Crise da Casas Bahia (BHIA3) chega ao Grupo Multi (MLAS3), que provisiona R$ 20 milhões
Empresa afirma que impacto não deve alterar de forma significativa os resultados de 2026

A recuperação judicial do Grupo Casas Bahia (BHIA3), anunciada na segunda-feira (17), já começou a movimentar outras empresas que fazem negócios com a varejista. O Grupo Multi (MLAS3) anunciou na noite de terça-feira (18) que vai provisionar cerca de R$ 20 milhões para possíveis perdas com valores que tem a receber do grupo.
Esse valor não vem sozinho: a companhia já havia separado outros R$ 11 milhões anteriormente.
A provisão considera a parte dos recebíveis que não está protegida por seguro de crédito ou outros instrumentos de garantia contratados pelo Grupo Multi. Ou seja, não significa que a empresa já perdeu todo esse dinheiro, mas que passou a considerar o risco de não conseguir recuperá-lo.
Ainda assim, o Grupo Multi diz que o impacto é pequeno diante do tamanho de sua carteira. Segundo a companhia, os R$ 20 milhões representam 2,29% do saldo líquido de contas a receber.
A empresa também afirmou que a situação não deve provocar efeitos relevantes sobre sua posição patrimonial e financeira e que não espera consequências capazes de alterar de forma significativa os resultados de 2026.
O que aconteceu com a Casas Bahia?
A recuperação judicial é mais um capítulo da tentativa da Casas Bahia de reorganizar suas finanças. O pedido veio depois de a companhia divulgar, no domingo (16), um prejuízo recorde de R$ 10,117 bilhões.
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No dia seguinte, o conselho de administração aprovou o pedido de recuperação judicial da companhia e de algumas subsidiárias. O processo foi protocolado no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo (SP), com aprovação do acionista controlador.
Não é a primeira vez que a empresa recorre a um mecanismo desse tipo para tentar colocar as contas em ordem. Em 2024, o Grupo Casas Bahia havia apresentado um pedido de recuperação extrajudicial envolvendo R$ 4,1 bilhões em dívidas. O processo terminou no ano passado, depois de negociações com grandes bancos e da emissão de novas debêntures bilionárias.
Agora, a companhia afirma que voltou a enfrentar uma deterioração das condições econômico-financeiras. Entre os fatores citados estão os juros elevados, a restrição de crédito, o aumento do custo financeiro e a pressão sobre o consumo e o capital de giro.
A Casas Bahia também apontou que alternativas de liquidez que estavam sendo estruturadas não se concretizaram.
*Com informações do Money Times
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