Tenda (TEND3) ‘pega as chaves’ da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida; o que a construtora busca no andar de cima
Construtora estreia na Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida e acelera estratégia de avançar sobre públicos de maior renda; mudança de mix também pode ajudar a aliviar a pressão sobre as margens

A Tenda (TEND3) está subindo alguns degraus no Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Conhecida principalmente pela atuação nas faixas de menor renda do programa habitacional, a construtora acaba de “pegar as chaves” da Faixa 4, criada no ano passado para atender famílias com ganho de até R$ 13 mil e financiar imóveis de até R$ 600 mil.
A estreia será com o recém-anunciado Aruna Patamares, em Salvador (BA). Com Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 500 milhões, o empreendimento terá 1.143 apartamentos, com unidades na faixa de R$ 400 mil, marcando a primeira investida da companhia no público enquadrado na renda mais alta do programa.
"O projeto representa um importante movimento da Tenda ao ampliar nossa atuação para um segmento com potencial de crescimento e reúne atributos de produto e características que respondem às demandas dos consumidores de mais alta renda", afirma Rodrigo Hissa, diretor regional da Tenda.
Avanço para faixas mais altas do Minha Casa Minha Vida
A estreia faz parte de uma estratégia da construtora popular para aumentar gradualmente a exposição ao público de maior renda, considerando que as menores faixas do MCMV atendem a um público que ganha até R$ 5 mil por mês.
A Faixa 3, por exemplo, respondia por 10% das vendas no segundo trimestre de 2024. Dois anos depois, essa participação chegou a 24%. E a companhia trabalha com a possibilidade de que as duas maiores bandas do programa representem cerca de um terço dos lançamentos no futuro.
A lógica é ampliar o mercado endereçável. Ao subir alguns degraus na pirâmide de renda do MCMV, a construtora passa a alcançar famílias que estão acima de seu consumidor tradicional, mas que continuam dentro do programa habitacional.
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No entanto, a companhia destaca que, embora já tenha empreendimentos destinados às quatro faixas do Minha Casa, Minha Vida, sua atuação permanece mais concentrada nas Faixas 1 e 2.
Faixas maiores podem ajudar também nas margens
Além de ampliar o universo de potenciais compradores, aumentar o peso das faixas de renda mais altas pode ter outro efeito para a Tenda: ajudar a proteger a rentabilidade em um momento de maior pressão sobre as margens.
É o que aponta o Itaú BBA. Em relatório publicado após uma visita a um empreendimento da construtora, o banco destacou que mudanças recentes nas condições de financiamento da Caixa Econômica Federal devem pressionar a margem bruta das novas vendas da companhia.
Uma das mudanças envolve o chamado pró-soluto, mecanismo pelo qual a construtora financia diretamente ao comprador uma parte da entrada do imóvel. Esse valor pode continuar sendo pago à Tenda mesmo após a entrega das chaves.
Segundo o Itaú BBA, a Caixa passou a exigir que uma parcela menor do preço do imóvel permaneça nesse financiamento depois da entrega. Com isso, a Tenda está reduzindo o pró-soluto de 10% do valor da unidade para 5% no Rio de Janeiro e 7% nas demais regiões.
Quanto menor o pró-soluto, menor a parcela da entrada que a Tenda consegue financiar diretamente ao comprador. Para continuar fechando a venda, a companhia precisa absorver essa restrição na estrutura comercial — e, de acordo com o banco, isso acaba reduzindo a rentabilidade obtida em cada nova venda.
Na conta dos analistas, a mudança deve retirar entre 1 e 2 pontos percentuais da margem bruta das novas vendas, ante os 37,4% registrados pela companhia no segundo trimestre de 2026. E, com pouco espaço para aumentar preços no momento — uma vez que a companhia já reajustou os valores nos últimos meses como reflexo da guerra no Oriente Médio — uma das alternativas para amortecer o impacto está justamente na mudança de mix.
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