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A aquisição da Avibras pela J&F marca a entrada da holding no setor de defesa, impulsionando a retomada da maior indústria bélica brasileira, em recuperação judicial

A J&F, holding de investimentos de Joesley e Wesley Batista, acaba de fazer uma nova aquisição. Por meio da Globe Investimentos, uma das divisões de investimentos da holding, fecharam a compra da Avibras, fabricante de artigos bélicos e com contratos com as Forças Armadas do Brasil e clientes no exterior.
O negócio foi firmado pela Nova AVB SA, estrutura criada durante o processo de reestruturação da empresa, que está em recuperação judicial.
A empresa atua na fabricação de equipamento bélico pesado, exceto veículos militares de combate, segundo comunicado enviado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No entanto, passou anos paralisada por conta de uma greve de funcionários e só voltou a operar no primeiro semestre deste ano.
O processo contou com a participação do Fundo Brasil Crédito, que coordenou uma alternativa ao plano de recuperação e viabilizou a criação da Nova AVB.
Antes de assumir o controle da empresa, Joesley Batista já havia participado de uma captação de R$ 300 milhões destinada à Avibras. O financiamento reuniu investidores privados e ajudou a viabilizar a retomada das atividades da companhia após anos de dificuldades financeiras. O valor investido individualmente pelo empresário não foi divulgado.
O valor da transação não foi divulgado, e marca a entrada da holding no setor de defesa.
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No ano passado, a companhia adquiriu a fatia da Eletrobras na Eletronuclear e, no início deste ano, a PicPay fez seu IPO nos Estados Unidos.
Fundada em 1961 por engenheiros formados pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a produção da empresa vai de mísseis e foguetes a defesa antiaérea.
A companhia, que está em recuperação judicial desde março de 2022, só conseguiu a aprovação de seu plano alternativo de recuperação em março deste ano, depois de diversas discussões envolvendo credores, como o Banco Fibra e a União. A consultoria Deloitte atua como sua administradora judicial.
Depois da demissão de mais de 300 funcionários, os trabalhadores entraram em greve em setembro de 2022 e as operações da companhia foram paralisadas por anos. Em março deste ano, a empresa fechou um acordo para o pagamento de R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas, segundo o G1.
Até setembro de 2025, o saldo total de salários e rescisões em atraso era de R$204,5 milhões, sem considerar as multas diárias por atraso decorrente do não pagamento.
Ela tem uma indústria em Jacareí e uma unidade em Lorena.
As operações da companhia foram transferidas para a recém-constituída UPI Avibras Aeroco no final de 2025, para a retomada gradual dos trabalhadores às fábricas.
Com a constituição da UPI, a Avibras Aeroespacial S.A. passou a figurar como uma empresa sem atividade operacional, e que receberá recursos da nova UPI, agora vendida aos irmãos Batista, para pagar as dívidas da sua recuperação judicial.
Em fevereiro deste ano, a companhia afirmou que havia negociações para uma possível compra pela empresa saudita Black Storm Military Industries.
"Esta parceria visa manter suas instalações de fabricação no Brasil, retomando as operações o mais rápido possível e garantindo o cumprimento das obrigações da empresa com o governo brasileiro e demais clientes, seus credores e, especialmente, os colaboradores da Avibras", disse, na ocasião.
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