O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
A gigante chinesa da moda se aproxima do IPO em Hong Kong avaliada em cerca de um quarto do que chegou a valer em 2022; para o BTG Pactual, porém, o desconto vem acompanhado de desaceleração do crescimento, pressão sobre margens e riscos regulatórios

A Shein pode até estar prestes a colocar um ponto final em uma novela que já dura anos e, finalmente, estrear na bolsa de Hong Kong. Mas a gigante chinesa da moda deve chegar ao mercado valendo uma fração do que os investidores já imaginaram — e o desconto não veio de graça.
Depois de tentativas frustradas de abrir o capital em Nova York e Londres, a companhia está cada vez mais próxima de realizar um IPO em Hong Kong. Segundo a Reuters, a estreia pode acontecer já no começo do mês que vem. O problema é que, enquanto o IPO se aproxima, o valuation encolhe.
A varejista de moda começou agosto mirando uma avaliação entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões. As discussões mais recentes, porém, apontam para uma faixa de US$ 25 bilhões a US$ 28 bilhões, sendo US$ 25 bilhões o valor considerado mais provável, segundo um relatório do BTG Pactual.
Para colocar a cifra em perspectiva, a companhia chegou a ser avaliada em US$ 98,2 bilhões em uma rodada privada de investimentos em 2022 e em aproximadamente US$ 64 bilhões entre 2023 e 2024. Ou seja: no cenário atualmente considerado mais provável, a Shein chegaria à bolsa valendo quase 75% menos do que no auge.
A empresa pode vender até 8% do capital no IPO, levantando até US$ 2 bilhões caso a avaliação fique em US$ 25 bilhões.
À primeira vista, o desconto pode chamar a atenção dos investidores. A um valuation de US$ 25 bilhões, a Shein seria negociada por cerca de 0,6 vez as vendas de 2025, segundo o BTG — um múltiplo bastante inferior ao observado entre algumas das maiores varejistas globais de moda.
Leia Também
Mesmo considerando a faixa anterior de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões, a companhia valeria entre 0,7 e 1 vez as vendas. Para comparação, a H&M negocia a cerca de 1,1 vez, enquanto a Inditex, dona da Zara, está em 4,6 vezes e a Fast Retailing, controladora da Uniqlo, em 7,6 vezes, de acordo com os dados citados no relatório.
Mas, para o BTG, seria precipitado olhar apenas para o preço e concluir que a Shein é uma pechincha. O desconto parece refletir menos uma dúvida sobre a escala do negócio e mais uma cobrança pelos riscos regulatórios, menor previsibilidade dos lucros e questionamentos sobre a sustentabilidade do modelo que transformou a companhia em um fenômeno global.
A receita líquida da Shein saltou de US$ 32,1 bilhões em 2023 para US$ 41,8 bilhões em 2025, enquanto o número de pedidos avançou de 715 milhões para 1,08 bilhão no período.
A plataforma terminou 2025 com 273 milhões de clientes ativos espalhados por cerca de 160 mercados, contra 186 milhões dois anos antes. O catálogo já supera 2 milhões de modelos de roupas.
Por trás dos números bilionários, porém, há um sinal amarelo: a máquina de crescimento está desacelerando rapidamente. A receita cresceu 41,1% em 2023. No ano seguinte, o avanço caiu para 20,7%. Em 2025, foi de apenas 8%.
E 2026 começou ainda mais devagar. No primeiro trimestre, a receita chegou a US$ 9,1 bilhões, uma alta de apenas 1,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O crescimento da base de usuários também não significou que os consumidores passaram a comprar mais. Entre 2024 e 2025, o número de clientes ativos saltou de 230 milhões para 273 milhões, mas a frequência de compras permaneceu praticamente estável, em cerca de quatro pedidos por cliente ao ano.
Se o crescimento perdeu força, os custos passaram a exigir ainda mais atenção. O lucro operacional da Shein caiu de US$ 1,38 bilhão em 2023 para US$ 966 milhões em 2024, antes de se recuperar para US$ 1,71 bilhão no ano passado.
Ao mesmo tempo, as despesas de fulfillment —os gastos para estocar e fazer o produto chegar até o consumidor — chegaram a US$ 19,1 bilhões em 2025, equivalentes a 45,6% da receita. Um ano antes, essa proporção era de 43,5%.
A disputa pelo consumidor também pesa no bolso. Somente no primeiro trimestre deste ano, a Shein gastou US$ 1,43 bilhão com marketing, contra US$ 1,09 bilhão no mesmo período de 2025.
Boa parte do sucesso da companhia foi construída sobre uma combinação difícil de replicar: uma cadeia de fornecedores chineses extremamente flexível, capacidade de testar novos produtos rapidamente, um catálogo gigantesco e entregas internacionais de baixo custo diretamente ao consumidor.
Só que algumas das engrenagens desse modelo começaram a ranger. Os Estados Unidos, responsáveis por aproximadamente 25% da receita da Shein em 2025, eliminaram em maio do ano passado a isenção de minimis para encomendas pequenas originárias da China.
O mecanismo ajudava a tornar economicamente viável o envio de produtos baratos diretamente da China para consumidores norte-americanos.
Além disso, tarifas mais altas, que variam entre 10% e 87,5%, dependendo do produto e das regras aplicáveis, elevaram os custos de importação, segundo a própria Shein.
A Europa também vem endurecendo as regras para encomendas de baixo valor. E a pressão não termina na alfândega. A Shein enfrenta maior escrutínio regulatório nos Estados Unidos e na Europa, incluindo uma investigação da Federal Trade Commission (FTC) norte-americana. A própria empresa reconhece que o processo pode resultar em multas relevantes.
No Brasil, a famosa "taxa das blusinhas" está suspensa por ora, mas a reversão dessa medida já entra no radar do mercado.
A concorrência também não dá trégua. De um lado está a Temu, que disputa diretamente o consumidor atraído por preços baixos e variedade. Do outro, estão gigantes tradicionais do vestuário, que também tentam acelerar seus ciclos de produção e vendas digitais.
Para competir, a Shein precisa gastar mais para conquistar consumidores e, ao mesmo tempo, investir em estruturas locais de armazenamento e distribuição.
A estratégia pode ajudar a companhia a se adaptar às novas barreiras comerciais, mas tem uma consequência importante: reduz parte das vantagens do modelo de baixo uso de capital que ajudou a transformar a Shein em uma gigante global.
É por isso que, para o BTG Pactual, a discussão sobre o IPO mudou. A pergunta já não é simplesmente “quanto a Shein pode valer?”.
Agora, o que o investidor precisa responder é quanto do crescimento acelerado e das margens que sustentaram a ascensão da companhia conseguirá sobreviver em um mundo de tarifas maiores, regras mais duras, custos crescentes e concorrência feroz.
DETERIORAÇÃO DO CRÉDITO
APOSTA BILIONÁRIA
RISCO X OPORTUNIDADE
Marketing Digital
UMA COMBINAÇÃO RARA
INTERESSADOS NA FILA
ADEUS PROLONGADO
BARATAS DEMAIS?
QUER PAGAR QUANTO?
PRIVATIZAÇÃO FOI SÓ O COMEÇO
SOCORRO
QUEM PAGA A CONTA?
EXPANSÃO INTERNACIONAL
DE MALAS PRONTAS
VIRADA DE CHAVE
CRÉDITO SOB PRESSÃO
ADEUS, APP DO BANCO?
RECUPERAÇÃO LENTA
ABRIU ESPAÇO