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PANDA BONDS

A operação bilionária da Vale (VALE3) na China: mineradora conta os planos dessa estreia 

Segundo a Bloomberg, a Vale estuda captar até 3,5 bilhões de yuans, o equivalente a R$ 2,7 bilhões, em uma possível estreia nesse mercado

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Vale (VALE3) na bolsa - Imagem: Canva/Montagem

Na natureza, o urso panda é símbolo da China: robusto, imponente e que prospera apenas em um ambiente doméstico muito específico e protegido. No ecossistema financeiro, os panda bonds carregam uma essência semelhante — e a Vale (VALE3) está de olho neles.  

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Trata-se de títulos de dívida emitidos na moeda chinesa (yuan) por emissores estrangeiros, vendidos exclusivamente dentro do mercado interno do país asiático. É um ambiente colossal e com apetite enorme, ideal para empresas peso-pesado se alimentarem de capital. 

Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg mais cedo, a Vale estuda captar até 3,5 bilhões de yuans (cerca de US$ 522 milhões ou R$ 2,7 bilhões) na estreia nesse mercado.  

A mineradora já estaria inclusive com o calendário em mente: os roadshows devem começar na semana de 19 de outubro, preparando o terreno para a emissão oficial em novembro. 

Os papéis seriam emitidos no exterior pela Vale Overseas Limited, mas com garantia integral da controladora brasileira. Os investidores chineses poderão escolher os vencimentos, que devem ser fixados em três, cinco ou dez anos, a depender da demanda. 

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Vale conta os planos 

Depois que a notícia tomou conta do mercado, a Vale veio a público na noite desta quarta-feira (30) para se manifestar sobre os rumores de que estaria prestes a fazer sua estreia em um novo e cobiçado mercado de dívida asiático.  

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Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a mineradora não confirmou diretamente a operação, mas deixou as portas escancaradas.  

A empresa afirmou que "avalia continuamente alternativas de financiamento, gestão de passivos e oportunidades que possam contribuir para a criação de valor de longo prazo e para o desenvolvimento de seus negócios".  

A Vale reforçou ainda que essas análises fazem parte da sua rotina de gestão corporativa e que qualquer operação está sujeita às aprovações de governança aplicáveis. 

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Caminho natural, custo atrativo 

A busca pela terra dos pandas não é obra do acaso. No início deste mês, o CFO da Vale, Marcelo Bacci, já havia indicado que acessar esse mercado era um passo "natural" para a companhia.  

A China é o grande motor da mineradora e responde por cerca de 50% de toda a receita da empresa. Ter passivos na mesma moeda em que se gera uma fatia tão massiva das receitas é um movimento de proteção e estratégia financeira. 

Mas há outro fator atraindo emissores para a Ásia: o custo do dinheiro. Enquanto o Ocidente lida com juros mais altos, o mercado chinês oferece condições bastante convidativas. 

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Em 2026, as emissões de panda bonds deram um salto impressionante de 78% em relação a 2025, somando 245 bilhões de yuans. O grande atrativo para os estrangeiros é o cupom médio recorde de apenas 1,88%.  

O cenário é tão favorável que o mundo corporativo não está sozinho nessa fila: até mesmo o Tesouro Nacional brasileiro avalia emitir até 10 bilhões de yuans em 2026 para surfar as condições desse mercado. 

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