualização de sistemas e tecnologias para reduzir a complexidade e a fricção com os clientes.
Parece um exagero, mas os clientes da B3 navegam hoje entre 45 plataformas digitais diferentes, com precificações diferentes. A operadora da bolsa de valores contratou a consultoria McKinsey para ajudá-la nesse processo, diz o BTG.
Entre as prioridades, está a modernização de sua plataforma de clearing, a infraestrutura que fica entre compradores e vendedores para assegurar os detalhes e garantias das transações. É um sistema legado, muito mais pesado e complexo do que poderia ser, disse a diretoria da bolsa ao banco.
O aluguel de ações ou ativos também é uma operação afetada por sistemas antigos. A B3 está redesenhando a infraestrutura desse produto e discutindo mudanças com o Banco Central para expandir o conjunto de ativos disponíveis para empréstimo.
Lançamentos de novos produtos da B3
O segredo não é investir mais, mas sim direcionar os gastos para medidas que realmente ajudem a melhorar a experiência dos clientes. Por isso, modernizar sistemas e produtos antigos tem o seu custo: a empresa deve desacelerar o lançamento de novos produtos.
2025 foi um ano prolífico para a companhia, com 25 novos lançamentos. Já em 2026 e 2027 a companhia deve soltar cerca de 20 novos produtos, diz o BTG. Neste ano, a companhia já lançou novos índices, opções sobre futuros de bitcoins e o Tesouro Reserva, por exemplo.
Os ETFs são outra avenida de crescimento da B3. Esses fundos de índice representam 10% de todo o volume negociado diariamente, embora sejam responsáveis por apenas 1% do total de ativos sob gestão. Os ETFs alavancados e os mercados de previsão (prediction markets) vinculados a resultados macroeconômicos e financeiros também fazem parte da agenda de novos produtos, diz o BTG.
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