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Fabricante de pás eólicas recorre à Justiça enquanto tenta reorganizar o passivo com os principais credores

A Aeris (AERI3) está tentando ganhar tempo para colocar as contas em ordem. A fabricante de pás para turbinas eólicas informou na quinta-feira (20) que recorreu à Justiça para ganhar fôlego enquanto tenta renegociar suas dívidas com os principais credores.
A companhia entrou com uma medida cautelar em caráter antecedente, que tramita em segredo de Justiça, para suspender por até 60 dias execuções e outras medidas relacionadas às dívidas em negociação.
Ao mesmo tempo, abriu um procedimento de mediação no Centro de Mediação da Associação dos Advogados de São Paulo (CMAASP).
A ideia da Aeris é usar essa "blindagem temporária" para tentar chegar a uma solução consensual para o endividamento — que poderá envolver a repactuação das condições originais das dívidas e um ajuste da estrutura de capital à capacidade de geração de caixa do negócio.
A Aeris afirma que a medida é temporária e preparatória e não interrompe suas operações. Segundo a empresa, clientes, fornecedores correntes, revendedores e demais parceiros de negócios não serão afetados.
O movimento ocorre pouco mais de um ano depois de a companhia ter concluído um reperfilamento de aproximadamente 90% do endividamento, em maio de 2025. Na época, o alongamento dos prazos buscava justamente reduzir a pressão de curto prazo sobre o caixa.
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Na bolsa, o mercado continua refletindo o tamanho do desafio. AERI3 acumula queda de cerca de 30% em 2026 e já perdeu mais de 98% do valor desde a abertura de capital (IPO), em 2020.
Procurada pelo Seu Dinheiro, a Aeris não retornou o contato até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
O pedido de proteção ocorre em um momento delicado para as finanças da Aeris.
A companhia encerrou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 152 milhões. O resultado representa uma melhora de 4,8% em relação ao prejuízo de um ano antes, mas uma piora de 10,2% na comparação com o primeiro trimestre.
Segundo a companhia, o resultado foi pressionado principalmente pelo aumento das despesas financeiras, em meio à alta dos juros e dos encargos sobre empréstimos e financiamentos, além do ajuste a valor justo temporal das cotas do FIDC.
A receita operacional líquida somou R$ 129,2 milhões, derrocada de 46,6% em relação ao segundo trimestre de 2025, embora tenha crescido 22,4% frente aos três meses anteriores.
O desempenho ainda reflete a retração do mercado eólico brasileiro observada nos últimos trimestres, segundo a empresa.
“A combinação de uma demanda doméstica ainda reduzida e da ausência de novos contratos relevantes ao longo desse período resultou em menores volumes de produção e faturamento em relação ao primeiro semestre do ano anterior”, afirmou a Aeris no balanço.
Há, contudo, uma sinalização um pouco mais positiva na operação. O Ebitda, indicador que ajuda a medir a geração de caixa operacional, ficou negativo em R$ 16,7 milhões, mas apresentou melhora de 73,3% em um ano e de 39,5% na comparação trimestral.
A Aeris atribui essa evolução ao crescimento da receita, à melhora da margem bruta e à maior diluição dos custos fixos.
A expectativa da companhia é que a recuperação operacional avance conforme os contratos sejam executados e as linhas reativadas ganhem maturidade, permitindo ganhos de eficiência e uma redução gradual do peso dos custos fixos.
O problema é que essa recuperação ainda precisa ganhar escala para fazer frente ao tamanho da estrutura financeira. A dívida líquida chegou a R$ 1,94 bilhão no 2T26, alta de 19,2% em 12 meses.
Segundo informações do Pipeline, a companhia tem hoje cerca de R$ 1,8 bilhão em dívidas financeiras, sendo R$ 1,2 bilhão em debêntures e quase R$ 600 milhões com os bancos BNDES, BNB, Banco do Brasil, Santander e BV.
Vale destacar que não é a primeira vez que a Aeris tenta reorganizar esse passivo. Em maio de 2025, a companhia concluiu um reperfilamento financeiro que envolveu aproximadamente 90% do endividamento total.
Na ocasião, a operação alongou os prazos de vencimento e ajudou a reduzir a pressão de curto prazo sobre o serviço da dívida, dando mais flexibilidade financeira à empresa.
Agora, pouco mais de um ano depois, a companhia volta a discutir com os credores uma adequação de sua estrutura de capital à realidade do negócio.
“A companhia mantém estudos contínuos sobre alternativas para aprimorar sua estrutura de capital, buscando adequá-la à realidade do negócio e às perspectivas da companhia para os próximos anos, em linha com o processo de reequilíbrio financeiro em curso”, afirmou.
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