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PRESSÃO NO PORTFÓLIO

Recuperação judicial das Casas Bahia pesa sobre HSLG11 e cotas caem mais de 5%; entenda os riscos na conta do FII

O fundo passa por um momento operacional positivo, impulsionado pela dinâmica do setor logístico. Porém, apresenta riscos que pesam na tese, segundo a Empiricus Research

Galpão logístico de Contagem visto de cima
Galpão logístico HSI Log Contagem (MG), locado atualmente pela Casas Bahia.Imagem: Divulgação/HSI

A recuperação judicial do Grupo Casas Bahia, anunciada nesta manhã (17), acendeu um sinal de alerta para os cotistas do fundo imobiliário HSI Logística (HSLG11). Após o anúncio, as cotas do FII iniciaram o dia em forte queda. Por volta das 11h (horário de Brasília), chegou a cair 5,18%, a R$ 79,11. 

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O HSLG11 já registrava um desconto significativo em relação ao valor patrimonial. No fechamento de sexta-feira (14), quando as cotas encerraram o pregão a R$ 83,43, esse desconto era de 24,29%. Contudo, na visão da Empiricus Research, o fundo está próximo ao valor justo, avaliado em R$ 85,20 por cota.

Atualmente, o fundo passa por um momento operacional positivo, impulsionado pela dinâmica do setor logístico. Mas a RJ da varejista pode manchar esse cenário. O principal problema é que a Casas Bahia tem um peso relevante no portfólio do FII, de quase 31% da receita. 

“No caso da Casas Bahia, o momento mais delicado no âmbito de crédito adiciona uma camada de risco à exposição do fundo à companhia”, afirmou Caio Araujo, analista da Empiricus Research, em relatório. 

“Apesar de enxergarmos o fundo como descontado, a elevada exposição da receita ao Grupo Casas Bahia, somada ao risco de uma eventual pressão vendedora sobre as cotas no curto e médio prazo, reduz a atratividade da tese”, disse Araujo. 

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De acordo com o relatório, a Empiricus Research segue acompanhando o desempenho do FII, mas sem adicioná-lo na carteira da casa. 

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Para entender o tamanho real desse risco, é importante acompanhar a capacidade financeira do fundo e a evolução dessa concentração no portfólio, diz o analista. 

Não é só a Casas Bahia: os riscos que pesam na conta do HSLG11 

Embora a base de locatários tenha diversificação de setores, ainda possui concentração relevante em varejo, com destaque também para o Mercado Livre (13,3%), Bemol (12,9%) e Assaí (11,8%). 

Em um ambiente complicado para o varejo, essa concentração vira um ponto de atenção. Os consumidores brasileiros estão com parte relevante de sua renda comprometida com dívidas e o custo de crédito está alto, sobrando pouco para compras não essenciais.  

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Embora o HSLG11 apresente vacância física zerada atualmente, o portfólio é concentrado em apenas seis ativos. Essa característica amplifica o impacto de qualquer desocupação futura, segundo Araujo. 

Além disso, os contratos típicos, que representam 63,3% da receita, podem não ser renovados no vencimento. Por enquanto, porém, o prazo remanescente nas locações mitiga esse risco.

Outro ponto de atenção está relacionado a uma eventual movimentação do investidor relevante, que concentra aproximadamente 60% das cotas. 

Nos últimos três meses, o FII registrou liquidez média diária de cerca de R$ 10,2 milhões, patamar significativamente superior ao observado em outros períodos. Essa maior negociação do fundo vem de uma estrutura elaborada para prover liquidez a um cotista relevante do HSLG11, feita em julho. 

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“A operação merece acompanhamento, uma vez que pode representar um risco adicional de pressão vendedora sobre as cotas no mercado secundário”, avaliou Araujo. 

Apesar dos pesares: um portfólio de peso 

Nascido em dezembro de 2020, o HSLG11 é um fundo de galpões logísticos gerido pela HSI Gestora de Fundos Imobiliários. O FII conta com cerca de 40 mil cotistas e área bruta locável (ABL) de 508 mil metros quadrados, com todos os empreendimentos localizados no raio de 30 km das capitais regionais. 

“Essa proximidade com grandes centros consumidores tende a favorecer a demanda de operadores de e-commerce, varejistas e empresas de distribuição", avalia Araujo. 

Embora o risco da Casas Bahia pese na tese, há caminhos para reduzir esse problema: como os imóveis são de alta qualidade, fica mais fácil substituir o inquilino, no caso de inadimplência.   

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A gestão estima que novas comercializações nos galpões de Contagem (MG) e São José dos Pinhais (PR), ambos situados no raio de 15 km das capitais, podem reduzir a exposição da varejista na carteira. 

O grupo possui direito de sublocar até 38% e 44%, respectivamente, da área dos empreendimentos. 

O fundo possui um patrimônio líquido superior a R$ 1,39 bilhão e um valor patrimonial de R$ 110,20 por cota. 

Em relação aos dividendos, a última distribuição foi de R$ 0,75 por cota, o que equivale a dividend yield (taxa de retorno de dividendos) anualizado de 10,8%. A gestão segue com guidance de R$ 0,74 a R$ 0,76 por cota para o restante de 2026. 

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“O fundo encerrou o mês de julho com reserva acumulada de R$ 1,29 por cota, o que oferece conforto adicional para os próximos pagamentos", disse o analista. 

O HSLG11 vem aproveitando o momento favorável do setor, conseguindo capturar ganhos nas revisões dos contratos. Com 14% da receita contratada ainda sujeita a revisionais, a Empiricus Research possui visão positiva para a receita recorrente do FII. 

Apesar disso, Araujo avalia que o cenário ainda é incerto, fazendo com que as decisões da casa ainda tenham “uma dose a mais de cautela”.

O Seu Dinheiro entrou em contato com a gestora, porém, até a publicação desta matéria, a HSI não enviou posicionamento.

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