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VIRADA À FRENTE

IRB Brasil (IRBR3): mudança tributária abre caminho para dividendos generosos; JP Morgan turbina preço-alvo para ação

Para analistas, com menor carga tributária, resseguradora pode recuperar competitividade, acelerar o crescimento dos prêmios e voltar a distribuir dividendos

Sede do IRB(Re)
Sede do IRB(Re). - Imagem: Divulgação

A mudança nas regras tributárias para resseguradoras pode abrir uma nova frente de crescimento para o IRB Brasil (IRBR3) — e também melhorar as perspectivas de remuneração dos acionistas. Mas, apesar do cenário mais favorável à frente, quem espera voltar a receber dividendos polpudos da empresa terá de ter um pouco mais de paciência. 

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Em relatório, o JP Morgan manteve a recomendação overweight (equivalente à compra) elevou o preço-alvo das ações do IRB, de R$ 68 para R$ 80 até dezembro de 2027. A nova cifra implica um potencial de valorização de até 28,3% frente ao último fechamento. 

A revisão positiva reflete os efeitos da nova legislação tributária, que deve reduzir a desvantagem competitiva das resseguradoras locais em relação aos concorrentes estrangeiros.  

"Acreditamos que a medida altera estruturalmente o ambiente competitivo da indústria de resseguros”, dizem os analistas, que preveem que a mudança permita que o IRB recupere competitividade, amplie os negócios e gere mais caixa. 

IRB Brasil (IRBR3): menos impostos, mais espaço para crescer 

A nova lei, aprovada nesta semana, prevê reduzir a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das resseguradoras locais de 15% para 9% a partir de 2027.  

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O texto também estabelece a eliminação gradual de uma alíquota adicional de 10% do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), a partir de 2030, além de mudanças nas regras de utilização de ativos fiscais diferidos. 

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Na avaliação do JP Morgan, o alívio tributário deve ajudar o IRB a competir em melhores condições e recuperar parte do terreno perdido nos últimos anos. A expectativa é que a companhia repasse parte do ganho tributário aos preços, favorecendo a retomada dos negócios. 

O banco projeta que os prêmios emitidos — indicador que representa o volume de negócios contratados — cresçam 6% em 2027 e 8% em 2028. A estimativa anterior era de alta de 1,3% e 6%, respectivamente. 

A expansão também deve vir acompanhada de uma sinistralidade maior. Ainda assim, o JP Morgan espera que a combinação de menor carga tributária e retomada do crescimento favoreça a rentabilidade. 

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Quando os dividendos podem voltar? 

A perspectiva de mais caixa também alimenta a expectativa de retomada dos dividendos para os acionistas de IRBR3.  

O JP Morgan estima que o IRB possa distribuir cerca de 53% do lucro em 2027 e elevar o payout para 75% a partir de 2028. Para 2027, o banco calcula um dividend yield próximo de 8%. 

Há, no entanto, um entrave contábil no caminho. Com a mudança das alíquotas, o IRB precisará reavaliar seus ativos fiscais diferidos, o que, segundo as estimativas do banco, pode provocar um ajuste negativo de aproximadamente R$ 500 milhões na reserva de lucros. 

Como a distribuição de dividendos depende de a companhia ter reservas disponíveis, esse ajuste pode impedir pagamentos no curto prazo.  

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O JP Morgan estima que a reserva de lucros fique negativa entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões, mesmo considerando um ganho antes dos impostos de cerca de R$ 200 milhões relacionado à reversão de PIS/Cofins sobre receitas financeiras de reservas técnicas. 

Com isso, o banco espera que a reserva volte ao ponto de equilíbrio entre o segundo e o terceiro trimestre de 2027.  

A projeção dos analistas é que a companhia compense a falta de remuneração no primeiro semestre com uma distribuição mais elevada na segunda metade do ano. 

“Esperamos que o IRB compense a ausência de dividendos no primeiro semestre de 2027 com um payout de 100% no segundo semestre, levando a um payout total de 53% em 2027, e mantenha payout de 75% posteriormente”, projetam os analistas. 

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O JP Morgan também avalia que a solvência do IRB pode continuar aumentando mesmo com a retomada dos pagamentos, o que sugere espaço para uma política de proventos mais generosa do que a projetada atualmente. 

Juros e operação internacional seguem no radar 

Mesmo com a revisão mais positiva para 2027, os analistas destacam os riscos que podem afetar o desempenho da ação.  

Um deles está nas operações internacionais, que vêm registrando prejuízos há vários trimestres e apresentam índices de sinistralidade elevados, entre 65% e 95% recentemente. 

Outro ponto de atenção é a sensibilidade do resultado às taxas de juros. Segundo o JP Morgan, cerca de 85% do lucro antes dos impostos do IRB no primeiro semestre de 2026 veio do resultado financeiro.  

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Isso significa que uma queda dos juros pode reduzir uma importante fonte de lucro, enquanto taxas mais altas tendem a favorecer os resultados financeiros da companhia. 

O banco também cita o cenário eleitoral brasileiro como um fator de risco para a avaliação da ação, justamente pela influência que as expectativas para os juros podem exercer sobre os resultados. 

Mesmo com essas ressalvas, o JP Morgan considera que a mudança tributária melhora estruturalmente as perspectivas do IRB.  

O banco norte-americano estima que a ação IRBR3 negocie a cerca de sete vezes o lucro projetado para 2027, o que mantém a resseguradora como sua principal escolha no setor de seguros.

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